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Contos de aventura

A literatura é realmente uma coisa mágica. Uma simples história é capaz de nos despertar as mais diversas reações ou emoções e mudar nossa percepção sobre questões que víamos de outras formas. Inspire-se por meio destes 15 contos de aventura!

Fábula: O Leão e o Rato

Jean de La Fontaine

Certo dia, estava um Leão a dormir a sesta quando um ratinho começou a correr por cima dele. O Leão acordou, pôs-lhe a pata em cima, abriu a bocarra e preparou-se para o engolir.



- Perdoa-me! - gritou o ratinho - Perdoa-me desta vez e eu nunca o esquecerei. Quem sabe se um dia não precisarás de mim?



O Leão ficou tão divertido com esta ideia que levantou a pata e o deixou partir.



Dias depois o Leão caiu numa armadilha. Como os caçadores o queriam oferecer vivo ao Rei, amarraram-no a uma árvore e partiram à procura de um meio para o transportarem.



Nisto, apareceu o ratinho. Vendo a triste situação em que o Leão se encontrava, roeu as cordas que o prendiam.



E foi assim que um ratinho pequenino salvou o Rei dos Animais.



Para refletir: Nunca devemos subestimar ninguém. Todo ser humano é capaz de algo extraordinário.

Contos engraçados para descontrair

A casa mal-assombrada

ROSIMERI FERNANDES ALVES

Era uma vez uma casa que foi abandonada, porque neste local havia morrido um casal dentro dela e os corpos do casal não foram tirados de lá.

Cada vez que eu e a minha irmã passávamos lá em frente, escutávamos algumas coisas caírem de

dentro dela, mas tinham muitos cacos de vidro na frente daquela casa.

Um dia, eu, minha prima e a minha amiga estávamos passando por lá e escutamos umas pisadas em cima dos cacos de vidro, então nós fomos ver o que estava acontecendo, entramos pé por pé e chegamos perto de uma porta e escutamos barulhos de panelas.

Quando chegamos, fomos abrir a porta e então enxergamos um monte de ossos no chão, nós levamos um enorme susto e saímos correndo, apavorados gritando no meio da rua.

Então, chegarmos em casa com cara de apavorados, nossos pais perguntaram;

O que aconteceu?

Então nós contamos a verdade e eles foram lá ver se era verdade o que aconteceu com a gente, mas para surpresa deles também aconteceu com eles, e eles tiveram que sair correndo com seus carros. E nunca mais foram até lá.



Para refletir: Nesse conto, mesmo com medo, os personagens enfrentam a situação. E você, tem deixado seus medos para trás?

Confira alguns contos famosos

A casa mal assombrada

Gabriel

Em 2004, quatro velhos vizinhos e amigos, Lucas, Marcos, Fernando e Rafael resolveram ir numa casa mal-assombrada com janelas quebradas, portas que rangiam, e que a noite as pessoas que moravam no bairro inteiro ouviam gritos vindos de lá.

No dia seguinte, eles resolveram ir na casa mal-assombrada, mas quando estavam indo, Fernando disse:

Nós estamos indo na casa sem nossos pais saberem disso, se eles ficarem sabendo, irão brigar conosco e eu não quero nem pensar no que eles irão fazer.

- A gente pode ficar de castigo por 2 ou 3 meses ou até para sempre, sem sair de nossas casas, saindo apenas para ir para a aula.

Então Lucas disse:

Vocês estão doidos, é bem melhor este passeio do que ir para a aula e ficar escrevendo até cair o dedo da mão.

E assim eles concordaram em entrar na casa mal-assombrada, mas não aconteceu nada.

Quando retornavam para casa, eles resolveram voltar à noite na casa mal-assombrada, lá pelas 2 ou 3 horas da madrugada.

Quando deu 2 horas da madrugada, Lucas já estava no portão da casa e havia esperado 1 hora por eles que chegaram às 3 horas.

Como era difícil de entrar pelo portão, eles pularam o muro e entraram na casa, já no quintal eles ouviram gritos vindos de dentro da casa...

