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Foi melhor desistir de nós

O tempo não apaga momentos incríveis de nossa memória, muito menos pessoas que amamos de nosso coração. Mas, às vezes, nem o amor é o suficiente para manter uma relação e desistir é a melhor saída.

Presente do indicativo

Eu estou aqui. É preciso me lembrar várias vezes de que eu continuo aqui e que isso, por si só, é o único motivo possível para se querer continuar em frente. Estar aqui é ter vindo de algum lugar e melhor, de algum lugar com você. Que enquanto viemos juntos, o caminho foi escarlate e dos mais bonitos que já vi. Que esse romance inacabado é parte das palavras que morrem na língua e renascem na memória do que é intocável.
Agora caminho só e não significa solidão, e sim solitude, que é a glória de estar só. Amor é terra de ninguém, é encontro e, olha só, nos encontramos a fim de entrar em erupção, a fim de desenvolver uma nova teoria sobre sentidos e afetos. Duas almas dispostas a desafiar tempo e o espaço.
Desistir parece amargo, mas é agridoce. E corajoso. É pular sabendo que pode cair. Me preocupo onde seu caminho sem mim vai dar, até entender que não me cabe nem onde o meu vai chegar, que daqui pra frente o que existe é tudo aquilo que você deixou de som pra ilustrar esse caminho de cor ainda misteriosa. A natureza não desiste, tudo se reinventa. Você é uma parte extraída do meu melhor discurso, fragmentos de sol e chuva, mais pra frente de um sol e de uma chuva, até eu parar de escrever pra encostar em você e aprender que não me matei cortando os impulsos. Que só abri as mãos e soltei o que não podia mais segurar.
Estar aqui é poder voltar ou seguir, e voltar pode ser retroceder, que onde não há novidade, as células morrem. É preciso outras erupções e outros abismos. É preciso estar aqui e não onde já estivemos um dia. O único lugar certo é aqui.
Eu estou aqui. E você, de algum jeito, também está.

Mesmo assim

Fumo o último cigarro do maço olhando para o teto, a luz amarela do abajur ilumina parte do seu rosto. Imerso num sono profundo, sono de prazer satisfeito. Alguma coisa está errada, não estou feliz. Não tem sido bom.
Há alguém em minha casa, existe alguém fazendo do seu corpo, moradia. Meu lar foi invadido. Sinto que pequenos cômodos já não são meus. E eu, o que faço?
Desde que fui, corri esse risco, mas assistir é sempre pior do que imaginar.
Não nos víamos há alguns meses, não transávamos há alguns meses. E o que mudou? Nada. Ainda somos pares incompatíveis. Não encaixa.
Não consigo lidar com o amor que não sente por mim, não consigo ver a foto dela no seu quarto, nunca houve foto minha. Não fosse meus chinelos espalhados, meus grampos de cabelo caídos no chão, o post it escrito “Existem sete bilhões de pessoas no mundo e não preciso conhecer todas elas pra saber que você é minha preferida”, não fosse o azeite espanhol que usei uma vez e ainda está quase cheio, ninguém saberia que eu estive aqui. E eu estive tantas vezes.
Entrar na sua casa hoje, depois de tudo, depois do fim, depois do cara que conheci, depois dela, depois de hoje, depois da risada gostosa que demos pouco antes de você me beijar, foi a coisa mais esquisita que aconteceu comigo.
Eu não faço mais parte desse lugar e essa era minha única certeza na vida.
E se agora não é? Então o que é? Estou com medo de sobreviver somente na lembrança de um dia sentada na sua varanda, plantando um girassol, afirmar a coisa mais difícil da minha vida: “Eu não estou inclusa no seu futuro”. E você me olhou triste e fez um silêncio que concordava comigo. Aquele silêncio me assusta até hoje.
Depois de alguns minutos, tudo que você me disse foi: “Precisa de mais terra aí.” Coloquei mais terra. Sempre pensei nisso como uma metáfora para que eu enterrasse meus sentimentos.
Depois que você desceu para comprar cigarros eu chorei até terminar de plantar. Improvisei uma plaquinha e antes de fincar no vaso, escrevi: “Eu vou te amar mesmo assim. Pra sempre”. E fui embora antes que você voltasse. Descia as escadas e me lembro de pensar que você compraria o cigarro mentolado porque eu prefiro.
Hoje, quando entrei aqui notei que meu girassol está lindo. Desconfio que realmente plantei sentimentos ali.
A placa ainda está lá e eu me emocionei quando vi que você escreveu embaixo “Eu também”.
Agora, aqui, enquanto dorme, eu percebo que você me ama mais do que eu sempre achei. Não o suficiente pra realidade, o suficiente pra eternidade.
Pra que uma história nunca termine, ela nunca deve começar.
A nossa história nunca começou, meu amor.
Que toda minha insegurança seja perdoada. Agora entendo que nunca foi você, era sobre mim.
Daqui pra frente, vou só, nos deixo em seu jardim.
Te amo de modo que influencia a órbita desse planeta.
Bom dia.