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Frases Amorosas de derreter o coração.

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Poemas sobre Criança

Criança

Cecília Meireles

Cabecinha boa de menino triste, de menino triste que sofre sozinho, que sozinho sofre, — e resiste, Cabecinha boa de menino ausente, que de sofrer tanto se fez pensativo, e não sabe mais o que sente... Cabecinha boa de menino mudo que não teve nada, que não pediu nada, pelo medo de perder tudo. Cabecinha boa de menino santo que do alto se inclina sobre a água do mundo para mirar seu desencanto. Para ver passar numa onda lenta e fria a estrela perdida da felicidade que soube que não possuiria.

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As meninas

Vasco Graça Moura

as minhas filhas nadam. a mais nova leva nos braços bóias pequeninas, a outra dá um salto e põe à prova o corpo esguio, as longas pernas finas: entre risadas como serpentinas, vai como a formosinha numa trova, salta a pés juntos, dedos nas narinas, e emerge ao sol que o seu cabelo escova. a água tem a pele azul-turquesa e brilhos e salpicos, e mergulham feitas pura alegria incandescente. e ficam, de ternura e de surpresa, nas toalhas de cor em que se embrulham, ninfinhas sobre a relva, de repente.

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Diálogo

Albano Martins

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Levarás pela mão o menino até ao rio. Dir-lhe-ás que a água é cega e surda. Muda, não. Que o digam os peixes, que em silêncio com ela sustentam seu diálogo líquido, de líquidas sílabas de submersas vogais.

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Quinze Anos

Antero de Quental

Eu amo a vasta sombra das montanhas, Que estendem sobre os largos continentes Os seus braços de rocha negra, ingentes, Bem como braços colossais aranhas. Dali o nosso olhar vê tão estranhas Coisas, por esse céu! e tão ardentes Visões, lá nesse mar de ondas trementes! E às estrelas, dali, vê-as tamanhas! Amo a grandeza misteriosa e vasta... A grande ideia, como a flor e o viço Da árvore colossal que nos domina... Mas tu, criança, sê tu boa... e basta: Sabe amar e sorrir... é pouco isso? Mas a ti só te quero pequenina!

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Ausencia

Teixeira de Pascoaes

Lúgubre solidão! Ó noite triste! Como sinto que falta a tua Imagem A tudo quanto para mim existe! Tua bendita e efémera passagem No mundo, deu ao mundo em que viveste, Á nossa bôa e maternal Paisagem, Um espirito novo mais celeste; Nova Forma a abraçou e nova Côr Beijou, sorrindo, o seu perfil agreste! E ei-la agora tão triste e sem verdor! Depois da tua morte, regressou Ao seu velhinho estado anterior. E esta saudosa casa, onde brilhou Tua voz num instante sempiterno, Em negra, intima noite se occultou. Quando chego á janela, vejo o inverno; E, á luz da lua, as sombras do arvoredo Lembram as sombras pálidas do Inferno. Dos recantos escuros, em segredo, Nascem Visões saudosas, diluidos Traços da tua Imagem, arremêdo Que a Sombra faz, em gestos doloridos, Do teu Vulto de sol a amanhecer... A Sombra quer mostrar-se aos meus sentidos... Mas eu que vejo? A luz escurecer; O imperfeito, o indeciso que, em nós, deixa A amargura de olhar e de não vêr... A voz da minha dôr, da minha queixa, Em vão, por ti, na fria noite clama! Dir-se-á que o céu e a terra, tudo fecha Os ouvidos de pedra! Mas quem ama, Embora no silencio mais profundo, Grita por seu amor: é voz de chama! E eu grito! E encontro apenas sobre o mundo, Para onde quer que eu olhe, aqui, além, A tua ausência trágica! E no fundo De mim proprio que vejo? Acaso alguem? Só vejo a tua Ausencia, a Desventura Que fez da noite a imagem de tua Mãe! A tua Ausencia é tudo o que murmura, E mostra a face triste á luz da aurora, E se espraia na terra em sombra escura... Quem traz o outomno ao meu jardim agora? Quem muda em cinza o fogo do meu lar? E quem soluça em mim? Quem é que chora? É a tua Ausencia, Amôr, que vem turbar Esta alegria etérea, nuvem, asa De Anjo que, ás vezes, passa em nosso olhar! O Sol é a tua Ausencia que se abrasa, A Lua é tua Ausencia enfraquecida... Da tua Ausencia é feita a minha vida E os meus versos tambem e a minha casa.

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Depus a Máscara

Álvaro de Campos

Depus a máscara e vi-me ao espelho. Era a criança de há quantos anos. Não tinha mudado nada... É essa a vantagem de saber tirar a máscara. É-se sempre a criança, O passado que foi A criança. Depus a máscara, e tornei a pô-la. Assim é melhor, Assim sem a máscara. E volto à personalidade como a um términus de linha.

