Contos de Halloween

Nada melhor do que contos de Halloween para celebrar a data no mês de outubro, não é mesmo? Torne a sua noite do Dia das Bruxas ainda mais assustadora e intrigante!

Na Escuridão da Noite

Passava da meia noite quando Jeremy saiu da casa de sua namorada. Ela insistiu para que ele passasse a noite por lá, achava muito perigoso o rapaz andar pelas ruas escuras do bairro, ainda mais naquele horário. A preocupação da garota tinha um motivo. Naquela noite choveu muito forte, uma chuva acompanhada de raios, trovões e um vendaval que contribuiu para que não só aquele bairro, mas vários outros ficassem sem energia elétrica. Mesmo com a insistência da amada, Jeremy disse que precisava ir, disse que tinha coisas a fazer, e com um beijo apaixonado se despediu da garota e saiu em caminhada até o ponto de ônibus mais próximo.

Se já não bastasse a desconfortante escuridão, o frio e o sereno, a noite ainda contava com o som sinistro que a ventania provocava ao bater nas árvores. Isso fez com que Jeremy apressasse os passos. Ele se apressou tanto que em poucos minutos chegou ao ponto de ônibus, mas estava receoso, não sabia se realmente pegaria a condução, pois as ruas estavam desertas e alguns poucos carros passavam. Mas para o seu alivio, logo surgiu o ônibus e assim ele pode seguir o caminho de casa. Jeremy desceria apenas no ponto final, pois morava próximo ao terminal rodoviário e, nesse trajeto, aproveitou para puxar uma conversa com o motorista, que aliás era seu amigo, sobre a tempestade daquela noite. A situação era muito critica , a cidade toda estava as escuras, haviam policiais e bombeiros auxiliando as pessoas, recomendando que todos fossem o mais rápido possível para suas casas.

Cerca de vinte minutos depois o ônibus chegou ao seu destino. Jeremy continuava a conversar com o motorista enquanto as poucas pessoas que estavam na ônibus desciam, mas, antes de fechar as portas do veiculo em definitivo por aquela noite, algo chamou a atenção dos rapazes. Lá no fundo, precisamente no último assento do lado esquerdo do ônibus, havia uma velha senhora, sentada, com os braços cruzados, com a cabeça abaixada parecendo estar dormindo. O motorista ficou confuso, aquela velha senhora havia entrado no ônibus com algumas pessoas, no qual se destacavam pela vestimenta antiquada e de cor preta, mas todos desceram a vários pontos antes do destino final. O motorista foi até a senhora na intenção de acordá-la e também, saber se ela estava bem. Jeremy o acompanhou. Foram várias tentativas de acordar a velha senhora, mas ela não esboçou nenhuma reação, nem com os chamados, nem com os toques no ombro. O motorista colocou a mão na testa da idosa e percebeu que a temperatura do corpo dela estava muito baixa. Jeremy e o motorista se apavoraram, achavam que a velha havia falecido ali mesmo. Jeremy tirou seu telefone celular do bolso e enquanto tentava fazer uma ligação para a policia, notou que a velha abriu os olhos. Aquela idosa, de aparência frágil e dócil, com uma impressionante rapidez, segurou no braço do motorista e com a voracidade de um animal selvagem, deu uma mordida cravando bem fundo seus dentes pontudos, para logo em seguida arrancar um enorme pedaço de carne. O motorista deu um enorme grito de dor e, tentando se livrar da velha, tropeçou e caiu de costas no chão. Jeremy, mesmo apavorado com o que acabou de ver, conseguiu arrastar o amigo e tirá-lo para fora do ônibus. A velha perseguiu os dois. Ela andava muito rápido para alguém da idade que aparentava ter. Os outros motorista e funcionários do terminal rodoviário, ao ouvir os gritos desesperados, foram até o local e também se apavoraram ao ver a horripilante senhora, que estava parada, olhando para todos ao redor com seus olhos vermelhos e seu rosto desfiguradamente medonho. O estranho era que ela ficava abaixada, parecendo estar em posição de ataque, quando de repente ela avançou sobre todos. Alguns correram para a rua, outros se trancaram em uma sala dentro do terminal, mas um rapaz não conseguiu fugir e foi atacado pela velha senhora, que literalmente devorou seu rosto. Por uma janela, Jeremy e outras pessoas que estavam escondidas, viram a velha deixar o corpo do r

O Vizinho - Parte 1

Era domingo a tarde, e lá estava Ned, deitado no sofá com sua preguiça habitual dos fins de semana. Ned estava de férias do trabalho, então, praticamente todo dia era dia de preguiça.