-Auauau.....

Ficaram com medo, muito medo, mas, mesmo assim eles abriram a porta e entraram na casa mal-assombrada. De repente começou a soprar um vento e apareceu um fantasma, eles quase morreram de susto e saíram correndo mais rápido que um carro de Fórmula 1. Quando eles chegaram no portão da casa eles começaram a gritar:

Socorro, socorro, socorro...



Então os pais deles escutaram e vieram correndo para salvá-los, mas de repente perceberam lá havia um fantasma e começaram a tacar pedras, mas não adiantava porque nada machucava ele.

Por sorte, estava amanhecendo e a claridade do sol fez o fantasma virar pó e tudo acabou bem.


Para refletir: Esse conto foi escrito por uma criança com a imaginação muito aventureira, o que nos mostra que para vivermos boas histórias, basta que viajemos para dentro do nosso próprio imaginário.

9 versões originais de contos de fadas que acabarão com a sua infância

A casa mal-assombrada

ROBSON DE LIMAVELASCO

Certa vez eu e a minha turma da sala de aula fomos fazer um passeio de ônibus na lagoa do Peri.

De repente, o ônibus começou a fazer barulho, e quebrou, estava bem à frente de um cemitério que tinha uma casa abandonada.

Todos descemos procurando por um mecânico, entramos na casa abandonada e numa parede estava escrito “aqui é uma casa mal-assombrada”, todos ficamos com muito medo e chegamos a ouvir uivos de lobos, e um vento muito forte começou a soprar neste momento. Então, na nossa imaginação podemos até ver o professor Frankstein, e nesse momento fecharam-se todas as portas e janelas da casa. Mas foi só um susto, era nosso professor brincando de assombração.

Depois nós saímos daquele lugar, o ônibus estava funcionando normalmente, fomos para o nosso passeio, mas todos não conseguiram esquecer o grande susto que levamos.



Para refletir: Nesse conto, também escrito por uma criança, é possível notar que acontecimentos do cotidiano podem virar boas histórias de aventura, não é?

Viajar pela leitura

Clarice Pacheco

Viajar pela leitura

sem rumo, sem intenção.

Só para viver a aventura

que é ter um livro nas mãos.

É uma pena que só saiba disso

quem gosta de ler.

Experimente!

Assim sem compromisso,

você vai me entender.

Mergulhe de cabeça

na imaginação!


Para refletir: A aventura da leitura pode ser infinita. A cada nova história você é capaz de mergulhar em um universo completamente diferente.

O novo significado dos contos de fadas

Caravelas

Willian Dos Santos Lima

Às vezes dá vontade

De navegar por aí sem rumo

Descobrir a verdade

Por trás de tudo

Então eu peguei meu barquinho

Fiz dois reminhos

Mas quando saí do porto

Pelos portugueses quase fui morto

Fui apenas capturado

E para a prisão fui mandado

Me tornei amigo de ladrões

Apodrecidos nos porões

Mas conhecendo-os bem

A seguinte pergunta me vem

Será que eles realmente são monstros?

