Mensagens Com Amor Menu Search Close Angle Birthday Cake Asterisk Spotify Play PPS Book Download Heart Share Whatsapp Facebook Twitter Pinterest Instagram YouTube Telegram Copy Up Check

Siga-nos

Frases de José Lins do Rego

José Lins do Rego foi um romancista, jornalista e cronista brasileiro. Seu primeiro livro foi Menino do Engenho e o último publicado foi Cangaceiros. Tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras em 1956.

03/07/1901 12/09/1957
continue lendo
Compartilhar

Santa-Rosa

José Lins do Rego

Afastara-me uns dez anos de Santa-Rosa. O engenho vinha sendo para mim um campo de recreio nas férias do colégio e da universidade. Fizera-me um homem entre gente estranha, nos exames, nos estudos, em casas de pensão. O Mundo cresceu tanto para mim que quase Santa-Rosa se reduzira a um quase nada. Vinte e quatro anos, homem, senhor do meu destino, formado em Direito, sem saber faze nada.

Mortos

José Lins do Rego

De vez em quando, sem saber com e por que, damos conosco a fazer a chamada dos nossos mortos. E em silêncio, como convém aos que passaram para o outro lado da vida.

Mãe

José Lins do Rego

Todos os retratos que tenho de minha mãe não me dão nunca a fisionomia que eu guardo dela - a doce fisionomia daquele rosto, daquela melancólica beleza do seu olhar. O seu destino fora cruel: morrer como morreu, vítima de um excesso de cólera do homem que tanto amara.

 

Deus queira

José Lins do Rego

Enfim, literato da cabeça aos pés, amigo de meus amigos e capaz de tudo se me pisarem nos calos. Perco então a cabeça e fico ridículo. Não sou mau pagador. Se tenho, pago, mas se não tenho, não pago, e não perco o sono por isso. Afinal de contas, sou um homem como os outros. E Deus queira que assim continue.

Agradecimento na ABL

José Lins do Rego

Chego ao fim e vos agradeço a eleição. Não rastejei, não vos namorei com olhos compridos de namorado impertinente. Destes-me esta cadeira sem esforços e sem trabalho. Agradeço-vos, e serei vosso companheiro sem torcer a minha natureza. O homem José Lins do Rego continuará intacto com as suas deficiências e as suas possíveis qualidades, pronto ao serviço de Machado de Assis, o capitão de todos nós.

A Volta

José Lins do Rego

Volto hoje às minhas criaturas, aos rudes homens do cangaço, às mulheres, aos sertanejos castigados, às terras tostadas de sol e tintas de sangue, ao mundo fabuloso do meu romance, já no meio do caminho.

Pai

José Lins do Rego

Ainda me lembro de meu pai. Era um homem alto e bonito, com os olhos grandes e um bigode preto. Sempre que estava comigo, era a beijar-me, a contar-me histórias, a fazer-me as vontades. Tudo dele era para mim. Eu mexia nos seus livros, sujava as suas roupas, e meu pai não se importava. Às vezes, porém, ele entrava em casa calado. Sentava-se numa cadeira ou passeava no corredor com as mãos atrás das costas, e discutia muito com minha mãe. Gritava, dizia tanta coisa, ficava com uma cara de raiva que me fazia medo. Coitado de meu pai! Parece que o vejo quando saiu de casa com os soldados, no dia do seu crime. Vim a compreender, com o tempo, porque razão se deixara a levar ao desespero. O amor que tinha pela esposa era o amor de um louco. O seu lugar não era no presídio para onde o levaram. O meu pobre pai, dez anos depois, morria na casa de saúde, liquidado por uma paralisia geral.

Descrição

José Lins do Rego

Tenho quarenta e seis anos, moreno, cabelos pretos, com meia dúzia de fios brancos, um metro e 74 centímetros, casado, com três filhas e um genro, 86 quilos bem pesados, muita saúde e muito medo de morrer.

Academia Brasileira de Letras

José Lins do Rego

Chego a esta casa sem arrependimentos pelo que fiz, nem temor de falar como sempre falei, com a língua solta que Deus me deu. Estou certo de que a academia não restringirá os meus surtos, as minhas palavras. Trago ao convívio de doutos e mestres a simplicidade de um falar ligado ao povo.

fechar