Solteiro e morando sozinho, ele não ligava muito para as tarefas domésticas, e quando não estava trabalhando, só queria saber de sair com os amigos ou ficar em casa em completo ócio. Mas algo naquela tarde mudaria sua rotina preguiçosa.

Em meio a um pacote enorme de salgadinhos e vários cliques no controle remoto a procura de um programa de TV que pudesse entretê-lo, Ned ouviu a campainha tocar. Com muito o custo o jovem rapaz levantou do sofá, e caminhando lentamente foi até a porta, visualizou a visita pelo olho mágico, e só aí atendeu. Era seu vizinho e amigo Bob.

Bob parecia estar com muita pressa, ele pediu para que Ned lhe fizesse um grande favor. Bob pediu que Ned vigiasse sua casa enquanto ele estivesse fora, disse que tinha assuntos pessoais a tratar e ficaria ausente por uns dias. Por se tratar de um bom amigo, Ned sem pensar duas vezes e disse que faria o favor a Bob. Bob agradeceu e entregou uma cópia da chave da casa para que Ned pudesse adentrar e alimentar os cães uma vez por dia. Bob se despediu, entrou no carro e saiu em disparada com uma velocidade consideravelmente alta. Ned estranhou o comportamento de seu amigo, um rapaz que sempre estava de bom humor, agora, Bob estava tenso e com um ar de preocupação no rosto. Ned suspeitou que algo pudesse estar errado, mas não teve tempo de questionar Bob, sua visita estranha e inesperada durou pouco mais de um minuto.

Nos dias seguintes Ned fez o que Bob pediu, entrava na residencia para alimentar os cães e várias vezes ao dia, verificava a segurança da casa de Bob. Mas nesses dias, algo chamou a atenção de Ned. O clima na casa parecia estar diferente, Ned sentia um enorme desconforto toda vez que a adentrava para dar ração aos cães, algo que nunca sentiu não outras vezes que entrou lá. Não sabia o que era, mas sentia-se incomodado com algo. Mas mesmo tendo essas estranhas sensações, Ned continuou fazendo esse grande favor a Bob.

Certa noite, antes de dormir, Ned fez como nas noites anteriores, da janela de seu quarto deu uma última olhada na casa de Bob para se certificar que estava tudo em ordem, mas dessa vez, se surpreendeu com algo. Avistou o que parecia ser uma pessoa olhando pela janela da sala.

Confuso, Ned continuou olhando para aquela figura estranha que poucos segundos depois desapareceu. Ned continuou observando, mas na sua cabeça havia a dúvida se realmente viu o que pensava ter visto, afinal, não era pra ter ninguém na casa. Até que Ned se surpreendeu novamente. Agora Ned teve a certeza que não era sua imaginação, mas não era aquele vulto que ele estava vendo, e sim as luzes da casa de Bob que se acendiam e se apagavam repetidamente.

Sala, cozinha, quartos, cada hora era um cômodo diferente, o que confundiu ainda mais a cabeça de Ned. Todo esse acende e apaga durou pouco tempo e logo a casa ficou as escuras novamente. Ned pegou seu telefone celular e tentou fazer um ligação para Bob, mas o número discado aparecia como fora de área. Então Ned ligou diretamente na residencia, não sabia muito o que esperar dessa ligação, mas a fez assim mesmo. O telefone da casa de Bob tocou, uma, duas, três, quatro e só após o quinto toque alguém atendeu. Mas quem estava lá e atendeu ao telefone não disse nada, Ned pode ouvir só a sua respiração ofegante. Segundos depois a ligação caiu. Ned voltou a observar a casa de Bob, estava assustado, mas queria saber o que realmente estava acontecendo. Alguns minutos depois o vulto voltou a aparecer na janela da sala, mas agora sim, Ned teve a certeza que se tratava de uma pessoa, mais precisamente uma mulher. Essa estranha mulher parecia saber que Ned estava olhando para ela, pois com as mãos gesticulava e fazia movimentos como se estivesse chamando por ele.

