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Poemas de Álvares de Azevedo

Se Eu Morresse Amanhã

Álvares de Azevedo

Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã, Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que doce n’alva Acorda ti natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito Se eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã!

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Anjos do Céu

Álvares de Azevedo

As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d´escuma revolvem-se nus! E quando de noite vem pálida a lua Seus raios incertos tremer, pratear, E a trança luzente da nuvem flutua, As ondas são anjos que dormem no mar! Que dormem, que sonham- e o vento dos céus Vem tépido à noite nos seios beijar! São meigos anjinhos, são filhos de Deus, Que ao fresco se embalam do seio do mar! E quando nas águas os ventos suspiram, São puros fervores de ventos e mar: São beijos que queimam... e as noites deliram, E os pobres anjinhos estão a chorar! Ai! quando tu sentes dos mares na flor Os ventos e vagas gemer, palpitar, Por que não consentes, num beijo de amor Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

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Adeus, Meus Sonhos!

Álvares de Azevedo

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh´alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores, Já não vejo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas flores!

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Por Mim

Álvares de Azevedo

Teus negros olhos uma vez fitando Senti que luz mais branda os acendia, Pálida de langor, eu vi, te olhando, Mulher do meu amor, meu serafim, Esse amor que em teus olhos refletia... Talvez! - era por mim? Pendeste, suspirando, a face pura, Morreu nos lábios teus um ai perdido... Tão ébrio de paixão e de ventura! Mulher de meu amor, meu serafim, Por quem era o suspiro amortecido? Suspiravas por mim?... Mas... eu sei!... ai de mim? Eu vi na dança Um olhar que em teus olhos se fitava... Ouvi outro suspiro... d´esperança! Mulher do meu amor, meu serafim, Teu olhar, teu suspiro que matava... Oh! não eram por mim.

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Terza Rima

Álvares de Azevedo

É belo dentre a cinza ver ardendo Nas mãos do fumador um bom cigarro, Sentir o fumo em névoas recendendo... Do cachimbo alemão no louro barro Ver a chama vermelha estremecendo E até... perdoem... respirar-lhe o sarro! Porém o que há mais doce nesta vida, O que das mágoas desvanece o luto E dá som a uma alma empobrecida, Palavra d´honra, és tu, Ó meu charuto!

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A Lagartixa

Álvares de Azevedo

A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa. Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu peito. Posso agora viver: para coroas Não preciso no prado colher flores; Engrinaldo melhor a minha fronte Nas rosas mais gentis de teus amores Vale todo um harém a minha bela, Em fazer-me ditoso ela capricha... Vivo ao sol de seus olhos namorados, Como ao sol de verão a lagartixa.

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Lelia

Álvares de Azevedo

Passou talvez ao alvejar da lua, Como incerta visão na praia fria... Mas o vento do mar não escutou-lhe Uma voz a seu Deus!...ela não cria! Uma noite, aos murmúrios do piano Pálida misturou um canto aéreo... Parecia de amor tremer-lhe a vida Revelando nos lábios um mistério! Porém, quando expirou a voz nos lábios, Ergueu sem pranto a fronte descorada, Pousou a fria mão no seio imóvel, Sentou-se no divã... sempre gelada! Passou talvez do cemitério à sombra Mas nunca numa cruz deixou seu ramo, Ninguém se lembra de lhe ter ouvido Numa febre de amor dizer: eu amo! Não chora por ninguém... e quando, à noite, Lhe beija o sono as pálpebras sombrias Não procura seu anjo à cabeceira E não tem orações, mas ironias! Nunca na terra uma alma de poeta, Chorosa, palpitante e gemebunda Achou nessa mulher um hino d´alma E uma flor para a fronte moribunda. Lira sem cordas não vibrou d´enlevo, As notas puras da paixão ignora, Não teve nunca n´alma adormecida O fogo que inebria e que devora! Descrê. Derrama fel em cada riso, Alma estéril não sonha uma utopia... Anjo maldito salpicou veneno Nos lábios que tressuam de ironia. É formosa contudo. Há dessa imagem No silêncio da estátua alabastrina Como um anjo perdido que ressumbra Nos olhos negros da mulher divina. Há nesse ardente olhar que gela e vibra, Na voz que faz tremer e que apaixona O gênio de Satã que transverbera, E o langor pensativo da Madona! É formosa, meu Deus! Desde que a vi Na minh´alma suspira a sombra dela... E sinto que podia nesta vida Num seu lânguido olhar morrer por ela.

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Minha Desgraça

Álvares de Azevedo

Minha desgraça não é ser poeta, Nem na terra de amor não ter um eco, E meu anjo de Deus, o meu planeta Tratar-me como trata-se um boneco... Não é andar de cotovelos rotos, Ter duro como pedra o travesseiro... Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro... Minha desgraça, ó cândida donzela, O que faz que o meu peito blasfema, É ter para escrever todo um poema E não ter um vintém para uma vela.

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Amor

Álvares de Azevedo

Amemos! Quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão! Na tu´alma, em teus encantos E na tua palidez E nos teus ardentes prantos Suspirar de languidez! Quero em teus lábio beber Os teus amores do céu, Quero em teu seio morrer No enlevo do seio teu! Quero viver d´esperança, Quero tremer e sentir! Na tua cheirosa trança Quero sonhar e dormir! Vem, anjo, minha donzela, Minh´alma, meu coração! Que noite, que noite bela! Como é doce a viração! E entre os suspiros do vento Da noite ao mole frescor, Quero viver um momento, Morrer contigo de amor!

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Soneto

Álvares de Azevedo

Pálida, à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar! Na escuma fria Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d´alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! O seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo... Formas nuas no leito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti - as noites eu velei chorando, Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

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Cismar

Álvares de Azevedo

Fala-me, anjo de luz! és glorioso À minha vista na janela à noite, Como divino alado mensageiro Ao ebrioso olhar dos froixos olhos Do homem que se ajoelha para vê-lo, Quando resvala em preguiçosas nuvens Ou navega no seio do ar da noite. Romeu Ai! Quando de noite, sozinha à janela, Co´a face na mão te vejo ao luar, Por que, suspirando, tu sonhas donzela? A noite vai bela, E a vista desmaia Ao longe na praia Do mar! Por quem essa lágrima orvalha-te os dedos, Como água da chuva cheiroso jasmim? Na cisma que anjinho te conta segredos? Que pálidos medos? Suave morena, Acaso tens pena De mim? Donzela sombria, na brisa não sentes A dor que um suspiro em meus lábios tremeu? E a noite, que inspira no seio dos entes Os sonhos ardentes, Não diz-te que a voz Que fala-te a sós Sou eu? Acorda! Não durmas da cisma no véu! Amemos, vivamos, que amor é sonhar! Um beijo, donzela! Não ouves? No céu A brisa gemeu... As vagas murmuram... As folhas sussurram: Amar!

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