Tudo é questão do ponto de vista

Enfim... cumpri minha pena

Agora podia ostentar da liberdade

Então decidi viajar até Vilhena

Viajei até com certa facilidade

Lá me tornei amigo de nobres

Nobres podres

Um deles se chamava Dolores

Era amigo do rei de Portugal

Através de Dolores

Falei com a Coroa Real de Portugal

O rei sofria de dores

E eu o receitei um remédio surreal

O rei resolveu demonstrar sua gratidão

E me ofereceu uma embarcação

E por ai saí a velejar com minha tripulação

Conheci o Oriente e batizei a localização de Azerbaijão

Conheci as famosas Índias

Descobertas por Vasco da Gama

Fonte de sua fama

Mas não parei por aí



Resolvi velejar por mares tortuosos

Habitados por seres monstruosos

Cruzamos o mundo

Nas expedições fomos a fundo

E nestas pequenas e grandes viagens

Descobri diversas paisagens

E foi assim que achamos o Brasil

E foi lá que achamos o pau-Brasil

É... eu vivi uma vida longa

Servi Pedro Álvares Cabral

Vivi feliz

Me achava o tal

Vivi solitário

Nem tanto

A garrafa de rum era uma boa companhia

Perdi as contas de quantas vezes fiz aniversário

Fui preso, liberto

Fui tolo... fui esperto

Tive companheiros honráveis

Outros... odiáveis

Agora estou velhinho

E esta foi minha vida

Começou numa vontade de velejar sem rumo

Num barquinho



Mas eu posso bater em meu peito

E falar com todo o respeito

Apesar de tudo o que sofri

Que foi uma vida bela... a que eu vivi


Para refletir: A vida é realmente muito bela. Não importa as experiências que você viveu, as dores, as perdas, os traumas, as histórias ruins. A vida continua sendo incrivelmente bela.

Cinco contos para valorizar a amizade

Um dia de medo

TAINARA RIBEIRO CONCEIÇÃO (adaptado)

Uma vez, numa escola, 3 irmãos: Bruno, Felipe e Eduardo ficaram trancados no banheiro, com muito medo. De repente, Bruno gritou muito forte – Socorro! E os dois irmãos

perguntaram;

--O que aconteceu? Uma aranha ou uma barata ou um rato te picou?

E o Bruno não parou de gritar. Passaram-se alguns minutos, e então ele parou. E Eduardo disse:

-- O que aconteceu? Explique!

--Tinha uma pessoa perto do espelho nos olhando, mas sumiu!

-- Eduardo disse:

--Olha, é uma mulher! Ela já foi minha professora e morreu ano passado, no banheiro. Estou vendo!

Felipe disse com coragem:

--Ela sumiu de novo, não estou com medo!

--Mentira, está tremendo de medo!

--Como é o nome dela?

E então, a professora chamou Eduardo para sumir com ela. Ele foi. Os irmãos foram juntos. Eduardo disse:

--Que casa feia, Carine! Você mora ali?

Ela disse:

--Sim, claro! onde iria morar?

--Em outra casa mais bonita!

De repente, outra alma apareceu e disse;

--Você tem que sair daqui!

--Porquê?

--Você vão morrer!

Bruno disse:

--É mentira dele! Olha a cara dele!

Bruno ficou. Os outros voltaram para o banheiro e Bruno voltou apenas um ano depois para casa.



Para refletir: A imaginação de uma criança pode ir longe quando o assunto é aventura. E a sua, qual é o limite?

Contos de paixão

Poema | Alto-mar

Liz Olivaraz

E esta terra tão distante

Para além mar

Me chama

São terras, eu sei, intermitentes

Faz barulho

E continua sendo canção

Fui seguindo, seguindo

Me deparei com essa ilusão

Tão lúcida, que tocou o céu prússia

Me abriu o portão

De cabeça para baixo

Contínuo laço, farto.

Tão leve e simpático

Distrai o julgamento

Viro por caminhos não mapeados

Lugares não velejados

Tomou parte e tudo de mim

Quando vi, estava assim

Reluzente, transpondo

O grito clemente

Mais prepotente que penitente

Sinto muito… Não, não sinto, não,

Esse é meu presente.


Para refletir: Qual tem sido seu destino aventureiro? Não viva na mesmice. Aventure-se por onde der!

Conheça esses contos infantis

A aventura da foto

Manoel de Barros

Difícil fotografar o silêncio.

Entretanto tentei. Eu conto:

Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa.

Eram quase quatro da manhã. Lá, o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.

O silêncio era um carregador?

Estava carregando o bêbado.

Fotografei esse carregador.

Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.

Fotografei a existência dela.

Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.

Foi difícil fotografar o sobre. Por fim, eu enxerguei a nuvem de calça.

Representou para mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Nenhum outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva.

A foto saiu legal.


Para refletir: Quantas vezes, durante a vida, tiramos um tempo para nos aventurar nos detalhes? Nos detalhes do bairro, das plantas, da paisagem? Quando foi a última vez que você parou para vivenciar intensamente os detalhes da vida ao seu redor?