O vizinho - Parte 2

Mesmo espantado, Ned não conseguia para de olhar para aquela figura estranha, até que, ela parou de acenar, e parecendo ter uma acesso de raiva, começou a gritar e a bater as mãos violentamente contra a janela. Ned se apavorou tanto ao ver aquilo que até levou um tombo caindo de costas no chão. Ainda caído, Ned continuava a ouvir os gritos e os sons que aquela mulher provocava ao bater na janela. “Meu Deus, o que está acontecendo ? “ pensava Ned. Até que pouco tempo depois os sons cessaram e a noite voltou a ficar silenciosa.

Ned continuou deitado no chão, não tinha a minima coragem de levantar e olhar em direção da casa de Bob outra vez. Mas o pior susto ainda estava por vir. Ned começou a ouvir sons na sala de sua própria casa, depois sons passos na escada que levava até o andar de cima onde ficava seu quarto, exatamente onde ele estava no momento. Apavorado, Ned se encolheu um um dos cantos do quarto e ficou ouvindo os sons de passos se aproximarem cada vez mais, até que surge pela porta uma mulher, a mesma mulher que ele viu na janela da sala da casa de Bob. Ela estava nua, chorava muito e tinha muitos machucados pelo corpo que sangravam muito. Ao ver aquela mulher com aparência pavorosa se aproximar, Ned entrou em desespero e desmaiou. Quando voltou a si já era de manhã. Ainda confuso e assustado com o que presenciou na noite passada, ele levantou e foi até a janela do seu quarto, e de lá pode ver a rua repleta de pessoas e muitos carros de policia e bombeiros em frente a casa de Bob. Ned ficou ainda mais confuso.

As noticias após todos os acontecimentos eram que a policia, através de uma denuncia de um vizinho que ouviu gritos desesperados de uma mulher, encontrou os corpos de três mulheres nos fundos da casa de Bob, ele assassinou cruelmente as três. Bob foi preso alguns dia depois em outra cidade, ele confessou os assassinatos. Ned se surpreendeu com a crueldade de Bob, pois nunca esperava isso de alguém que sempre foi um bom amigo.

Naquele dia, após acordar do susto e ver toda aquela movimentação na rua, Ned notou algo que estava não só na parede do quarto, mas em outros cômodos da casa, em todos esses lugares estava escrito com sangue a frase “Me ajude!”.

Carona Perigosa - parte 1

John tirou férias do trabalho, e antes de pegar a estrada e encarar uma longa viagem para visitar seus pais, parou em uma lanchonete para usar o banheiro e comprar comida. John também queria comer algo no local, mas ao entrar no estabelecimento, todas as mesas estavam ocupadas, então ele sentou em um dos bancos junto ao balcão. Enquanto devorava um enorme hambúrguer, John não deixou de reparar nas pessoas que ali estavam. As mesas estavam ocupadas por famílias, jovens, idosos e, em uma outra mais afastada, havia um rapaz meio cabisbaixo, tomando sopa.

Terminado a refeição, John pediu algo para a viagem, e enquanto aguardava, ele foi ao banheiro. Ao voltar o lanche já estava pronto, John agradeceu a atendente, pegou o pacote e saiu. Enquanto se preparava para entrar no carro, John ouviu alguém chamar sua atenção. Era o rapaz que tomava sopa. Ele estava mostrando a carteira que John havia esquecido no balcão. John agradeceu muito ao rapaz, e disse que não teria como compensá-lo. O jovem falou que se John desse uma carona, já estariam quites. O rapaz que se chamava Sam, carregava uma enorme mochila e disse que iria até uma vila, situada perto de uma estrada de terra que corta algumas plantações. John falou que levaria Sam até essa estrada e depois seguiria sua viagem. John notou que o rapaz não era de falar muito, e assim foi durante todo o percurso.

Ao chegar na estrada de terra, ela estava completamente irregular, e ao passar em uma enorme valeta, o pneu do carro furou. Empurraram o automóvel para o acostamento, John pegou o estepe, a chave de roda, mas não achou o macaco. Procurou, procurou, mas não encontrou. De fato, havia esquecido. John telefonou para um mecânico, e o rapaz que atendeu, disse que demoraria um pouco até chegar no local. Sam queria ir andando até a vila, mas John disse que logo chegaria ajuda e assim poderia levá-lo ao seu destino. Mas passaram algumas horas e nada do mecânico aparecer. John começou a reparar na inquietação de Sam e perguntou se havia algum problema. Sam disse que estava anoitecendo e ele não gostava muito do escuro. Mais uma hora se passou e nem sinal do mecânico, e Sam percebendo que a noite chegava, pegou sua mochila e disse que seguiria a pé. John perguntou porque ele não queria esperar, mas Sam falou apenas uma frase : “Vai ser melhor pra você”. John , que não entendeu o que Sam quis dizer, apenas ficou observando ele ir embora pela estrada.

