Mensagem Com Amor

Famosos / Escritores / Escritores nacionais

Poesias de Chacal

Bermuda Larga

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Bermuda Larga
muitos lutam por uma causa justa
eu prefiro uma bermuda larga
só quero o que não me encha o saco
luto pelas pedras fora do sapato

Curral de Deus

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Curral de Deus
cães ladram ao longe
galos abrem o berreiro
cigarras se despedem da vida
sapos coacham a verdade

e assim vai mais um dia
nesse curral de Deus.

Ministério do Interior

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Pensamento é o fragmento fugaz
do caos estruturado
a palavra é o estágio
imediatamente after da sensação
que faz parte do estágio necessário
do aperfeiçoamento humano
de sentir a melhor maneira
de relacionamento franco

a palavra é um domingo de sol
no estádio municipal do pacaembu
se ela pinta tudo mais se cria
não mais que num instante
existindo no mesmo movimento
que a crassa ignorância
em que se fica só naquela
ânsia de comer melância

de comer melância na santa ignorância
de comer melância com muita exuberância
de comer melância com maria constância
de comer melância
de comer.

Ossos do Ofício

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

sempre deixei as barbas de molho
porque barbeiro nenhum me ensinou
como manejar o fio da navalha

sempre tive a pulga atrás da orelha
porque nenhum otorrino me disse
como se fala aos ouvidos das pessoas

sou um cara grilado
um péssimo marido
nove anos de poesia
me renderam apenas
um circo de pulgas
e as barbas mais límpidas da turquia.

Fogo-Fátuo

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

ela é uma mina versátil
o seu mal é ser muito volúvel
apesar do seu jeito volátil
nosso caso anda meio insolúvel

se ela veste seu manto diáfano
sai de noite e só volta de dia
eu escuto os cantores de ébano
e espero ela chegar da orgia

ela pensa que eu sou fogo-fátuo
que me esquenta em banho-maria
se estouro sou pior que o átomo
ainda afogo essa nega na pia.

Relógio

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

com deus mi deito com deus mi levanto
comigo eu calo comigo eu canto
eu bato um papo eu bato um ponto
eu tomo um drink eu fico tonto.

Verão

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Revoada
cabeleiras cambalache
andarilha
na trilha do sol.

Primeiro eu quero falar de amor

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

meu amor se esparrama na grama
Meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
meu amor deita e rola no planeta.

Prezado Cidadão

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Colabore com a Lei
Colabore com a Light
mantenha luz própria.

Na porta lá de casa

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Na porta lá de casa
tem dizendo lar romi lar
uma bandeira de papel
na porta lá de casa
as crianças passam
e se atiram no chão
e se olham por dentro
das bocas das palavras
na falta de qualquer espelho
na porta lá de casa
passa o amor o calor
de cada um que passa
na porta lá de casa.

Ai de mim, aipim

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

ai de mim, aipim.
ô inhame, a batata é uma puta barata. deixa
ela pro nabo nababo que baba de bobo. transa
uma com a cebola.
aquele hálito? que hábito! me faz chorar.
então procura uma cenoura.
coradinha, mas muito enrustida.
a abóbora tá aí mesmo.
como eu gosto de abóbora.
então namora uma.
falô. vou pegar meu gorrinho e sair poraí pra
procurar uma abóbora maneira
té mais, aimpim
té mais, inhame

Caleidoscópio Cinemascope

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Caleidoscópio Cinemascope
a vida é um cristal
que se reflete em pedaços
a vida como ela é
é a coleção dos cacos

vi um filme que Aladim
da lâmpada tirava um gênio
ele era James Dean
que tinha a cabeça a prêmio

eu parti do Irajá
passando por Paraty
eu ainda chego lá
até onde quero ir

vi um filme que Fellini
fez num ensaio de orquestra
tinha tiro de canhão
e acabava numa festa

se no mato me perdi
nesse mato me acharei
entre mais de mil picadas
numa delas sou o rei

eu vi Deus e o diabo
dançando na terra do sol
Glauber Rocha era o máximo
tão bom quanto rock and roll

minha estrada é um filme
cheio de amor e ódio
pra onde quer que me vire
cinemascope caleidoscópio.

Vamp

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

A rua escura deserta
acelera o desejo
eu piso fundo no mundo
com o farol aceso

Uma sirene: polícia
no retrovisor
não sei se é paranoia
ou se sou infrator

Em cada curva fechada
espero pelo pior
estranho cheiro de sangue
ninguém ao redor

No carro, o rádio anuncia
mais um assassinato
vejo seu corpo na esquina
paro o carro e salto

Como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

Um dia seu nome é Ana
no outro dia Janette
o tempo todo na cama
afiando a gilete

Só sai na rua se for
em busca de uma brisa
e quando o dia começa
você corre da polícia

A vida inteira agitou
e hoje vive no vício
um vai e vem, entra e sai
na porta do edifício

Seu veneno é cruel
seu olhar, assassina
me queimo no seu calor
seu coração de heroína

Como vou te esquecer
seu beijo é mesmo assim
marcas no pescoço dizem
que o tempo todo só
queria assistir a meu fim

Você só quer aplicar
você não quer nem saber
você só sabe iludir
você espalha o terror

Espere, Baby

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

espere baby não desespere
não me venha com propostas tão fora de propósito
não acene com planos mirabolantes mas tão distantes

espere baby não desespere
vamos tomar mais um e falar sobre o mistério da lua vaga
dylan na vitrola dedo nas teclas
canto invento enquanto o vento marasma

espere baby não desespere
temos um quarto uma eletrola uma cartola
vamos puxar um coelho um baralho e um castelo de cartas
vamos viver o tempo esquecido do mago merlin
vamos montar o espelho partido da vida como ela é

espere baby não desespere
a lagoa há de secar
e nós não ficaremos mais a ver navios
e nós não ficaremos mais a roer o fio da vida
e nós não ficaremos mais a temer a asa negra do fim

espere baby não desespere
porque nesse dia soprará o vento da ventura
porque nesse dia chegará a roda da fortuna
porque nesse dia se ouvirá o canto do amor
e meu dedo não mais ferirá o silêncio da noite
com estampidos perdidos.

Rápido e Rasteiro

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.

Ponto de bala

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

os mortos tecem considerações
os tortos cozem quietos
as crianças brincam
e bordam desconsiderações

20 anos recolhidos

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

chegou a hora de amar desesperadamente
apaixonadamente
descontroladamente
chegou a hora de mudar o estilo
de mudar o vestido
chegou atrasada como um trem atrasado
mas que chega

Papo de Índio

Chacal - Ricardo de Carvalho Duarte

Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.

vocês repararam como o povo anda triste ?
é a cachaça que subiu de preço
a cachaça e outros gêneros de primeira
necessidade
cachaça a dois contos, ora veja,
veja a hora,
que horas são,
atenção
apontar:

FOGO

comentarios

anterior

Carnaval

Dicas para você aproveitar esse momento de festa

próxima

Filmes sobre amizade

Para você se divertir com seus amigos