Mensagens Com Amor Menu Search Close Angle Birthday Cake Asterisk Spotify Play PPS Book Download Heart Share Whatsapp Facebook Twitter Pinterest Instagram YouTube Telegram Copy Up Check

Siga-nos

Poemas de coração apaixonado

Rimas perfeitas para momentos perfeitos. E claro, tudo isso com o sentimento mais perfeito de todos: o amor!

continue lendo
Compartilhar

No Coração,Talvez

José Saramago

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração...

Te Espero

Gloria Salles

O tempo parece não correr
E as horas passam lentas
Alheias a minha saudade
Ignoram minha vontade...
Vem logo, não demora
Meus olhos anseiam
Ver a saudade no teu olhar
E o desejo no seu rosto
Vem me matar a fome.
E assim, protegida no teu peito,
Não preciso de mais nada
Apenas do seu sorriso
E ouvir seu respirar
Perfume envolvente
Que me desmonta
Deixa-me tonta, inebria
Vem depressa...
Sem pressa de ir embora
Tira-me os sentidos
Esquece as horas
Pensemos no agora...
Quebremos as amarras
Revivamos os momentos
Presos na memória
Entre risos e gemidos
Fomos felizes
Violando sentidos
Inconsequentemente felizes
E fico pensando agora
Porque me deixou ir?
Quando trancou a porta...
Jogasse a chave fora.

Fim da Linha...

A viagem tinha destino, só seguir o roteiro
Curtir a paisagem rumo ao trajeto sonhado
Porém em seu longínquo e confuso mundo
Partiu do trem em movimento aos braços de Deus.

O teto, antes aparentemente estável e firme
De repente são escombros e cacos espalhados
Nos trilhos da inquietação a alça soluça...
Margeando o coração, sangra a ferida aberta.

A dor da perda nos aprisiona os sentidos
Faz-nos impotentes, ata os movimentos
Ressentidos, queremos de volta o passado.
Nem lento e dolorido voo, burlar o calendário.

Na frustada tentativa de atrasar o relógio
Só resta o baque insano e o choro côncavo...

Amor é bicho instruído

Carlos Drummond de Andrade

Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã...

Amar

Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave
de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita...

Vem!

Teresa Cordioli

Vem!
Olhe para mim,
Para ganhar um sorriso,
Por favor, sorria pra mim também,
porque o teu sorriso,
é tudo o que preciso
para te chamar de amigo(a)...
Sou, sou sim, facin, facin...
Vem!
Vem dizer sim
ao abraço apertado,
á mão estendida,
para que, ao chegar ao final da lida,
possa dizer que tudo valeu a pena!
E que pra ser feliz:
É facin, facin!
Vem comigo!
Me chame de amiga!
É tudo que precisa
Para ouvir: TE AMO!
É facin, facin,
Vem!

Decisão

Gloria Salles

Queria tocar teu rosto e sentir
a barba por fazer.
No teu peito encostar a cabeça
e sentir o teu cheiro.
Sentir os dedos da tua mão entre os meus.
Saber se os teus traços
se assemelham aos meus.
Queria olhar você nos olhos e sorrir.
Ouvir a tua voz sussurrar ao ouvido
e fechar os olhos.
Queria conhece-lo como mais ninguém.
Conhecer o teu sabor.
Ouvi-lo falar dos seus sonhos.
Dançar contigo noites sem fim e acabar
entre beijos, abraços, cumplicidade e desejo.
Algo me prende a você de um modo
que não consigo entender.
Às vezes parece que te conheço,
E algo completa toda a parte que desconheço de você.
De tal modo, que consigo te ver
à minha frente, a me olhar nos olhos...
Barba por fazer, lábios entreabertos,
enquanto que a palma da tua mão
se aproxima do meu rosto e limpa a lágrima
que escorre até os lábios.
O destino nunca nos uniu, e não creio que o fará.
Mas se não há caminhos pré-definidos no mundo,
alguma força existe para que nenhum de nós
entre no esquecimento.
Queria você pra mim...
Essa é a decisão do coração.

 

Amor - pois que é palavra essencial

Carlos Drummond de Andrade

Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
nu úmido subterrâneoda vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre...

Ao Amor Antigo

Carlos Drummond de Andrade

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor...

fechar