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Vida e Obra de Lenine

Com voz agradável e letras dotadas de sensibilidade e inteligência, Lenine trilhou um caminho de sucesso. O recifense tem mais de três décadas no mundo da música e muita história pra contar!

Biografia

Filho de José Geraldo e Dayse Pimentel, Lenine (assim chamado por conta de uma homenagem do pai socialista ao líder soviético) demonstrou interesse pela música ainda criança. Na época, seu objeto de desejo – o violão da irmã mais velha – era tocado clandestinamente, quando conseguia roubar a chave do armário onde ficava guardado o instrumento.

Entre a missa com a mãe católica e as audições de discos com o pai, aos oito anos Lenine adquire o direito de optar sobre a programação dos domingos. Escolhe a música, que ia do folclore russo e Tchaikovsky a Dorival Caymmi e Jackson do Pandeiro. Aos 17 anos, fã do rock’n roll – de Zeppelin a Zapa passando pelo The Police – e já impactado pela sonoridade do Clube da Esquina, ingressou na faculdade de Engenharia Química. Na época, começa a arranhar suas primeiras composições.

Aos 20 anos, tranca o curso e vai morar no Rio de Janeiro, dividindo a casa e o sonho de viver de música com outros amigos e também compositores. O grupo passa a viver em Botafogo, na chamada Casa 9, famosa por ter sido moradia de Luis Carlos Lacerda (Bigode), Jards Macalé e Sônia Braga. Depois, Lenine finalmente radicou-se na Urca, onde reside até hoje.

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Lenine

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, conhecido como Lenine, nasceu no Recife em 02 de fevereiro de 1959.

É cantor, compositor, arranjador, escritor, letrista e músico, além de ocupar a cadeira 38 como acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Letras.

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Trajetória musical

Parte 1

No Rio, Lenine participa do festival MPB 81, promovido pela TV Globo. Em 1983, gravou com Lula Queiroga seu primeiro LP, Baque Solto (Polygram), a convite de Roberto Menescal. Neste período, também trabalha como violonista de Danilo Caymmi.

Entre Baque Solto e seu segundo disco foram-se dez anos, período em que Lenine se estabelece como compositor e passa a fazer parte do movimento musical da cidade. Participa das rodas de samba do Cacique de Ramos, o primeiro espaço onde foi recebido de braços abertos no Rio, e compõe sambas para blocos cariocas como o “Simpatia é quase amor”, e em especial o “Suvaco de Cristo”.

Em 1989, Elba Ramalho é a primeira a gravar “A Roda do Tempo”, de Lenine e Bráulio Tavares, no disco Popular Brasileira. Nesta época, Lenine começa a ser requisitado para compor trilhas sonoras de novelas e seriados. Em 1992, mais uma canção em parceria com Bráulio Tavares entra no repertório de Elba: “Miragem do Porto”, no disco Encanto.

O mais importante disco de Lenine, segundo ele mesmo, foi lançado em 1993, em parceria com o percussionista Marcos Suzano. Produzido pelos dois e também por Denilson Campos, Olho de Peixe (Velas) os projetou para o mundo, com turnês pelos Estados Unidos, Europa e Ásia, em especial no Japão.

Em 1997, Lenine lança seu primeiro álbum solo: O Dia em que Faremos Contato (BMG), produzido em parceria com Chico Neves e mixado no Real World Studio, o conceituado estúdio de Peter Gabriel, em Londres. O disco ganhou dois prêmio Sharp, nas categorias “Revelação” e “Melhor canção” com a “A Ponte”, de Lenine e Lula Queiroga.

Em 1999, Lenine lança Na Pressão (BMG), que produziu ao lado de Tom Capone. Este trabalho ganhou o prêmio APCA de “Melhor álbum de música popular”, figurou na lista de melhores discos em vários países e vendeu mais de 40 mil cópias somente na França.

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Trajetória musical

Parte 2

A carreira internacional ganha impulso com novas turnês na Europa, Japão e Canadá e em especial na França, onde Lenine passa a realizar turnês anuais de muito sucesso. No ano de 2000, assina a direção musical do espetáculo Cambaio, com composições de Chico Buarque e Edu Lobo. Em 2002, lança seu quinto disco, Falange Canibal (BMG), novamente com Tom Capone. O CD contou com participações do Living Colour, da cantora americana Ani Di Franco, Eumir Deodato, Steve Turre e da Velha Guarda da Mangueira. Falange Canibal recebeu o Grammy Latino na categoria “Pop Contemporâneo Brasileiro”.

Em 2004, Lenine é convidado pelo projeto “Carte Blanche”, na Cité de La Musique, em Paris, do qual, até então, apenas um brasileiro – Caetano Veloso – havia participado. A proposta do “Carte Blanche” é dar ao artista “carta branca” para produzir o espetáculo que desejar. Para seu show, Lenine convidou a artista cubana Yusa e o percussionista argentino Ramiro Musotto. A apresentação deu origem ao CD e DVD Lenine Incité (Casa 9/BMG), que ganhou dois prêmios Grammy Latino – como “Melhor CD de Música Contemporânea” e “Melhor Canção” com “Ninguém faz idéia”, de Lenine e Ivan Santos. O álbum recebeu também 4 Prêmios da Música Brasileira: “Melhor CD”, “Melhor Música”, “Melhor cantor” e “Melhor Cantor – Voto Popular”.

Em 2005 Lenine produz o disco Segundo, de Maria Rita, e o álbum De Uns Tempos pra Cá, de Chico César. Em Paris, é uma das principais atrações musicais do “Ano do Brasil na França”, onde se apresentou no Teatro Zenith ao lado da Orquestra Nacional de Île de France e um coro de 1400 jovens franceses do ensino público, interpretando sua obra e clássicos brasileiros.