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Menino

Manuel da Fonseca

No colo da mãe a criança vai e vem vem e vai balança. Nos olhos do pai nos olhos da mãe vem e vai vai e vem a esperança. Ao sonhado futuro sorri a mãe sorri o pai. Maravilhado o rosto puro da criança vai e vem vem e vai balança. De seio a seio a criança em seu vogar ao meio do colo-berço balança. Balança como o rimar de um verso de esperança. Depois quando com o tempo a criança vem crescendo vai a esperança minguando. E ao acabar-se de vez fica a exacta medida da vida de um português. Criança portuguesa da esperança na vida faz certeza conseguida. Só nossa vontade alcança da esperança humana realidade.

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Dois Meninos

Francisco Bugalho

Meu menino canta, canta Uma canção que é ele só que entende E que o faz sorrir. Meu menino tem nos olhos os mistérios Dum mundo que ele vê e que eu não vejo Mas de que tenho saudades infinitas. As cinco pedrinhas são mundos na mão. Formigas que passam, Se brinca no chão, São seres irreais... Meu menino de olhos verdes como as águas Não sabe falar, Mas sabe fazer arabescos de sons Que têm poesia. Meu menino ama os cães, Os gatos, as aves e os galos, (São Francisco de Assis Em menino pequeno) E fica horas sem fim, Enlevado, a olhá-los. E ao vê-lo brincar, no chão sentadinho, Eu tenho saudades, saudades, saudades Dum outro menino...

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Ai de Mim!

António Nobre

Venho, torna-me velho esta lembrança! De um enterro de anjinho, nobre e puro: Infância, era este o nome da criança Que, hoje, dorme entre os bichos, lá no escuro... Trez anjos, a Chymera, o Amor, a Esperança Acompanharam-no ao jazigo obscuro, E recebeu, segundo a velha usança, A chave do caixão o meu Futuro. Hoje, ambulante e abandonada Ermida, Leva-me o fado, á bruta, aos empurrões, Vá para a frente! Marcha! Á Vida! Á Vida! Que hei-de fazer, Senhor! o que é que espera Um bacharel formado em illusões Pela Universidade da Chymera?

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Jura

Antero de Quental

Pelas rugas da fronte que medita... Pelo olhar que interroga e não vê nada... Pela miséria e pela mão gelada Que apaga a estrela que nossa alma fita... Pelo estertor da chama que crepita No ultimo arranco duma luz minguada... Pelo grito feroz da abandonada Que um momento de amante fez maldita... Por quanto há de fatal, que quanto há misto De sombra e de pavor sob uma lousa... Oh pomba meiga, pomba de esperança! Eu to juro, menina, tenho visto Cousas terríveis — mas jamais vi cousa Mais feroz do que um riso de criança!

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Noites em Claro

Teixeira de Pascoaes

Passas em claro as noites a chorar; Dia a dia, teu rosto empalidece... Faze tu, pobre Mãe, por serenar, Santa Resignação sobre ela desce! Rochedo que a penumbra desvanece, Tu, por acaso, não lhe podes dar Um pouco desse frio que entorpece O coração e o deixa descansar?... Jamais! Não ha remedio! Nem as horas Que passam! Toda a fria noite choras; Tua sombra, no chão, é mais escura. Soffres! E sinto bem que a tua dôr, Como se fôra um beijo, acêso amôr, Vae-lhe aquecer, ao longe, a sepultura.

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Idílio

Teixeira de Pascoaes

Sinto que, ás vezes, choras, minha Irmã, No teu sombrio quarto recolhida... É que ele vem rompendo a sombra vã Da Morte, e lhe aparece á luz da vida! E afflicta, como choras, minha Irmã... Teu chôro é tua voz emudecida, Ante a imagem do Filho, essa Manhã Em profunda saudade amanhecida. Silencio! Não palpites, coração; Nem canto de ave ou mistica oração Um tal idilio venham perturbar! Deixae o Filho amado e a Mãe saudosa: O Filho a rir, de face carinhosa, E a Mãe, tão triste e pálida, a chorar...

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Trágica Recordação

Teixeira de Pascoaes

Meu Deus! meu Deus! quando me lembro agora De o ver brincar, e avisto novamente Seu pequenino Vulto transcendente, Mas tão perfeito e vivo como outrora! Julgo que ele ainda vive; e que, lá fóra, Fala em voz alta e brinca alegremente, E volve os olhos verdes para a gente, Dois berços de embalar a luz da aurora! Julgo que ele ainda vive, mas já perto Da Morte: sombra escura, abismo aberto... Pesadelo de treva e nevoeiro! Ó visão da Creança ao pé da Morte! E a da Mãe, tendo ao lado a negra sorte A calcular-lhe o golpe traiçoeiro!

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