A noite chegou e nada do mecânico aparecer. John, sentado sobre o capô do carro, sozinho em uma estrada de terra cercada por plantações de milho, nada podia fazer a não ser esperar. À medida que entardecia, ia ficando cada vez mais frio e uma densa neblina começava a se formar. Já ficando cansado, John entrou no carro, ligou o rádio, encostou a cabeça no banco e passou a cochilar.

Carona Perigosa - Parte 2

Sem saber quanto tempo passou, John foi acordado por um barulho estranho vindo do meio da plantação. John olhou para todos os lados mas não viu nada. Alguns segundos depois, John tornou a ouvir o mesmo som. Era como se um animal do porte de um tigre andasse pelo milharal.

John desligou o rádio, fechou as janelas, e em silêncio, ficou apenas ouvindo os sons dos galhos serem quebrados e a respiração do animal que parecia ser enorme. De repente, John vê um vulto atravessar a estrada bem em frente ao seu carro. Não dava para enxergá-lo direito, mas parecia ser um cachorro muito grande que, por um instante, andou sobre duas patas. Alguns minutos depois, quando aquele animal parecia ter ido embora, John vê as luzes de um carro vindo pela estrada, e por um instante sentiu-se aliviado. O veículo parou alguns metros atrás do carro de John, logo desceu um homem com uma lanterna e começou a caminhar em direção ao carro de John, mas alguma coisa chamou a atenção do homem. Ele clareou o milharal com a lanterna, mas, mal ele fez isso, e um assombroso cão saiu da plantação e pulou em cima dele. O animal começou a devorar o homem, e John apavorado, se encolheu todo no banco de trás do carro e ficou ouvindo o som da criatura destroçar o pobre coitado. Depois de alguns minutos o animal parecia ter terminado sua refeição, pois John ouviu o barulho do bicho adentrando o milharal. Ele percebeu que o animal estava indo embora pelos seus uivos pavorosos, pois iam ficando cada vez mais distantes. John passou o resto da noite encolhido no banco de trás do veículo.

Só pela manhã, John saiu do carro e encontrou o cadáver desmembrado do homem. Era o mecânico que ele havia chamado. John telefonou para a policia, que logo chegaram e encontraram a terrível cena. Os policiais estranharam a história, mas acharam impossível que John tivesse feito aquilo. John também contou sobre Sam, e só depois de procurar muito, encontraram uma barraca bem no meio da plantação. John reconheceu a mochila e também as roupas rasgadas que encontraram a poucos metros da barraca, eram todas de Sam. Os policias ajudaram John com a troca de pneu e disseram que continuariam procurando por Sam. John pode visitar seus pais com uma terrível história para contar.

Brincadeira Perigosa - Parte 1

Bruce acordou em um hospital, logo, estranhou o fato de estar deitado em uma cama com diversos curativos pelo corpo, principalmente nos braços e no rosto, não tinha a mínima idéia de como chegou até ali. Além da aparente amnésia, seu corpo estava dolorido como se tivesse exercido grande esforço, mal conseguia se mexer. Alguns minutos depois, a mãe de Bruce entrou no quarto acompanhada de uma enfermeira e chorando muito perguntou:

- O que você fez? – soluçando muito por causa do choro.

Mas Bruce não entendia porque estava em um hospital e muito menos o porque de sua mãe estar perguntando aquilo e, com grande dificuldade de falar, perguntou como é que ele ficou naquele estado e qual era o motivo do choro da sua mãe. Mas a senhora estava tão abalada que precisou ser retirada do quarto e tranquilizada com calmantes.

Mais tarde, a presença de um investigador de policia confundiu ainda mais a cabeça de Bruce. O homem fez diversas perguntas, tais como: o que levou Bruce a cometer aquelas terríveis atrocidades. O investigador questionou Bruce de diversas formas, mas a única resposta que recebeu do garoto foi: - não lembro de nada! . Foram quase duas horas de perguntas, mas sem resultado satisfatório para o investigador, que antes de sair disse a Bruce:

- Tudo indica que foi você!

Bruce continuou sem entender nada.