Curiosidades sobre os contos

Estrela do norte

Estrela do norte

guiava o norte dos marujos

os descobridores nas caravelas

e das imponentes esquadras

Homens de rija coragem,

intrépidos para a aventura

peito aberto para dura luta,

mas broncos no caráter

Com ambição que só via ouro,

prata e as belas esmeraldas

atropelavam todos à frente

os povos pacíficos e receptivos

do mundo novo, como os incas,

os xeroques e os tupinambás

Tantos países enricados

à custa de muito sangue,

de misérias e escravidão.

Além das doenças que

deixavam de recordação.

Como é fácil doutrinar,

ser sabedor e filosofar,

do seu 'primeiro'mundo,

enquanto estes povos

minguavam devido à

vastidão dos senhorios,

fumadores de cachimbos,

Orgulhosos dos quinhões,

tantas misérias criaram

estes homens de instrução.

Nobres do velho mundo,

duelando com pseudo-elegância,

enquanto a riqueza vinha

dos aventureiros que tinham

sempre um chicote numa...

E, para 'garantir' o perdão,

um crucifixo na outra mão

'mas tem perdão?'

Para refletir: A felicidade provém do íntimo, daquilo que o ser humano sente dentro de si mesmo.

Contos de amor

A maior aventura

Augusto Cury

A maior aventura de um ser humano é viajar,

E a maior viagem que alguém pode empreender

É para dentro de si mesmo.

E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,

Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,

Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas

E descobrir o que as palavras não disseram...


Para refletir: Se na sua rotina anda faltando um pouco de aventura, que tal mergulhar em uma aventura profunda e emocionante? Mergulhe-se dentro de si.

Trechos de livros de Augusto Cury

Exploradores da Existência Terrena

Thomas Stearns Eliot

A vida de um explorador

É deveras cada dia mais maravilhosa

Aonde quer que esteja ou for,

Por isto assim, tão intensa e gostosa.



Redescobrindo a vida por entre as selvas,

Desertos, ilhas, pântanos, chãos e relvas,

Através principalmente da Arqueologia,

Que mostra os cacos do que ali havia...



E, a cada escavação,

A História mais vai comprovando sua afirmação,

Até realmente se tornar a mais pura verdade

Para conhecimento de toda Humanidade.



Muito mais além que mero mito ou ficção!



Também pode ir além do espaço,

Da Terra a levar nosso abraço

Mas, por enquanto melhor esperar

Se pelo menos em Marte irá seguro chegar.



Para refletir: Não deixaremos de explorar e, ao término da nossa exploração deveremos chegar ao ponto de partida e conhecer esse lugar pela primeira vez.

Contos de ficção

Convida-me para sair

Elisa Gasparini

Convida-me para amar como se não houvesse mais

um amanhã para a conexão dos corpos e das almas.

Proponha-me uma aventura nas entranhas da noite,

que sobrepõem as sombras sobre os corpos que amam.

Envereda-me por uma odisseia sob a luz alva do dia,

onde tudo é deslumbre aos olhos dos gatos que nos vigiam.

Nuvens fulgentes anunciam o final do nosso antigo mundo,

auspício estrelante das páginas do nosso novo romance.

Será deleite como o beijo rubro da rosa envergonhada.

Será lento como horas felizes que pareceram um só segundo!

Assopra-me pela boca teu turbilhão de pensamentos,

expande por mim tua libido crescente em sorrisos,

em compromissos com a liberdade, com as turbulências

da nossa cidade, da nossa culpa e a docilidade da fruta.

Convida-me para sair que estou sempre pronta e desarrumada,

de emoção e de ciúmes atordoada, à porta do teu coração.


Para refletir: Que o amor possa ser a maior aventura da nossa vida. Que não hesitemos em sonhar sem limite e viver intensamente cada segundo desse sentimento bonito.

