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Aguinaldo Silva

Aguinaldo Silva é um dos autores de maior sucesso da TV brasileira, suas novelas estão eternizadas na memória do público. Confira algumas de suas frases e declarações.

07/06/1943
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Por que é contra a lei que criminaliza a homofobia?

Aguinaldo Silva

Se você não gosta de jiló, tem todo o direito dizer. O que não pode é esbofetear o jiló. E quem bater em um homossexual tem que ter o mesmo castigo de quem bate em heterossexual. No século 20, talvez por força da discriminação, os homossexuais se tornaram uma classe, um gênero. Isso não existe. Ninguém é totalmente hétero ou totalmente gay. Existem nuances.

É uma brincadeira

Aguinaldo Silva

É uma brincadeira. Não namoro desde que me separei, em 1998. Tenho encontros, mas nada sério. A partir de uma idade, o sexo vai se tornando menos relevante. Adoro conversar, sentar para jantar, mas, quando penso que vai chegar aquela parte, me dá preguiça. (Recentemente o autor tuitou que está se sentindo virgem...)

18 anos outra vez

Aguinaldo Silva

É instigante trabalhar com a rotina. Essa novela é outro recomeço. Quando fiz 70 anos, recentemente, pensei que estava na hora de ter 18 anos outra vez. Resolvi então fazer tudo diferente e com uma equipe nova.

Situações reais

Aguinaldo Silva

Nas minhas novelas, as situações são reais, mas não é uma coisa densa. O telespectador não quer ver, às 21h, um filme de [cineasta sueco Ingmar] Bergman. Sempre dou relevância às tramas, às histórias.

 

Meus personagens são reconhecíveis

Aguinaldo Silva

Meus personagens são reconhecíveis, você os encontra nas ruas. O telespectador brasileiro não precisa mais ser guiado através da história. Ele percebe sozinho e o que não sabe, deduz. O segredo é escrever pra frente. Você não pode fazer uma cena na qual uma pessoa planeja matar a outra e no capítulo seguinte elas estão tomando drinks, conversando amigavelmente.

Qual vai ser a polêmica da próxima novela

Aguinaldo Silva

"Império" vai ser um novelão à moda antiga, reciclado para os tempos atuais. Ultimamente os autores têm se preocupado mais com temas das novelas do que com tramas. Vou fazer o contrário. Quero saber das tramas, dentro das quais os temas se inserem. Vou tratar do direito que os gays têm de não sair do armário. O personagem do Zé Mayer é gay, mas casado, tem filhos, a esposa é sua cúmplice. Um colega de colégio, um blogueiro do mal, o reencontra depois de anos e o desmascara.

Seus trabalhos preferidos

Aguinaldo Silva

Senhora do Destino [2004 a 2005] foi uma virada em minha carreira. Foi minha primeira novela realmente urbana, que não tinha nada de realismo mágico, o meu forte até então. Fiz uma mudança de rumo radical em uma idade [61 anos] em que as pessoas não querem arriscar. Se não a escrevesse provavelmente não faria mais novela nenhuma. Eu não gostava mais do que estava fazendo.

Melhores memórias de infância

Aguinaldo Silva

Em Carpina, era ir ao cinema em um parque, uma coisa fantástica. No Recife, foram experiências que aconteceram na casa de uns vizinhos. Lá vivia uma família de batistas que tinha uma biblioteca. A filha deles me emprestava livros. Depois que eles se mudaram, a casa virou uma república de estudantes – e isso tem a ver com o despertar da minha sexualidade. Aqueles jovens tinham coisas que eu não tinha. O fato de eles terem pelos me deixou fascinado. Não tinha a menor ideia do que era ou não ser gay, mas aquilo me encantou. Essa era a minha casa da bruxa: quando eu entrava nela, o mundo mudava.

Ameaças

Aguinaldo Silva

Durante Fina Estampa, estava caminhando à noite na praia e um rapaz musculoso emparelhou comigo e perguntou: “Você não tem vergonha de criar um personagem como o Crô? Você está envergonhando a classe. Os gays não são assim!”. Comecei a andar rápido, ele foi me insultando. Achei que fosse apanhar. Quando cheguei a uma rua movimentada, eu disse: “Você acha o Crô escandaloso? Você não tem ideia do que é um viado escandaloso! Se não sumir da minha frente, você vai ver um”. Depois disso, parei de sair à noite.

Momentos de dor e fracasso na escrita

Aguinaldo Silva

Tive momentos muito difíceis. Quando o Paulo Ubiratan, que dirigia todas as minhas novelas, morreu, foi um momento de grande dor. Outro foi a minha separação em Pedra sobre Pedra [1992], de uma pessoa com quem vivi por 17 anos. Quando me separo, saio de casa com a roupa do corpo. Escrevi a novela em um quartinho mínimo de um apart-hotel, em um escritório horroroso. Mas escrever sempre foi o meu refúgio, então, me joguei no trabalho. As separações foram os momentos mais difíceis da minha vida.

Pior memória da infância

Aguinaldo Silva

Todos os anos no colégio havia um concurso para eleger a rainha da primavera. Em um ano, os alunos combinaram que votariam em mim. Na hora de computar os votos, o pastor ia colocando os papéis em uma pilha e logo a minha era maior do que as das candidatas de verdade. Aquilo provocou uma histeria nos meninos, que começaram a me hostilizar. Procurei abrigo no banheiro, me tranquei. Eles derrubaram a porta e iam me linchar se o pastor não chegasse aos berros. Essa é uma humilhação da qual não se esquece mais.

Eles nunca perguntaram nada

Aguinaldo Silva

Eles nunca perguntaram nada. Todas as vezes em que meu pai soube que sofri o que hoje se chama de bullying, agarrou os garotos pelo pescoço. Sempre me defendeu bravamente das ofensas. (Sobre a discussão da homossexualidade em casa.)

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