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Hélio de la Peña

Hélio leva consigo o subúrbio do Rio de Janeiro, local onde nasceu. Com o nome artístico em homenagem ao seu bairro, o ex-integrante do Casseta e Planeta marcou uma geração de grandes humoristas e acredita que a tendência do humor é ter um pouco de tudo. Veja frases e pensamentos do comediante!

18/06/1959
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Casseta e Planeta

Hélio de la Peña

Sofremos uma pressão para nos distanciar do conteúdo que gostávamos de fazer, no qual o público identificava nosso DNA. Pressões internas na emissora e externas, de gente do governo petista que se levava muito a sério e não admitia brincadeiras. Fizemos sucesso com paródias da programação, mas não podíamos zoar atrações de outros canais. Além de uma paranoia quanto ao que a família brasileira gostaria ou não de assistir. Quando o humor é levado muito a sério, o público sai perdendo. A consequência foi um desgaste do conteúdo. Por outro lado, foram 20 anos liderando nosso horário. Não houve uma temporada sequer que tenhamos sido superados pela concorrência. É uma história de que muito me orgulho.

Trabalhos

Hélio de la Peña

Espero fazer outras coisas profissionalmente. Avaliaria, sim, um novo convite para novela, mas a princípio não é o meu foco, não estou investindo nisso. Foi como cair de paraquedas: você salta uma vez e depois fica contando para os amigos como é.

Os negros no Brasil

Hélio de la Peña

O negro ainda é discriminado no Brasil. Quando eu era um negro qualquer, fui parado pela polícia, revistado e coloquei a mão na parede inúmeras vezes. Recentemente passei por uma situação curiosa. Fui com meu pai visitar uma amiga dele em um prédio na zona sul do Rio e o porteiro não me reconheceu. Quando nos mandou subir, ele nos encaminhou para o elevador de serviço. Perguntei por que teríamos que ir por ali e ele ficou dando desculpas. Fiquei com pena da ignorância dele.

Racismo em pauta

Hélio de la Peña

O que acho mais interessante é essa discussão estar em pauta. Hoje há espaço para expor a indignação. O oportunista sempre vai arrumar uma maneira de se aproveitar da situação, mas isso não diminui a força da campanha.

Situação com o filho

Hélio de la Peña

Levei meu filho ao hospital e, quando fui terminar de preencher a ficha para ele, o atendente disse que eu havia cometido um engano, pois tinha escrito que meu filho era negro. Confirmei que ele era negro sim, mas como se tratava de alguém famoso, o atendente trocou para “moreno”. Ele achou que, devido ao meu status, era melhor colocar que meu filho era menos negro.

Humor na ditadura

Hélio de la Peña

O humor era muito unilateral. Se alguém se sentisse ofendido, o máximo que podia fazer era mandar uma carta. Hoje há liberdade para falar e responder. O que não consigo entender é por que quem faz algo para chocar se incomoda com a reação dos impactados. Até porque, quando a piada é bem-feita, o efeito da reação é menor. O exemplo disso é a websérie do Porta dos Fundos sobre Aids. Por que os aidéticos não falam mal? Porque é divertido, mas não escarnece do doente.

 

Brasil

Hélio de la Peña

Brasil tá caído. Criou-se uma ilusão grande. Inventou-se uma classe média através do consumo. O sujeito comprou uma tevê de tela plana, mas continuou convivendo com vala negra na sua porta. Isso é classe média.

Primeiro personagem na TV

Hélio de la Peña

Sinceramente, não dei muita atenção ao que falaram. Era muito trabalho, muito texto para decorar, e eu vi o acolhimento positivo do público. Então, não fiquei preocupado em responder ou reagir. Quem gostou foi muito mais gente do que quem não curtiu. Como era meu primeiro papel, era natural eu não ir tão bem. Não podiam esperar nenhuma Fernanda Montenegro ali. A minha preocupação foi fazer um personagem verossímil.

Drogas

Hélio de la Peña

Sou favorável a liberação das drogas leves para tirar o consumidor do contato direto com traficantes. Acho que morre-se muito mais de combate às drogas, nos tiroteios, do que de overdose. Nesse caso, caberia ao governo uma intensa campanha de conscientização dos males que as drogas proporcionam. As bebidas e o cigarro, por exemplo, são comercializados legalmente e o consumo é desestimulado por campanhas. Acho o melhor caminho.

Amigos do Casseta e Planeta

Hélio de la Peña

Éramos garotos quando tudo começou, o tempo passou, as relações internas também se desgastaram. As coisas não são mais as mesmas. Hoje, cada um escreve seu caminho, eventualmente parte do grupo se junta em torno de um projeto comum.

Discriminação

Hélio de la Peña

Nunca sofri nenhuma atitude racista, mas havia um constrangimento em ser o único negro, um dos poucos pobres e um dos raros suburbanos. Como vivi em ambientes elitizados, sempre fui confrontado por esse desconforto de quando um Brasil se encontra com outro. Brincava dizendo que me sentia o Mogli, o menino preto.

Cotas

Hélio de la Peña

As cotas são uma resposta imediata, porém insatisfatória. Acho que traria mais resultado ter um colégio de alto nível dentro da favela, para aumentar a chance de formar negros e mestiços com condições de competir de igual para igual na sociedade. Preferia que eles tivessem condição de passar no vestibular da maneira que ele é.

Pacificação no Rio

Hélio de la Peña

Espero que não seja uma medida de governo, e sim uma política de Estado. Houve um avanço porque essas comunidades, hoje pacificadas, eram completamente dominadas pelo tráfico. Mas só uma ação policial não vai resolver a violência no Rio. Faltam outros aparelhos do Estado, como hospitais, escolas e material humano. Além disso, esses maus policiais prestam um grande serviço contra o processo de pacificação.

Futuro do humor brasileiro

Hélio de la Peña

A tendência é ter de tudo um pouco, porque tem gente que faz bem personagem, outros fazem stand-up, paródia ou improviso. Antigamente você só conseguiria produzir e divulgar humor se estivesse empregado em um jornal ou emissora. Essa geração agora trabalha a coisa mais crua, fundo de quintal. Por outro lado, tem muita coisa sendo produzida. É fácil fazer um vídeo ruim. Fazer um de qualidade é muito mais complicado.

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