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Flávio Canto

Depois de passar pelo Esporte Espetacular, apresentar o Corujão do Esporte e o programa Sansei, muitos podem lembrar só do Flávio apresentador. Porém o ex-judoca já trouxe várias alegrias e medalhas para o Brasil nas competições em que participou. Conheça mais sobre ele!

16/04/1975
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O que o judô ensinou

Flávio Canto

Acho que coragem. É uma palavra-chave e a gente aprende muito, no momento da luta, a levantar. A gente todo dia cai, mas tá sempre levantando também. Levo isso pra vida. Quanto maior o tombo, mais importante se levantar de uma forma edificante. O Reação surgiu assim, na minha pior derrota, em uma seletiva que esperava ganhar uma medalha e perdi a seletiva. Adoto até pra vida pessoal, afetiva. É enxergar num tombo uma oportunidade de se levantar mais forte.

O porquê do judô

Flávio Canto

Estava em um ano super-rebelde. Tinha trocado de colégio, com dificuldade de adaptação. No primeiro dia, briguei e apanhei. Sofri o ano inteiro. Fui ficando amigo de todo mundo: o judô me deu equilíbrio e autoconfiança.

Aposentadoria

Flávio Canto

Parar de competir e não ter com o que sonhar é algo que acontece com atletas. É uma vida que morre, pode até haver depressão. Felizmente, não aconteceu comigo. Muitos têm a síndrome de Peter Pan, não querem envelhecer.

Migração para a TV

Flávio Canto

Fui direto para um novo trabalho, em um lugar onde ainda era faixa branca! E ser faixa branca tem um lado bom, tudo é novidade. Para qualquer lugar que eu olhasse, estava aprendendo alguma coisa. Não deu tempo para lamentar o fato de eu não estar mais competindo.

Monocultura do futebol

Flávio Canto

Uma das maneiras de mudar isso é buscar ídolos em outros esportes. Para ele ter outras pessoas para querer ser além do Neymar. Lá no Reação, por exemplo, a gente tenta evitar a monocultura do judô. Tem uma parte do nosso programa que faz diferentes atividades no tatame, para desenvolver outras habilidades das crianças. Tem muita gente que torce contra o futebol na Olimpíada. Eu não concordo. Futebol também é esporte. Se eu perco uma criança para o futebol está tudo bem. O problema é perder para ela ficar na rua. É pobre pensar só em futebol, isso é claro. A pobreza de você estar na monocultura é perder potenciais atletas porque eles não experimentaram outras modalidades.

O esporte como agente transformador

Flávio Canto

A gente sempre escuta falar isso, que o esporte transforma, que os valores que você pratica no esporte, carrega para fora. Vi com o Reação que isso realmente acontece. Até uma pequena vitória em uma luta é o pontapé inicial para a criança perceber que ela é capaz de sonhar grande, de pensar maior. A gente fala muito que passado não é destino, que ninguém é obrigado a seguir um caminho imposto pela sociedade, que a gente pode sempre sonhar e lutar contra as estatísticas. E o esporte é um ótimo exemplo nesse sentido.

 

Responsabilidade social corporativa no Brasil

Flávio Canto

Temos um lado cultural que atrapalha bastante. Os brasileiros, em geral, têm uma tendência de responsabilizar os outros, sobretudo do Estado, sobre os problemas da sociedade. Precisamos assumir mais responsabilidades e aprender a nos representar. Estamos em um momento difícil para o país, com dificuldades de se sentir representado na política. Mas acho que cabe a cada um ter esse protagonismo, de se representar. Isso é quase uma revolução de pensamento pela qual precisamos passar. Nos Estados Unidos, as pessoas têm um perfil mais autônomo, independente e uma cultura de depender e esperar menos do Estado. Talvez estejamos mal acostumados e acabamos sempre por nos eximir da responsabilidade. Quando uma criança não está na escola, essa responsabilidade é só do Estado? Também é nossa. Assumir a responsabilidade por tudo e por todos faz a diferença.

