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Alain Delon

Com quase cinquenta anos de carreira, Alain Delon é um dos mais respeitados atores do cinema. O primeiro grande sucesso do ator foi O Sol por Testemunha. Aprecie as melhores frases dele aqui.

De onde veio a vontade de fazer cinema?

Alain Delon

Um dia, no escritório de quem seria o diretor do meu primeiro filme, vi o filme de Sacha Guitry e ali senti que queria fazer cinema. Eu não entendia nada de cinema, tinha acabado de terminar o exército. Mas quando ouvi ele dizer que ser ator de cinema era a mais bela profissão do mundo, pelo que ela dá aos outros, me decidi. "É isso que vou fazer", disse a mim mesmo.

Velho e feio

Alain Delon

Jamais se verá o mito Alain Delon velho e feio porque a pessoa de Alain Delon morrerá antes.

Não é meu jeito e nem meu gênero

Alain Delon

Porque não é meu estilo, não é meu jeito e nem meu gênero. O exemplo que dou sempre é o de um trem que entra na estação e numa janela está [Jean-Paul] Belmondo e na outra Delon. Quando Belmondo passa todo mundo ri, quando Delon passa ninguém ri. Então, deixei a comédia para Belmondo. Mas é verdade, quando as pessoas vêem a cara de Belmondo não podem deixar de rir, mas comigo é o silêncio. Eu nunca tive o senso da comédia. No filme Asterix, o diretor viu que não conseguia me fazer rir e me deu, então, o papel de Julio Cesar. Fazia tempo que eu não fazia um filme e aceitei. (Sobre mesmo tendo trabalhado no filme Asterix e nunca ter feito comédia ao longo da carreira.)

O que importa é...

Alain Delon

A gente pode não chegar a considerar-se Homem — assim com letra maiúscula; mas o que importa é rodear em torno desse título e estar perto dele.

Relações com Visconti

Alain Delon

Primeiro devo dizer que não fiz filmes só com Visconti. Minhas relações com Visconti, no início, eram de alguém atento, respeitoso e submisso, porque Visconti era um mestre, mais um diretor de ópera que de cinema. Mas para colocar as coisas no seu lugar, fiz um filme antes de Visconti, em 1959, Plein Soleil, de René Clement, e foi vendo esse filme que Visconti decidiu que eu seria Rocco. Para mim essa fase foi importante e fiz cinema na Itália com [Michelangelo] Antonioni e outros. E como eu era muito jovem, foi só bem mais tarde que descobri minha chance e o privilégio que tive, e é também por isso que digo não se tratar do mesmo cinema de hoje.

Ao contrário do que dizem, não sou o ator difícil com os grandes diretores, sou difícil com os imbecis. Com os grandes vou de olhos fechados, mas com aqueles que não sabem sequer onde colocar a câmera, sou terrível. Com esses diretores citados e com [Jean-Pierre] Melville, tudo tinha seu lugar marcado, fosse o chapéu, o laço, o cachecol, os sapatos, tudo estava previsto. Esses diretores, como Clement, têm três qualidades essenciais ao diretor: primeiro, dirigem como o ator deve ficar, sentado com as pernas cruzadas ou não; a seguir, dizem o que o ator vai fazer, quando entra em cena; e por fim, vão dirigir o filme atrás da câmera. A maioria dos atuais diretores têm só uma ou duas dessas qualidades, nunca as três. Antes os realizadores também escreviam, agora raramente, e o que fazem é mais pelo dinheiro.

O diretor é como o chefe de orquestra. Naquela época poderia nomear facilmente dez diretores, hoje teria dificuldade.

Medo da velhice

Alain Delon

Não tenho medo, tenho medo da doença. Em respeito ao público que me viu, que me fez, que me amou e seguiu durante todos esses anos, decidi que nunca me mostrarei enfraquecido, desfigurado. Seu eu viesse assim aqui, vocês não gostariam e não seria digno. O dia em que isso acontecer vocês não me verão mais. Não tenho medo da idade.

Como é o homem Delon politicamente

Alain Delon

A coisa que notei na vida é que os únicos seres que não pegam aposentadoria são os políticos e os atores. Serei bem breve. Não sou apaixonado pela política, mas é verdade que era amigo do ex-presidente da França (Nicolás Sarkozy). Sempre fui um homem de direita e não sou um militante socialista.

Tem preferência pela tragédia?

Alain Delon

É algo mais próximo de minha vida, como diria Pascal Jardin, são as lágrimas da minha infância, pois minha vida foi bastante trágica até o começo do cinema e depois foi transportada no cinema. Minha infância foi difícil, mas isso é da minha conta. Em seguida, entrei bem cedo para o exército, com 17 anos, e fui aos 18 para a Indochina. De regresso, fiz coisas totalmente diferentes e, provavelmente, não estaria vivo hoje. E, de uma maneira miraculosa e rara, o cinema veio me buscar. E por que? Pelo meu físico, basicamente, mas que não correspondia ao que eu pensava ou tinha no meu interior. Talvez por isso minha relação com a tragédia. Mas eu, e sou um caso raro, não fui ao cinema, foi o cinema que veio me buscar.

Sente falta do cinema

Alain Delon

Não, porque nele tudo conheci e tudo vivi. Só pode faltar para quem não fez tudo como fiz com esses diretores com os quais trabalhei. Hoje, prefiro viver das minhas lembranças com eles do que fazer outra coisa.

Trabalho com Burt Lancaster

Alain Delon

Foi como trabalhar com Jean Gabin, dois mestres. Lancaster era um dos meus ídolos. Outro grande foi John Garfield. Certa vez, disse a Marlon Brando que gostaria de fazer um filme com ele, nem que fosse para ser numa cena de camareiro. Mas não tivemos a chance de fazer isso.

Por que não fez cinema nos EUA?

Alain Delon

Sou apaixonado pelo cinema e diante da câmera não há diferença. Fiz dois filmes nos EUA e me disseram para eu ficar lá que me tornaria uma grande estrela. Mas eu não queria ficar nos EUA e não gostava de viver lá, embora gostasse do cinema estadunidense. A França e Paris me faziam um falta enorme e eu lhes disse: "quando quiserem fazer algum filme comigo me chamem". E retornei à França, fiz minha carreira na Itália e depois na França. Meu filho Anthony nasceu nos EUA.