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Poemas de Eugênio de Andrade

Eugênio de Andrade foi um pseudônimo de José Fontinhas, um dos mais importantes poetas de Portugal. Suas obras foram traduzidas para diversas outras línguas por sua qualidade literária! Conheça melhor este grande poeta!

Ao Miguel, no seu 4º Aniversário

Eugênio de Andrade

Vais crescendo, meu filho, com a difícil luz do mundo. Não foi um paraíso, que não é medida humana, o que para ti sonhei. Só quis que a terra fosse limpa, nela pudesses respirar desperto e aprender que todo homem, todo, tem direito a sê-lo inteiramente até ao fim. Terra de sol maduro, redonda terra de cavalos e maçãs, terra generosa, agora atormentada no próprio coração; terra onde teu pai e tua mãe amaram para que fosses o pulsar da vida, tornada inferno vivo onde nos vão encurralando o medo, a ambição, a estupidez, se não for demência apenas a razão; terra inocente, terra atraiçoada, em que nem sequer é já possível pousar num rio os olhos de alegria, e partilhar o pão, ou a palavra; terra onde o ódio a tanta e tão vil besta fardada é tudo o que nos resta; abutres e chacais que do saber fizeram comércio tão contrário à natureza que só crimes e crimes e crimes pariam. Que faremos nós, filho, para que a vida seja mais que a cegueira e cobardia?

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Algumas Reflexões Sobre a Mulher

Eugênio de Andrade

Elas são as mães: rompem do inferno, furam a treva, arrastando os seus mantos na poeira das estrelas. Animais sonâmbulos, dormem nos rios, na raiz do pão. Na vulva sombria é onde fazem o lume: ali têm casa. Em segredo, escondem o latir lancinante dos seus cães. Nos olhos, o relâmpago negro do frio. Longamente bebem o silencio nas próprias mãos. O olhar desafia as aves: o seu voo é mais fundo. Sobre si se debruçam a escutar os passos do crepúsculo. Despem-se ao espelho para entrarem nas águas da sombra. É quando dançam que todos os caminhos levam ao mar. São elas que fabricam o mel, o aroma do luar, o branco da rosa. Quando o galo canta Desprendem-se para serem orvalho.

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Amor

Eugênio de Andrade

Cala-te, a luz arde entre os lábios, e o amor não contempla, sempre o amor procura, tacteia no escuro, essa perna é tua?, esse braço?, subo por ti de ramo em ramo, respiro rente á tua boca, abre-se a alma à lingua, morreria agora se mo pedisses, dorme, nunca o amor foi facil, nunca, também a terra morre.

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Adeus

Eugênio de Andrade

Como se houvesse uma tempestade escurecendo os teus cabelos, ou, se preferes, minha boca nos teus olhos carregada de flor e dos teus dedos; como se houvesse uma criança cega aos tropeções dentro de ti, eu falei em neve - e tu calavas a voz onde contigo me perdi. Como se a noite se viesse e te levasse, eu era só fome o que sentia; Digo-te adeus, como se não voltasse ao país onde teu corpo principia. Como se houvesse nuvens sobre nuvens e sobre as nuvens mar perfeito, ou, se preferes, a tua boca clara singrando largamente no meu peito.

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As amoras

Eugênio de Andrade

O meu país sabe a amoras bravas no verão. Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. Raramente falei do meu país, talvez nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos, reparo que também no meu país o céu é azul.

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Ó noite, porque hás-de vir sempre molhada!

Eugênio de Andrade

Ó noite, porque hás-de vir sempre molhada! Porque não vens de olhos enxutos e não despes as mãos de mágoas e de lutos! Poque hás-de vir semimorta, com ar macerado e de bruxedo, e não despes os ritos, o cansaço, e as lágrimas e os mitos e o medo! Porque não vens natural Como um corpo sadio que se entrega, e não destranças os cabelos, e não nimbas de luz a tua treva! Poque hás-de vir com a cor da morte - se a morte já temos nós! Porque adormeces os gestos, porque entristeces os versos, e nos quebras os membros e a voz! Porque é que vens adorada por uma longa procissão de velas, se eu estou à tua espera em cada estrada, nu, inteiramente nu, sem mistérios, sem luas e sem estrelas! Ó noite eterna e velada, senhora da tristeza, sê alegria! Vem de outra maneira ou vai-te embora, e deixa romper o dia!

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Havia uma palavra

Eugênio de Andrade

Havia uma palavra no escuro. Minúscula. Ignorada. Martelava no escuro. Martelava no chão da água. Do fundo do tempo, martelava. contra o muro. Uma palavra. No escuro. Que me chamava. de matéria solar.

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Última Canção

Eugênio de Andrade

Se puderes ainda ouve-me, rio de cristal, ave matutina. ouve-me, luminoso fio tecido pela neve, esquivo e sempre adiado aceno do paraíso. Ouve-me, se puderes ainda, Devastador desejo, fulvo animal de alegria. Se não és alucinação ou miragem ou quimera, ouve-me ainda: vem agora e não na hora da nossa morte dá-me a beber a própria sede.

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O Pequeno Sismo

Eugênio de Andrade

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Há um pequeno sismo em qualquer parte ao dizeres o meu nome. Elevas-me à altura da tua boca lentamente para não me desfolhares. Tremo como se tivera quinze anos e toda a terra fosse leve. Ó indizível primavera.

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Rosa do Mundo

Eugênio de Andrade

Rosa. Rosa do mundo. Queimada. Suja de tanta palavra. Primeiro orvalho sobre o rosto. que foi pétala a pétala lenço de soluços. Obscena rosa. Repartida Amada. Boca ferida, sopro de ninguém. Quase nada.

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O amigo

Eugênio de Andrade

Não voltará-o que dele me ficou é como no inverno entre cortinas de chuva um tímido fio de sol: ilumina mas não aquece as mãos. de Pequeno Formato.

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O Sorriso

Eugênio de Andrade

Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele,tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Corre, navegar, morrer naquele sorriso. de O Outro Nome da Terra.

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Rotina

Eugênio de Andrade

Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.

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Os amantes sem dinheiro

Eugênio de Andrade

Tinham o rosto aberto a quem passava. Tinham lendas e mitos e frio no coração. Tinham jardins onde a lua passeava de mãos dadas com a água e um anjo de pedra por irmão. Tinham como toda a gente o milagre de cada dia escorrendo pelos telhados; e olhos de oiro onde ardiam os sonhos mais tresmalhados. Tinham fome e sede como os bichos, e silêncio à roda dos seus passos. Mas a cada gesto que faziam um pássaro nascia dos seus dedos e deslumbrado penetrava nos espaços.

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Hoje roubei todas as rosas dos jardins

Eugênio de Andrade

Hoje roubei todas as rosas dos jardins e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

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Nunca o verão se demorara

Eugênio de Andrade

Nunca o verão se demorara assim nos lábios e na água - como podíamos morrer, tão próximos e nus e inocentes?

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Música, levai-me

Eugênio de Andrade

Música, levai-me: Onde estão as barcas? Onde são as ilhas?

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