O investigador, chamado Frank, foi pegar o depoimento da única pessoa que realmente sabia de fato o que aconteceu em uma terrível noite, em que Bruce teria cometido tais terríveis atrocidades. Era Aline, amiga de Bruce. Frank pediu para ficar a sós com a garota, e logo de cara perguntou:

- O que aconteceu naquela noite?

Brincadeira Perigosa - Parte 2

Aline começou a descrever passo a passo os acontecimentos dessa apavorante noite, e o que ela revelou, surpreendeu e também assustou Frank.

- Estávamos todos na casa de uma amiga chamada Camille, havíamos combinado de assistir alguns filmes, mas os garotos mudaram de ideia, eles queriam fazer uma brincadeira de um antigo livro de bruxaria. Era uma espécie de jogo em que os espíritos revelariam o destino de cada pessoa participante. Junto com o livro, havia cartas com vários dizeres, amor, sorte, azar, doença, morte... Eu, Camille e uma outra amiga chamada Ana, não queríamos participar, mas com a insistência dos garotos, acabamos aceitando. Sentamos todos no chão em volta das cartas, mas para começar o jogo, era necessário alguém dizer algumas palavras estranhas que estavam escritas no livro, Bruce se prontificou em dizê-las, e foi aí que aconteceu. Depois de repetir por diversas vezes aquelas estranhas palavras, Bruce começou a se sentir mal e desmaiou. Nós tentamos ajudá-lo, mas logo ele acordou, não sei como...Mas quando levantou, parecia ser uma outra pessoa. Seus olhos estavam brancos e em seu rosto havia uma expressão de maldade como nunca vi antes. Com certeza não era Bruce, parecia que alguma coisa o havia possuído. Ele pegou uma garrafa de vinho que estava sobre uma mesa e a quebrou, e com a garrafa quebrada, começou a golpear nossos amigos, ninguém teve tempo de correr. Eu vi Bruce assassinar três amigos bem na minha frente. Ele tentou me atacar, mas eu consegui correr, ele feriu apenas o meu braço. Mas não fui muito longe, fiquei toda encolhida em um canto da cozinha, Bruce ainda veio atrás de mim, mas parou bem na minha frente e começou a cortar o próprio rosto e braços, depois de um tempo, desmaiou novamente, foi aí que chamei a policia.

O investigador estranhou tudo o que Aline disse, mas devido a expressão de terror do rosto da garota e a forma com que ela contou os fatos, ele sabia que Aline dizia a verdade.

Mesmo sem saber o que de fato realmente aconteceu, Bruce foi conhecido como o assassino dos três jovens, Ana, Camille e Mark. Frank não sabia se o que Aline disse era realmente algo relacionado ao sobrenatural, e não pode fazer nada a respeito. Bruce, quando se recuperou, foi preso pelo assassinato de seus três amigos. Só Aline se lembrava daquela terrível noite, em que uma brincadeira, terminou em tragédia.

Jack-O-Lantern - Parte 1

Era uma vez um homem que trocava uma imperial sacada pela Rita por uma caneca de Sagres. Esse homem chamava-se Jack e vivia num sítio bonito que há pouco tempo mudou de nome, mas que na altura se chamava Casal Ventoso. Umas lendas dizem que esse gajo viveu na Irlanda, mas não passam de histórias estúpidas e sem sentido, tal como o boato do Cavalo (ou Égua, whatever) de Tróia não ser português… Qualquer dia dizem que não somos o país menos desenvolvido da União Europeia. Era só o que faltava! Bem, como sabem eu não estou aqui para enganar ninguém e muito menos para contar histórias néscias, portanto cá vai a versão verídica do Jack-O-Lantern:

Estava o Jack na tasca do Zé não tão Mau quanto isso tomando uma cerveja, quando entra o Diabo e senta-se mesmo ao seu lado. Nessa mesma tasca estava um padre de nome LaVey. Ele, ao ver Satã, aproximou-se com a Bíblia na mão e disse em voz alta:
- Sai daqui, Demônio!

- E porque havia eu de sair daqui? - disse Satã, sem sequer olhar para ele.

- Porque Deus assim o quer!

- Ah, sim? E como sabes isso?

- Porque… Porque ele disse-me!

- Cala-te, pá! Tu está bêbado, tal como todos os idiotas o estavam quando escreveram esse livro estúpido. - afirmou o Diabo apontando para a Bíblia, continuando a não olhar para o sacerdote.

