- Dia dos Pais
- Amor e Sexo
- Paulo Coelho
- Alberto Caeiro
- Amor
- Que Falam quem eu Sou
- Felicidade
- Vinicius de Moraes
Bem no fundo
Paulo Leminski
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela -- silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás nã há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.
facebooktwitterUm dia vai ser
Paulo Leminski
Pelos caminhos que ando um dia vai ser só não sei quando.
facebooktwittersmsPergunte ao sapo
Paulo Leminski
Noite alta lua baixa pergunte ao sapo o que ele coaxa.
facebooktwittersmsSe
Paulo Leminski
Se nem for terra se trans for mar.
facebooktwittersmsNa minha a tua ferida
Paulo Leminski
Essa é a vida que eu quero, querida encostar na minha a tua ferida.
facebooktwittersmsNão fosse isso
Paulo Leminski
Não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase.
facebooktwittersmsCoração PRA CIMA
Paulo Leminski
Coração PRA CIMA escrito embaixo FRÁGIL.
facebooktwittersmsQuem for louco que volte
Paulo Leminski
Vida e morte amor e dúvida dor e sorte quem for louco que volte.
facebooktwittersmsUm bom poema leva anos
Paulo Leminski
Um bom poema leva anos cinco jogando bola, mais cinco estudando sânscrito, seis carregando pedra, nove namorando a vizinha, sete levando porrada, quatro andando sozinho, três mudando de cidade, dez trocando de assunto, uma eternidade, eu e você, caminhando junto.
facebooktwitterTrês Metades
Paulo Leminski
Meio dia, um dia e meio, meio dia, meio noite, metade deste poema não sai na fotografia, metade, metade foi-se. Mas eis que a terça metade, aquela que é menos dose de matemática verdade do que soco, tiro, ou coice, vai e vem como coisa de ou, de nem, ou de quase. Como se a gente tivesse metades que não combinam, três partes, destempestades, três vezes ou vezes três, como se quase, existindo, só nos faltasse o talvez.
facebooktwitterCasa com cachorro brabo
Paulo Leminski
Casa com cachorro brabo meu anjo da guarda abana o rabo.
facebooktwittersmsÉ tudo o que sinto
Paulo Leminski
Inverno É tudo o que sinto Viver É sucinto.
facebooktwittersmsRio do mistério
Paulo Leminski
Rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
facebooktwittersmsMatéria é mentira
Paulo Leminski
Essa idéia ninguém me tira matéria é mentira.
facebooktwittersmsEsta vida é uma viagem
Paulo Leminski
Esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem.
facebooktwittersmsAmei em cheio
Paulo Leminski
Amei em cheio meio amei-o meio não amei-o.
facebooktwittersmsSaudosa Amnésia
Paulo Leminski
Memória é coisa recente. Até ontem, quem lembrava? A coisa veio antes, ou, antes, foi a palavra? Ao perder a lembrança. grande coisa não se perde. Nuvens, são sempre brancas. O mar? Continua verde.
facebooktwitterPerto do osso a carne é mais gostosa
Paulo Leminski
Sossegue coração ainda não é agora a confusão prossegue sonhos a fora calma calma logo mais a gente goza perto do osso a carne é mais gostosa.
facebooktwitterNem fale em amor / que amor é isto
Paulo Leminski
Você está tão longe que às vezes penso que nem existo. Nem fale em amor que amor é isto.
facebooktwittersmsAmor Bastante
Paulo Leminski
Quando eu vi você tive uma idéia brilhante foi como se eu olhasse de dentro de um diamante e meu olho ganhasse mil faces num só instante basta um instante e você tem amor bastante.
facebooktwitterAmar é um elo
Paulo Leminski
Amar é um elo entre o azul e o amarelo.
facebooktwittersmsPor um lindésimo de segundo
Paulo Leminski
Tudo em mim anda a mil tudo assim tudo por um fio tudo feito tudo estivesse no cio tudo pisando macio tudo psiu tudo em minha volta anda às tontas como se as coisas fossem todas afinal de contas.
facebooktwitterO Hóspede Despercebido
Paulo Leminski
Deixei alguém nesta sala que muito se distinguia de alguém que ninguém se chamava, quando eu desaparecia. Comigo se assemelhava, mas só na superfície. Bem lá no fundo, eu, palavra, não passava de um pastiche. Uns restos, uns traços, um dia, meus tios, minhas mães e meus pais me chamarem de volta pra dentro, eu ainda não volte jamais. Mas ali, logo ali, nesse espaço, lá se vai, exemplo de mim, algo, alguém, mil pedaços, meio início, meio a meio, sem fim.
facebooktwitterMarginal é quem escreve à margem
Paulo Leminski
Marginal é quem escreve à margem, deixando branca a página para que a paisagem passe e deixe tudo claro à sua passagem. Marginal, escrever na entrelinha, sem nunca saber direito quem veio primeiro, o ovo ou a galinha.
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