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Frases de Marcelo Rubens Paiva

Confira aqui as melhores frases e declarações do escritor Marcelo Rubens Paiva.

O que mudou na escrita em 30 anos de carreira

Marcelo Rubens Paiva

Eu acho que amadureci como homem, e naturalmente minha escrita amadureceu também. Um exemplo é o Malu de Bicicleta. No livro, há um mal-entendido entre um casal, e a mulher vai embora. Na adaptação que fiz para o filme, quase dez anos depois, o cara vai atrás dela, tentar pelo menos uma conversa. Isso é um sintoma de maturidade. O livro foi escrito por um homem aos 40 anos, o filme foi escrito por um homem entrando nos 50, que é o homem que diz: ‘Vamos se acertar, vamos conversar sobre isso’. Ou seja, fui aprendendo, como autor, a lidar com os conflitos de um jeito muito mais maduro.

Qual a relação dele com a literatura

Marcelo Rubens Paiva

Procuro não levar a literatura a sério, nem a vida a sério, o que ajuda na própria literatura. É bobagem você achar que vai fazer uma revolução por meio da literatura. Também não busco nenhuma inovação literária ou teatral naquilo que eu faço. Escrevo só aquilo que me dá vontade.

Qual a sensação de ver obras dele irem para o cinema

Marcelo Rubens Paiva

É muito tenso também. Primeiro a gente se pergunta se aquilo vale a pena virar filme, e se compensa pegar um patrocínio de isenção pra filmar um delírio. É um jogo muito complexo. Depois vêm aquelas perguntas: “Será que eu poderia ter feito melhor?”. E eu também sou um cara muito exigente comigo mesmo e com meus amigos. Uma música errada em um filme já me incomoda.

De onde vem tanta inspiração para escrever sobre mulheres

Marcelo Rubens Paiva

Tenho muita amiga mulher e sempre gostei de observar. Elas me contam tudo, perguntam o que devem e o que não devem fazer. Sou um pouco conselheiro sentimental de umas 20, 30 garotas. Me divirto, elas me contam umas coisas que me deixam pasmo. A minha coluna “Dar: o dilema” saiu porque estava conversando com três mulheres e o papo era “dar”. Eu estava só ouvindo. Uma falava: “Quando você sai com um cara na quarta vez, você tem que dar”. Outra dizia: “Se não gostei do cara não dou porque ele pode se apaixonar”. E a outra respondia: “Te entendo, tive esse problema, fui dar para um cara na quarta vez e ele brochou, aí tive que dar na quinta, né? Senão ele ia ficar traumatizado”. Fiquei olhando e falei: “Vocês são loucas. Sexo não pode ser uma coisa tão racionalizada! Vai, dá”. Para o homem não é nada assim. É tipo: “Estou bêbado, te achei um tesão, quero meter”.

Sobre acreditar em casamento

Marcelo Rubens Paiva

Casar, mesmo, só casei uma vez, aos 30 anos, no papel. Achei que ia durar para sempre. Durou seis anos. Casei com conta conjunta etc. Adorei, gosto de ser casado. Estou praticamente casado agora e amando. Não sinto falta de estar solteiro. Mas também não fico desesperado quando estou solteiro. Sou como a maioria das pessoas.

Preconceito com deficientes físicos

Marcelo Rubens Paiva

Existe. Mas melhorou muito. E em função dessa militância que fizemos nos anos 90. Pedimos ônibus, fizemos a lei ser cumprida. A prefeitura de São Paulo instalou uma comissão chamada CPA [Comissão Permanente de Acessibilidade], que fiscaliza os cinemas que não têm acesso etc. Mas, por outro lado, ainda acontecem coisas esquisitas. Por exemplo, ia sair uma foto minha em uma revista de renome e o fotógrafo queria fazer só de cima, para tirar a cadeira de rodas. Porque, segundo ele, isso poderia chocar as pessoas. Choca nada. É só uma cadeira de rodas. Lembro de mim com o Caio Túlio Costa [jornalista, na época editor do caderno Ilustrada] falando que a Folha de S.Paulo precisava ter um aviso de se o cinema era ou não acessível aos deficientes. Porque me incomodava, cada vez que ia ao cinema tinha que ligar e perguntar. E, como não existia o símbolo da cadeira de rodas, decidimos escrever “cinema acessível para deficientes”. Hoje, tem o símbolo em todos os jornais, revistas, guias, padronizou.