- Como ousas falar assim da palavra sagrada do Senhor?! Tomara tu teres uma Bíblia!
Nesse momento, o chifrudo olha diretamente para o padre. A escuridão que invadia os seus olhos fez LaVey tremer de medo.

- Boa ideia, padre! Toma lá uns trocos e vai escrever uma Bíblia para mim. Inventa o que quiseres, desde que enalteças o meu nome… - ordenou, enquanto que atirava umas moedas de ouro para o chão.

E este, tal como o Demônio previra, não se fez de rogado. Apanhou-as apressadamente, enquanto que afirmava:

- Sim, mestre. A sua bondade é infinita!

E lá sumiu, indo com certeza escrever a tal Bíblia que Satanás pedira. Jack, ao assistir àquilo, virou-se para o Diabo e disse-lhe:
- Hei, chefe, reparei que tem dinheiro a dar com um pau.

- Sim e depois?

- Podia-me pagar uma bejeca.

- É claro que não!

- Oh, vá lá!

- E o que me dás em troca? A alma?

- Não, mas posso pedir à tarântula da minha filha para lhe fazer um broche.

- Nah! A última vez que fiz sexo com um animal foi com a gorila da Missy Elliot e foi por estar podre de bêbado. Nunca mais faço uma coisa daquelas! Nem que seja pecado!

- A Missy Elliot tem uma gorila?

- Eu não disse isso… Então, vendes me a alma, ou não?

- Sim, claro. À falta de melhor…

- Ah óptimo! Hmmm… Porra! Dei todo o meu dinheiro àquele idiota! - concluiu Satã, mexendo nos bolsos das suas calças. - E agora? Posso te pagar depois?

- Não! Mas sempre te podias transformar em moeda para me pagares a cervejola. - opinou Jack, tendo uma ideia.

Depois do chifrudo se ter convertido numa moeda, Jack agarra-a e mete-a no bolso, dizendo:
- Ahah! Apanhei-te! Agora vais morrer de sofrimento ao pé de um crucifixo!

- Que crucifixo? - pergunta o Diabo, dentro do bolso - Aqui só estão umas migalhas de pão.
- Merda! Esqueci-me do crucifixo em casa!

- Bahaha! Querias me enganar, hein? Vais pagar caro seu… Hmm? Que sombra é aquela?... Jasus! Uma aranha!

- A tarântula da minha filha deve ter entrado no meu bolso.

- Chiça! Como ela é grande! Tira-me daqui! Tira-me daqui!

- Só se não apareceres para me pedir a alma durante dez anos.

- Ok, ok! Pode ser, mas agora tira-me daqui!

Jack tirou então o Demônio de dentro do seu bolso posando-o no chão. Ele rapidamente voltou à sua forma física normal. Virou costas e foi-se embora, dizendo:
- Daqui a dez anos voltamos a falar...

Jack-O-Lantern - Parte 2

Uma década depois, Satanás regressou à terra para pagar o dinheiro que devia ao Piro vendedor da coca e encontrou Jack encostado a uma macieira falando com outro bêbado.

- Pois é, Newton, a vida é assim, pá!

- Mas, tu não entendes… A força que obrigou esta maçã a cair é a mesma que faz com que a Lua gire em volta da Terra.

- Claro que entendo! Quando a Inácia me deixou eu também passei a não dizer coisa com coisa. Mas não te preocupes. Estou aqui para te ajudar, amigão.

- Oh, vai te coser! - disse o tal de Newton, abandonando aquele local.

O Diabo foi então ter com Jack, que tinha ficado sozinho a beber Whisky de uma pequena garrafa.

- Olha, olha. Como o Mundo é pequeno. - disse Satã, com ânsias de se vingar.

- Arghh! Tu… Sai daqui, já! - exclamou Jack, levantando-se

- Bah, não me metes medo, mortal!

- Sai daqui… antes que eu…

- Antes que tu o quê, hein?!

- Bleeerghhh!! - foi o som emitido pelo nosso herói ao vomitar para cima do Demônio - … Antes que eu vomite para cima de ti…

- Uh! Que nojo! Tu vais pagá-las caras!

- Eh pá, desculpa, foi da bebida. Eu ainda te avisei para saíres daqui…

- Vou te despedaçar! Ainda por cima estragaste-me o meu smoking novo!

