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Carinho

Nicole Ayres

Estava cansada. Exausta. Tivera um dia daqueles! Estava exaurida. E irritada. Ainda por cima, começou a chover. E ela tinha esquecido o guarda-chuva. Estava cansada, irritada e molhada. Ensopada. Sentou-se sob a cobertura do ponto de ônibus. Era tarde da noite e o lugar estava quase deserto. O ônibus demorava a chegar. Só faltava ser assaltada agora… Alguma coisa tocou sua perna. Levou um susto! Olhou para baixo. Era um gato. A princípio ficou irritada. Mais irritada. Depois se acalmou e se apiedou do bicho, que se soltara de suas pernas, assustado com o gesto brusco, e agora apenas a observava, sentado de frente para ela.

Era um gato preto com olhos amarelos. Bonitinho. Provavelmente procurando abrigo da chuva. Gatos odeiam água. Olhou para ele. Inclinou-se e fez um carinho em seu pelo negro. Ele miou e fechou os olhos, sentindo o afago, então se movimentou enquanto ela alisava seu pelo e voltou a roçar o corpinho em suas pernas. Ela abriu um sorriso leve. Como os animais se entregam com facilidade! Basta um carinho e eles já tomam confiança. O ser humano complica tudo. É inveja, raiva, cobrança, impaciência, tanta bobagem… O ser humano estraga tudo, inclusive a amizade. O ser humano é desconfiado demais para se entregar plenamente ao outro, em qualquer tipo de relacionamento. Os animais não questionam nada. Eles nos aceitam e nós os aceitamos; então pronto: a amizade nasce. Pra que mais? Um carinho bobo iniciou aquela estranha amizade com um gato preto em uma noite cansativa de chuva. E ainda dizem que gatos pretos dão azar. Quanta bobagem! Bobagem humana. Bobagem como os seus problemas bobos e o seu cansaço bobo, que passaria logo após uma boa noite de sono. Para que complicar?

Seu ônibus chegou. Levantou-se, despediu-se brevemente de seu novo amigo e entrou no ônibus. Estava cansada. Exausta. E ensopada. E ainda estaria irritada, se não fosse pelo poder apaziguador dos animais. Olhou o gato pela janela. Sorriu. Ele sorriu de volta, com seus olhos amarelos.

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