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Frases de Zélia Gattai

Confira nesta página frases de uma grande mulher. Zélia Gattai mostra seu lado escritora, esposa e mãe. Conheça um pouco mais da autora que compartilhou a vida e o amor pela escrita com Jorge Amado.

02/07/1916 17/05/2008
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Pedido

Zélia Gattai

No mês passado, quando estava internada, queria sair logo do hospital, mas os médicos não me davam alta. Então, sonhei que estava em um local com muita palha. Uma mão se mexia, era uma mão muito gelada, era a mão de Jorge Amado. Então, falei assim: "Jorge, se você estiver me ouvindo, me leve, você já conhece tudo aí, está com os nossos amigos, quero ficar com você".

Cumplicidade

Zélia Gattai

Nunca briguei com ele. O que havia em nossa convivência era graça, cumplicidade, amor e respeito. E, seis anos após a sua morte, ainda o vejo todos os dias. No começo deste ano, quando estava novamente na cama de um hospital, senti uma mão tocando o meu tornozelo, subindo levemente até a panturrilha. Aí, sem que nada mais acontecesse, a sensação foi interrompida.

Juventude

Zélia Gattai

Quando conheci o Jorge, ele era muito respeitador, não era daqueles rapazes que vão metendo a mão (risos). Depois, a nossa convivência evoluiu muito. Sempre nos amamos muito. Na casa onde moramos por quase 40 anos, no Rio Vermelho, a gente acordava muito cedo para caminhar de mãos dadas pelo jardim. E, todos os dias, ele me falava a mesma coisa: "Quando eu morrer, quero ficar por aqui.

Projetos e Reformas

Zélia Gattai

Como algumas pessoas dizem, parece que a gente não fez nada na casa depois que Jorge morreu, o que não é verdade. Nos últimos quatro anos, investimos quase R$ 600 mil na montagem do projeto do memorial e em reformas.

 

Escrever

Zélia Gattai

Estou escrevendo, mas é um segredo. Tive de interromper os trabalhos por causa da saúde. Mas, quando estiver totalmente recuperada, volto ao computador.

Sobre suas histórias

Zélia Gattai

Eu conto histórias que passaram aqui na nossa casa, no Rio Vermelho. Nós mudamos para a Bahia em 63, pouco antes do golpe. Procuramos muito uma casa e até comprar não foi brincadeira. Quando encontramos, tivemos de botar a baixo e construir uma outra, que é essa onde moramos hoje. Ela tem muita história, foi feita com a colaboração de diversos amigos.

Construção Memorial de Jorge Amado

Zélia Gattai

Acho que a situação deveria estar resolvida há muito tempo. Nós não pedimos verba para o governo. Nós elaboramos um projeto com base na Lei Rouanet. Entramos com um pedido de R$ 3,5 milhões e só conseguimos a liberação de R$ 150 mil para captarmos com empresas interessadas no financiamento. É evidente que esse dinheiro não é suficiente.

Restauração da Fundação Casa de Jorge Amado

Zélia Gattai

Houve um corte de verbas muito grande e os dirigentes da fundação foram obrigados a tomar medidas para conter as despesas, , mesmo que isso significasse colocar em risco o acervo deixado por Jorge. Mas não perco a esperança.
Recentemente, minha filha [Paloma] recebeu ligação de Fátima Mendonça [mulher do governador da Bahia, Jaques Wagner] dizendo que as coisas vão melhorar. Devemos muito ao João Ubaldo Ribeiro, muito passional, que levantou a bandeira da restauração.

Sobre como se conheceram

Zélia Gattai

Quando o conheci, já tinha lido uns dez livros dele e era admiradora de sua obra. Houve um comício no estádio do Pacaembu para comemorar a liberdade de Luiz Carlos Prestes [1898-1990, militar e líder comunista brasileiro]. Quando Jorge soube do comício, resolveu participar das comemorações, mesmo proibido de sair da Bahia sem permissão das autoridades. Eu estava no meio de milhares de pessoas. No meio de tanta gente, ele pôs os olhos em mim e falou: "Você vai trabalhar comigo". Tremi de emoção. Depois, ele me pediu para datilografar um telegrama, e eu disse que não sabia datilografia. Ele respondeu: "Você não sabe escrever à máquina? Que moça mais inútil (risos)."

Cravos

Zélia Gattai

Como dizem os jovens, rolou um clima entre nós. Um dia, Jorge Amado me convidou para ir a um jantar em homenagem ao poeta Pablo Neruda. Após a confraternização, ele foi levar o Neruda ao hotel e me deu uma carona. Jorge nunca dirigiu na vida, então fomos de táxi. Em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, ele pediu para o motorista parar o táxi e comprou uma lata enorme cheia de cravos vermelhos e os atirou em mim. Tomei um banho de cravos, dos pés à cabeça, fiquei toda molhada. Esse foi o começo de uma vida em comum que durou 56 anos.

Troca

Zélia Gattai

Tenho um quadro que ganhamos do Di Cavalcanti (1897-1976) que me lembra muito o jeito irreverente do Jorge. Você pode não acreditar, mas esse quadro foi trocado por um cachorro. O Di Cavalcanti ligou para o Jorge e propôs a troca. Ele ficou tão satisfeito com o negócio que veio pessoalmente trazer o quadro.

Amadurecimento

Zélia Gattai

Normalmente, conto coisas que vivi. Dizem que a vida muitas vezes parece um romance, mas ela é uma realidade e é essa realidade que conto. Comecei a escrever aos 63 anos, o que não é tarde quando se fala em memória, pois para escrevê-las é preciso viver muito, ama­durecer bastante, ter maior compreensão do ser humano, estar despida do senti­mento de inveja e de revanche. E escrevo, assim, com liberdade e com o coração.

Diálogo

Zélia Gattai

Antigamente, quando não havia rádio, televisão, o divertimento da criançada era ouvir e contar histórias. E esse foi meu destino, encontrei alguém na vida que também era um contador. Entre nós, temos muito diálogo.

Milagres da Bahia

Zélia Gattai

Lembro de uma empregada ma­grinha que tivemos aqui. Logo que ela chegou na casa, ela recebeu os ibejis Cosme e Damião. Ela ficou doidinha e levantou o Jorge, que na época pesava 100 quilos, pelas pernas e saiu dançando com ele pela casa. Eu nunca tinha visto esse tipo de coisa. Esses são os milagres da Bahia.

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