Instituto Reação

Flávio Canto

O Reação representa uma esperança de que a gente não precisa esperar que os outros façam. Isso é um chamado, uma convocatória para todo mundo, não importa a classe social ou cultural. Todos devem reagir de alguma forma e o Reação é um espaço que incentivamos o protagonismo das pessoas.

Rafaela Silva

Flávio Canto

Rafaela entrou com uns 5, 6 anos e desde novinha o treinador falava que ela ia chegar na Olimpíada. É um sonho se realizando para ela e para todos nós. Eu ainda estou assim... Quando começou o Reação, eu e todo mundo que está lá sempre imaginou que o ouro olímpico, um dia, pudesse acontecer. Mas, desse jeito? Foi campeã mundial e olímpica no Rio de Janeiro. É muita sinergia e sincronicidade.

Avaliação de resultados

Flávio Canto

O ideal é ter uma visão muito mais de longo prazo. As pessoas fazem um cálculo muito prático, dizem se o investimento foi pouco ou muito. O poder transformador de uma medalha, se você souber usá-la, é muito grande. Quanto vale você ter um Cielo? Acho que pode valer mais.

Manter a forma física

Flávio Canto

Pelo fato de ter começado tarde no judô, sempre me senti em desvantagem diante dos meus oponentes, porque eram caras mais experientes. Então sempre procurei errar pouco, dormir bem, comer bem. Sempre tive uma vida de atleta. Criei uma relação muito boa com esse equilíbrio e mantive. Para competir, era de uma categoria de peso que eu não precisava perder quase nada para poder ser feliz, conhecer o mundo. Enquanto o pessoal ficava no hotel perdendo peso, eu podia dar uma passeada. E acho que carreguei isso comigo. É zero por conta de estética, é pelo equilíbrio mesmo.

Mudanças no esporte brasileiro

Flávio Canto

Uma coisa que mudou, e eu falo com total propriedade, é que o atleta hoje não é mais herói. Não é aquela coisa do esforço, da abnegação. Pelo menos não no judô. Todos os atletas hoje ganham uma remuneração razoável. Não dá para você comparar com o futebol, mas já não é mais só aquela ajuda de custo. Na minha primeira Olimpíada eu ganhava R$ 500. Não tinha esse olhar de lutar para fazer o pé de meia. Era até um sonho mais puro de lutar para ganhar algo. Hoje isso melhorou. Hoje o COB tem até a preocupação de manter o atleta com os pés no chão, como se diz. O problema financeiro está muito mais na base. Quando o atleta chega na seleção ele já tem uma estrutura e um salário melhor.

Fama

Flávio Canto

Tem uma parte muito legal, que é você poder usar isso para ajudar. Eu sou chamado toda hora para campanhas beneficentes. Outro dia eu fui lá pedir autorização para poder participar e brincaram: ‘Pô, mais uma?’. Se eu consigo usar essa fama para ajudar, por que não? Agora, tem o lado ruim da fofoca. Você sai de um nicho que é o esporte e passa a ser muito mais conhecido. A parte chata é ficar visado em um lado que não escolhi, que são essas fofocas de mulher, umas coisas nada a ver. Mas compensa.

Apresentador

Flávio Canto

Comecei por acaso. Eu tinha ido para as Olimpíadas de 2004, ganhei medalha e em 2005 eu me machuquei na época do mundial, então fui comentar lutas de judô no Sportv. A partir de então, sempre que tinha uma competição que eu não lutava, eu comentava. Depois me chamaram pra fazer um programa de lutas, o Sansei. Em 2011 começou a acontecer um namoro para eu apresentar o Corujão, na mesma época que tive uma infecção no joelho. Passei sete meses parado e fiz quatro cirurgias, não conseguia nem treinar. Já estava mais velho, na dúvida de parar, mas sonhando com as Olimpíadas de Londres. Voltei a competir, mas percebi que o tempo que eu teria para ficar bem pras Olimpíadas não ia acontecer. Aí aceitei essa transição. Não me arrependo. No começo foi superdifícil, é uma pressão diferente. O terceiro, quarto programa já foi ao vivo e parecia adrenalina de competição. Para mim era tudo muito novo, me senti um faixa branca.

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