- Eh pá, agora, depois de vomitar, começo a sentir fome. Podias-me ir buscar ali uma maçã?

- Tu vai sofr… Uma maçã? Ok, é para já. - disse o Demônio, trepando a árvore.

Jack, inteligentemente, desenhou uma cruz no chão de modo a o Demônio não descer da árvore.

- O que estás a fazer, desgraçado? - perguntou Satã, apercebendo-se.

- Acabei de desenhar uma cruz. Agora quero ver como vais sair daí.

- Tss! És um idiota, pá! Isso do meu ângulo é uma cruz invertida.

E o Diabo já teria descido para desancar no nosso herói, não fosse um braço castanho-escuro e peludo como o de um homem o ter puxado para trás.

- Argh! O que é isto?... Não! Larga-me! Deixa-me em paz, Missy Elliot!

Depois da famosa cantora o ter violado, este desceu da árvore. Cá em baixo olhou para a copa da macieira e ameaçou, agitando a mão cerrada:
- Hás de mas pagar, sua regressão de australopiteco!

- Uh, uh-ah! - foi a resposta pronta da Missy Elliot.

- Meu deus! Que horror!

- Oh, não exageres, não há de ter sido assim tão mau…

- Só dizes isso porque nunca a viste nua!… Enfim… Jack, bebes alguma coisa comigo? Pago eu.

- Só se eu nunca chegar a ir para o Inferno.

- Ok, como queiras. Não entrarás no Inferno depois de morreres.

E lá foram os dois emborcar umas quantas para esquecer os problemas da vida. No caso de Satã, a violação; no caso de Jack, o facto de a sua garrafa de Whisky ter chegado ao fim.

Jack-O-Lantern - Parte 3

Depois de Jack ter morrido de cirrose foi para o Purgatório. Lá falou com São Pedro.

- Deixe cá ver o que você andou a fazer enquanto vivo. – disse o Justiceiro, tirando um livro de uma estante gigante. - Hmm, problemas de alcoolismo, violência doméstica, roubo, agressão… Meu amigo, você jamais entrará no Paraíso.

- Err… Não me diga uma coisa dessas.

- Ah, pois! Não andasse… - disse São Pedro, sendo interrompido por umas senhoras em trajes menores que entraram subitamente no Purgatório.

- Meninas, esperem aí pela vossa vez ou então entrem já para o Inferno e poupem me trabalho, pois aposto que sei para onde vão devido à forma como estão vestidas.

- Ohhh… Não nos mande para o Inferno! Nós já cá viemos fazer uns serviços a Jeovah bastantes vezes.

- Ah, sim? Nesse caso podem passar. - afirmou, abaixando-se ligeiramente para ver as nádegas das moças, assobiando em seguida. - Ah, o Senhor escolhe-as a dedo…

- Hei! Ainda ‘tou aqui! – exclamou Jack.

- Ah, sim desculpe. Bem, tal como ‘tava a dizer, não andasse a pecar a torto e a direito. Se tivesse juízo nada disto aconteceria! Agora só lhe resta uma solução: o Inferno.

E lá foi o nosso herói caminhando para o elevador que conduzia ao Inferno. Lá encontrou o Diabo que estava jogando às damas online contra o Papa. Depois de uma jogada excelente de sua Santidade, o jogo acaba com a sua vitória, aparecendo a mensagem no ecrã do monitor de Satã: “Eheh! O bem vence sempre!”

- Cabrão do velho! - suspirou Satanás.

Depois de se virar, apercebeu-se que Jack estava à espera de ser atendido. Após uma longa conversa, o Diabo recordou ao nosso herói o que lhe tinha prometido naquela noite ao pé da macieira. Jack iria, portanto, ter de vaguear na Terra por toda a eternidade.

- Pelo menos podias me arranjar um disfarce, para não ter de pagar aos gajos a quem devo, se me encontrar na rua com eles? - pediu ele ao Diabo.

- Ah, com certeza. Deixa só procurar no meu sótão uma fantasia fixe para ti.

Depois de um bocado, Satanás trouxe uma máscara em formato de abóbora que brilhava por dentro como se tivesse uma lanterna e uma capa preta.

- Pronto aqui está. Fica bem e emborca umas por mim!

E assim se formou a lenda do Halloween. É óbvio que o Jack, como não era aceite em nenhum emprego por estar morto, tinha de pedir comida de porta em porta, dando assim origem àquela treta do “dossura ou travessura”.

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