Livros de contos e seus autores

O CÓRREGO DAS ONÇAS

Estava

uma tarde maravilhosa, era sábado e o calor beirava os quarenta e dois graus à

sombra, motivo mais que suficiente para dar um belo mergulho. Não tínhamos

acesso à piscina do clube que pertencia aos grã-finos, aliás, nem chegar próximo

a ela nos era permitido, imagine nadar então, mas isso não era problema porque

há cerca de dois quilômetros da cidade corriam as límpidas aguas do Córrego das

Onças, que num passado remoto abrigara os temidos felinos, porém, a expansão da

cidade acabou por afugentá-los para outras paradas. Curtindo a décima

primavera, eu e mais uns doze amigos embrenhamos pela estrada de terra batida

para chegarmos ao desejado regato. Margeando a estrada, a mata nativa era

encantadora, mas oferecia relativos perigos, pois ainda abrigava pequenas

espécies selvagens, na maioria pássaros, alguns símios e cobras naturalmente.

Isso não intimidava a “molecada” que não via a hora de fazer tchibum no

concorrido riacho. A maioria do caminho era de terra plana que se transformava

em declive nas proximidades do córrego, culminando na ponte que servia de

trampolim para os deliciosos mergulhos da garotada.

Era pura

festa, todos sabiam nadar, mas a profundidade do ribeirão não atingia mais que

um metro e meio de água, portanto não havia muito com o que se preocupar em

relação a afogamentos. Tudo corria bem, a gente pulava da ponte, aproveitava a

correnteza, saía da agua e retornava para repetir o mergulho, era uma delícia.

Em determinado momento, o Bá, meu irmão mais velho, que era uma espécie de

líder, fez a proposta que poderia ter me levado para o “outro plano” mais cedo.

O desafio foi dividir a turma em dois grupos e apostar corrida na água-(nadando

é claro). A gente mergulhava da ponte aos pares e quando chegava ao barranco, à

vinte metros, autorizava o companheiro a mergulhar e fazer o mesmo até acabarem

os competidores. No sorteio-(acho que de propósito) meu irmão usou de

malandragem e escolheu-me como rival e a gente seria a última dupla a cair na

água. Eu nadava melhor que ele e ainda teria a correnteza a favor, tava no

papo, pensei, hoje ele vai se lascar. O que eu não contava era que os nadadores

que pularam antes iriam fazer a diferença e complicar minha performance-(chic,

essa palavra, né?) mesmo assim fiquei ansioso esperando para cair na água. E vai

um, vai outro e mais outro, disputa acirradíssima, mas o penúltimo companheiro

de equipe me ferrou.

O garoto

era muito lerdo e quando ele tocou no barranco para liberar meu mergulho o Bá

já estava na água, mesmo assim fui à busca do prejuízo. A distância a ser percorrida

era pequena, e a correnteza e meu peso favoreciam, então ultrapassei-o e

quando fui tocar no barranco para a vitória senti sua mão em meu ombro e

afundei. Nenhum de nós sabia, mas a água havia esculpido um enorme buraco

naquele local e eu fui sugado por ele. Inexperiente para resistir à força da

correnteza que me puxava para baixo, prendi a respiração o máximo que pude e fui

tentando subir, tentando subir até que finalmente consegui, porém fiquei

exausto e ao me agarrar ao barranco e sair da água, fiquei ali deitado por uns

cinco minutos enquanto o Bá comemorava a vitória com seus companheiros de

equipe. Ninguém desconfiou ou se preocupou com o momento de desespero que

passei. Pelo contrário, eles me chamavam de perdedor e tiravam sarro na minha

cara enquanto eu buscava a maior quantidade de ar possível para me recuperar do

incidente. Na volta para casa, estava aliviado por sobreviver e hoje, quarenta e

dois anos depois daquela longínqua tarde de verão do ano de 1972, quando os

amigos me chamaram de derrotado, eu tenho a plena certeza de que fui o

vencedor...

Para refletir: Muito do que somos depende do que acreditamos realmente sermos. Você é derrotado ou vencedor? Cabe a você decidir.

Contos de assombro