Em 2006, lança Lenine Acústico MTV (Sony BMG), premiado com o Grammy Latino na categoria “Melhor CD Pop Contemporâneo”. Neste mesmo ano, é editada nos Estados Unidos a coletânea Lenine (Degrees Records). Em 2007 produz o CD Lonji, do cantor cabo-verdiano Tcheka, e cria a trilha sonora do espetáculo “Breu”, do Grupo Corpo.

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Trajetória musical

Parte 3

Em 2008, lança o CD e LP Labiata (Casa 9/Universal). O álbum foi lançado em 20 países, com mais uma turnê internacional em 2009, e a música “Martelo Bigorna” incluída na trilha sonora da novela Caminho das Índias (Rede Globo), foi premiada com o Grammy Latino na categoria “Melhor Canção Brasileira”. Neste mesmo ano é lançado no Festival do Rio o filme Continuação, do cineasta Rodrigo Pinto, que retrata todo o processo de criação e gravação do disco Labiata, inclusive a estreia do show no Olympia de Paris.

No ano seguinte, em 2010, o artista lança o projeto Lenine.doc – Trilhas (Casa 9/ Universal), que reúne canções compostas para novelas, seriados, filmes, comerciais, espetáculos de teatro e dança. Uma nova turnê nacional e internacional se inicia.

Em fevereiro de 2011, Lenine é convidado para produzir e dirigir o show de abertura do carnaval do Recife. O espetáculo, roteirizado por Bráulio Tavares, ganha o título de “Sob o Mesmo Céu” e reúne um time de estrelas da música brasileira: Céu, Elba Ramalho, Fernanda Takai, Isaar, Karina Buhr, Mariana Aydar, Maria Gadú, Marina Lima, Nena Queiroga, Pitty, Roberta Sá e Zélia Duncan.

Em outubro de 2011, Lenine lança Chão (Casa 9/ Universal), seu décimo disco de carreira, produzido por Bruno Giorgi, JR Tostoi e por ele mesmo. O novo álbum – considerado pela crítica ousado e conceitual – é uma suíte de dez canções marcadas pelos sons de seu cotidiano, como o canto de um pássaro, o ruído de uma chaleira e barulho das cigarras no verão da Urca.

Em março de 2012 inicia a turnê Chão, com direção de arte de Paulo Pederneiras, do Grupo Corpo, e que tem em cena apenas Lenine, Bruno Giorgi e JR.Tostoi. Usando o recurso da quadrifonia (o chamado surround), segundo Lenine, o show subverte o “ver-ouvir”, natural dos espetáculos de música, para o “ouvir-ver”. Nele o público é imerso numa espécie de experiência sensorial em que o som é o grande protagonista. Uma das turnês de maior sucesso da carreira de Lenine, Chão já passou por mais de 80 cidades no Brasil, além de França, Itália, Argentina, Chile e Uruguai. Chão segue na estrada até o final do ano de 2013.

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Resumo

Lenine diz-se recifense-carioca, brasileiro do mundo. Suas composições são influenciadas por manifestações culturais e diversos gêneros musicais, desconsiderando rótulos e classificações.

Com 30 anos de carreira, 10 discos lançados, 2 projetos especiais e inúmeras participações em álbuns de outros artistas, Lenine já teve composições gravadas por Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elba Ramalho e outros nomes de destaque.

Ganhou 5 prêmios Grammy Latino, 2 APCA e tantos outros prêmios relevantes no universo musical.

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30 anos de carreira

Em 2013, o cantautor celebra seus 30 anos de carreira.

Na pauta, homenagens, documentários e 30 projetos especiais, como o reencontro com Marcos Suzano no show Olho de Peixe (abril, no Rio de Janeiro), a turnê europeia The Bridge (maio, agosto e outubro), com a Martin Fondse Orchestra, um show especial celebrando o disco Baque Solto (setembro, em Recife), além da turnê Concertos Chão e dos shows Lenine Solo.

Ainda em 2013, a música “Se não for Amor, eu Cegue” (Chão) integra a trilha sonora da novela “Saramandaia” (Rede Globo) e Lenine assina a trilha sonora do novo espetáculo do Grupo Corpo.

E “Isso é só o começo”.

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Paciência

Lenine

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

A vida não para.

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É o que me interessa

Lenine

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto
E é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou

Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição

A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

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O último pôr do sol

Lenine

A onda ainda quebra na praia
Espumas se misturam com o vento
No dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
Pensando nós dois

No dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
Pensando nós dois

Eu lembro a concha em seu ouvido
Trazendo o barulho do mar na areia
No dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de Santa Cruz
Lembrando nós dois

No dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
Por entre as ruínas de Santa Cruz
Lembrando nós dois

Os edifícios abandonados
As estradas sem ninguém
Óleo queimado, as vigas na areia
A lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos
Por entre os dedos da minha mão
Passaram certezas e dúvidas

Pois no dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém
O último homem no dia em que o sol morreu
Pois no dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém
O último homem no dia em que o sol morreu
Pois no dia em que ocê foi embora
Eu fiquei sozinho no mundo, sem ter ninguém
O último homem no dia em que o sol morreu.

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Estímulos

Lenine

Com o tempo, precisamos encontrar estímulos, até porque em toda a minha trajetória, sempre teve uma busca pela excelência, ousar, levar além. Isso é uma coisa que me move.

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O Silêncio das Estrelas

Lenine

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal

E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal?

Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais, de mais
Afinal, feito estrelas que brilham em paz, em paz

Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal

Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais.

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