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Poemas de Paulo Leminski

Bem no fundo

Paulo Leminski

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No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela -- silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás nã há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.

É tudo o que sinto

Paulo Leminski

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Inverno É tudo o que sinto Viver É sucinto.

Rio do mistério

Paulo Leminski

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Rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?

Matéria é mentira

Paulo Leminski

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Essa idéia ninguém me tira matéria é mentira.

Esta vida é uma viagem

Paulo Leminski

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Esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem.

Amei em cheio

Paulo Leminski

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Amei em cheio meio amei-o meio não amei-o.

Saudosa Amnésia

Paulo Leminski

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Memória é coisa recente. Até ontem, quem lembrava? A coisa veio antes, ou, antes, foi a palavra? Ao perder a lembrança. grande coisa não se perde. Nuvens, são sempre brancas. O mar? Continua verde.

Perto do osso a carne é mais gostosa

Paulo Leminski

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Sossegue coração ainda não é agora a confusão prossegue sonhos a fora calma calma logo mais a gente goza perto do osso a carne é mais gostosa.

Amor Bastante

Paulo Leminski

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Quando eu vi você tive uma idéia brilhante foi como se eu olhasse de dentro de um diamante e meu olho ganhasse mil faces num só instante basta um instante e você tem amor bastante.

O Hóspede Despercebido

Paulo Leminski

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Deixei alguém nesta sala que muito se distinguia de alguém que ninguém se chamava, quando eu desaparecia. Comigo se assemelhava, mas só na superfície. Bem lá no fundo, eu, palavra, não passava de um pastiche. Uns restos, uns traços, um dia, meus tios, minhas mães e meus pais me chamarem de volta pra dentro, eu ainda não volte jamais. Mas ali, logo ali, nesse espaço, lá se vai, exemplo de mim, algo, alguém, mil pedaços, meio início, meio a meio, sem fim.

Marginal é quem escreve à margem

Paulo Leminski

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Marginal é quem escreve à margem, deixando branca a página para que a paisagem passe e deixe tudo claro à sua passagem. Marginal, escrever na entrelinha, sem nunca saber direito quem veio primeiro, o ovo ou a galinha.

Casa com cachorro brabo

Paulo Leminski

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Casa com cachorro brabo meu anjo da guarda abana o rabo.

Um dia vai ser

Paulo Leminski

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Pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando.

Pergunte ao sapo

Paulo Leminski

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Noite alta lua baixa pergunte ao sapo o que ele coaxa.

Se

Paulo Leminski

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Se nem for terra se trans for mar.

Na minha a tua ferida

Paulo Leminski

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Essa é a vida que eu quero, querida encostar na minha a tua ferida.

Não fosse isso

Paulo Leminski

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Não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase.

Coração PRA CIMA

Paulo Leminski

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Coração PRA CIMA escrito embaixo FRÁGIL.

Quem for louco que volte

Paulo Leminski

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Vida e morte amor e dúvida dor e sorte quem for louco que volte.

Um bom poema leva anos

Paulo Leminski

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Um bom poema leva anos cinco jogando bola, mais cinco estudando sânscrito, seis carregando pedra, nove namorando a vizinha, sete levando porrada, quatro andando sozinho, três mudando de cidade, dez trocando de assunto, uma eternidade, eu e você, caminhando junto.

Nem fale em amor / que amor é isto

Paulo Leminski

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Você está tão longe que às vezes penso que nem existo. Nem fale em amor que amor é isto.

Amar é um elo

Paulo Leminski

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Amar é um elo entre o azul e o amarelo.

Por um lindésimo de segundo

Paulo Leminski

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Tudo em mim anda a mil tudo assim tudo por um fio tudo feito tudo estivesse no cio tudo pisando macio tudo psiu tudo em minha volta anda às tontas como se as coisas fossem todas afinal de contas.

Três Metades

Paulo Leminski

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Meio dia, um dia e meio, meio dia, meio noite, metade deste poema não sai na fotografia, metade, metade foi-se. Mas eis que a terça metade, aquela que é menos dose de matemática verdade do que soco, tiro, ou coice, vai e vem como coisa de ou, de nem, ou de quase. Como se a gente tivesse metades que não combinam, três partes, destempestades, três vezes ou vezes três, como se quase, existindo, só nos faltasse o talvez.