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Romero Britto

Com um traço único e obras conhecidas em todo o mundo, o artista plástico Romero Britto é um dos expoentes do estilo pop art.

06/10/1963
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Antes de ser artista, você quis ser diplomata. Por quê?

Romero Britto

Fiz amizade com uma família da Inglaterra que morava no começo da nossa rua. A gente morava num extremo e eles no outro, na mesma rua mas em diferentes planetas. O pai desses meus amigos era cônsul-geral da Inglaterra no Nordeste, e ele virou minha inspiração. Comecei a pensar que aquela era a profissão que eu adoraria ter, viajar o mundo, conhecer outros lugares, e assim me interessei em aprender inglês, em conhecer o mundo. Quando criança, eu estava interessado em ver e saber outras coisas por causa desse homem. Eu os adorava, queria que um dia me levassem com eles para a Inglaterra. Eu queria muito estar longe de onde eu estava.

Seu passado foi mais ruim do que bom?

Romero Britto

Quando era criança, sim. Tenho lembranças ótimas hoje, mas ninguém gosta do passado, quem é que fica lembrando? Só jornal e revista que gostam de falar da Segunda Guerra Mundial, quem passou por ela não quer lembrar. Jornal, revista e TV falam disso porque fazem dinheiro com o passado.

Quais são suas principais influências?

Romero Britto

Sempre gostei, e ainda gosto, de um artista do Brasil que se chama Francisco Brennand. Depois de pesquisar mais e aprender mais, vi artistas como Picasso, Matisse. Nos EUA, comecei a me interessar muito pela pop art e por artistas como Andy Warhol, Keith Haring, Kenny Scharf e Roy Lichenstein.

Como desenvolveu seu estilo?

Romero Britto

Sempre tinha um elemento na minha arte e esse elemento sempre se repetia. A pop art é uma arte de repetição, é uma arte voltada para uma grande audiência. Mas o desenvolvimento do meu estilo foi bastante espontâneo, acho que tem sido uma evolução que ainda acontece. Tenho trabalhado meu vocabulário artístico, não foi de uma hora para outra. Às vezes eu me surpreendo ao ver pessoas falando coisas sobre a minha arte que são novidade para mim. Acho que essas surpresas vão continuar, porque eu continuo a pintar todo dia.

 

Novos projetos

Romero Britto

Eu tenho tantas ideias. Eu já fiz tantas coisas experimentais que as pessoas não viram. Mas eu deixo mais as coisas se desenvolveram naturalmente, de forma bem orgânica, bem natural.

Se ressente de não ser levado tão a sério como artista?

Romero Britto

Não. No passado, artistas de quem eu gosto bastante, como Andy Warhol e Picasso, foram mal-entendidos e não tiveram apoio quando estavam construindo suas carreiras. Não estou preocupado com isso. O mais importante é que estou criando arte todo dia e tenho um grande público lá fora me apoiando. Se você não tem um público, um museu não vai fazer uma exposição sua se ela não vai trazer ninguém. Hoje há uma grande crise no mundo artístico. Se você vê o Metropolitan, em Nova York, a maior exposição da história do museu não foi de arte, mas de moda, do Alexander McQueen. Tem museu que faz exposição de motocicleta, porque eles estão precisando de público. Nem todo mundo está interessado em exposição de arte, as pessoas estão mais interessadas em outras coisas. Em eventos esportivos, em moda, em praia, em filme, em outras coisas.

Você se sente mal-entendido?

Romero Britto

Não. Não necessariamente pelo grande público, mas por pessoas do mundo das artes. Muitas pessoas têm uma certa tendência artística e acabam não se tornando artistas, mas professores de arte, galeristas ou críticos de arte. Aquela pessoa é como se fosse um artista enrustido, e aí acontece de ela ficar muito assim, “como é que aquela pessoa pode fazer aquilo ali?”. Isso já aconteceu várias vezes na história. No tempo do Amadeus [o compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, que viveu no século 18], tinha um cara que era professor dele e tinha a maior inveja do Amadeus, está me entendendo?

Sua importância na arte contemporânea?

Romero Britto

Ainda não estou preocupado com isso, porque acho que a história se faz por si própria. Se você perguntasse a artistas como Michelangelo e Da Vinci, eles não imaginavam que a arte deles fosse ter o espaço que tem no mundo atual. Meu papel é de ser artista, de pintar, de criar imagens de esperança, de alegria. É muito difícil você pegar essa arte e predict… Como se diz? Prever o futuro.

Você acredita que o seu sucesso desperta inveja?

Romero Britto

Ah, com certeza, causa muita inveja a muita gente. Especialmente a pessoas que queriam fazer o que eu faço, que queriam criar imagens para um público maior. Se eu não fizesse sucesso, ninguém ia saber de mim. Tem muitos artistas lá fora com o maior talento e ninguém fala deles, porque ninguém sabe deles.

Você lê o que escrevem a seu respeito?

Romero Britto

Não. O que eu vou fazer? As pessoas escrevem o que elas querem. Durante muito tempo isso me incomodou, ficava chateado, mas no fim das contas não há um livro, nem mesmo um capítulo nos livros, dedicado aos críticos de arte. Não tem, nem mesmo o Clement Greenberg, que foi o maior crítico de arte dos Estados Unidos. Eu sei dele, mas se você perguntar a qualquer pessoa quem é, ninguém sabe. As pessoas sabem quem é Snoop Dogg, Shaquille O’Neal, Michael Jordan, Justin Bieber, mas Clement nobody knows. Ninguém o conhece, a não ser algumas pessoas muito do mundo das artes. Ele foi o cara que falou pela primeira vez aquela expressão que se usa até hoje, avant-garde. E era até um cara interessante do mundo das artes, mas não interessante o bastante para ter um capítulo nos livros de história da arte falando dele.

Prefere o público ao respeito dos críticos?

Romero Britto

Você pode fazer uma exposição maravilhosa e ter um crítico falando coisas maravilhosas sobre ela, mas nada disso vai garantir que você amanhã vai ter gente batendo à sua porta. Ou você vende, ou você não vende. E eu vendo. E acho isso mais importante. E é importante não só para mim, mas para as galerias de arte também.

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