Começo na escrita

Marcelo Rubens Paiva

Eu tive a felicidade e a infelicidade de só ter irmã dentro de casa. Eram quatro irmãs mulheres e nenhum irmão mais velho para me defender na escola. E sempre fui o baixinho da classe, e apanhava bastante por causa disso, tomava muito tapa na cara. E o baixinho, para sobreviver, tem duas saídas: ou ficar amigo dos fortões ou escrever. E ao invés de ter uma vida atlética e de ficar jogando bola, eu ficava no centro acadêmico da escola, escrevendo artigos para o jornal do colégio. De uma maneira ou de outra, todo escritor sofreu bullying, todo escritor quis, por meio da literatura, se vingar de tudo o que sofreu. E eu não fujo à regra. (Sobre ter começado a escrever porque sofria bullying na escola)

Feliz Ano Velho

Marcelo Rubens Paiva

Eu falei de coisas em Feliz Ano Velho que hoje eu não falaria. Eu abri o peito, e esse foi o segredo do livro. Foi uma dissecação de alma, que dificilmente eu teria coragem hoje de refazer. Foi um livro importante pra mim, para os deficientes e para a literatura brasileira naquele momento, já que ele foi escrito em uma linguagem totalmente coloquial, que rompia com a norma culta e que mostrava que estava pra nascer uma nova literatura urbana, mais conectada com os temas contemporâneos, como a revolução sexual, a busca de autoconhecimento pelas drogas e as frustrações de viver em um país pobre e desigual. Nesse período, o Caio Graco, editor da Brasiliense, também buscava uma nova leva de autores. E nós tivemos a sorte de encontrar esse cara.

Rotina para escrever

Marcelo Rubens Paiva

Minha rotina é a pura anarquia. Só sei que, na terça, tenho que escrever minha coluna pro Estadão e entregar na quarta. Eu também blogo, geralmente um dia sim um dia não, e quando tenho que escrever um livro, eu vou e escrevo.

Qual obra ele mais gosta

Marcelo Rubens Paiva

Cada hora de uma. Já gostei do A Segunda Vez que te Conheci, do Não És Tu, Brasil, que foi um livro que demorei seis anos escrevendo... Agora gosto mais de No Retrovisor, que é uma peça que escrevi e que vai virar filme agora, com o Marcelo Cerrado. Também gosto muito do Malu de Bicicleta, livro que marca o início dessa minha literatura focada mais nas relações.

Se existe algum arrependimento na carreira

Marcelo Rubens Paiva

Sim, de inúmeras coisas. Me arrependo, por exemplo, de ter largado o roteiro do Bicho de Sete Cabeças, da Laís Bodanzky. Eu iria aprender muito com ela. Também desisti do projeto do Meu Nome não é Johnny. Em todas às vezes acabei priorizando outros planos e me arrependendo depois.

Interesse em sexo

Marcelo Rubens Paiva

Sinto tesão por uma mulher que dá na primeira vez. Isso mostra coragem, interesse em sexo. Não gosto de mulher que só dá na quarta vez, me dá preguiça. Joguinho? Não tenho paciência. E o engraçado é que as mulheres acham que os homens também fazem joguinho. Não fazem! Se um homem não liga no dia seguinte, é porque ele não quis. Talvez tenha vontade de ligar dois dias depois. E aí, normal, vai ligar. O homem fica perplexo com os joguinhos das mulheres, eles não entendem nada e ficam perguntando para os amigos: “Poxa, por que ela não respondeu aquele e-mail?”.

Experiência de ser diretor teatral

Marcelo Rubens Paiva

É muito tenso. Tudo estressa: uma música errada, uma porta aberta, um zunido, um barulho de chuva vazando pra dentro do teatro. São dois, três meses malucos que a gente passa. Mas dá muito prazer dirigir, seja uma peça minha ou de outra pessoa.