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Poesia Retrô

Muitas poesias para você refletir os mais diversos assuntos e se enriquecer culturalmente. Poesia nunca é demais.

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Distância

Ivan Eugênio da Cunha

Metros, quilômetros ou anos luz;
Mensuram este espaço trivial,
Mas distância mensura muito mal;
A distância que a mente reproduz,
Pois Saudade no cérebro reluz;
O passado, em delírio neuronal,
Faz distância no tempo ser banal
E a sombra da presença virar cruz.
Disseras que, p´r´as minhas agonias,
A distância - quilômetros e dias -
Seria tal remédio é p´ra doença,
Mas digo-te, contrário à rija lex;
Naturalis, nem mil quiloparsecs;
Fariam dessentir tua presença.

Meus Sonhos

Renan Tempest

Que leve os meus sonhos a brisa leve
Para um canto seguro, onde haja encanto,
Onde não há de entrar o triste canto
E nem a fria neve a entrar se atreve...

Ah! se é que nesta vida tanto breve
Pode-se resguardá-los sob o manto
Da doce paz e do acalanto santo
Em um mundo em pranto e com o amor em greve...

Sim, é esta a verdade que me invade
A melancólica alma em soledade:
Ah! não quero vê-los morrer tristonhos!...

Não quero que se vão mui solitários
No vão dos falsos sentimentos vários,
Pois não há vida — nem nada — sem sonhos!

O Vampiro

Renan Tempest

Aquele que outrora foi execrado
A viver só, nas trevas solitárias,
A olvidar o amor e as belezas várias,
E a nutrir-se de sangue despojado;

Aquele sem porvir e sem passado,
Que vaga pelas campas funerárias,
Procura a morte em noites mortuárias
E é eterna sua dor qual seu fado;

Aquele já afeito à solidão,
À tristeza e à lúgubre escuridão,
Eis o mais tétrico ser: o vampiro!

Ah, e sou tal como ele em minha dor:
Acho a morte o que há mais encantador,
E, por ela, tristemente, suspiro!

Onírica Alegria

Renan Tempest

Indagam-me: "Por que tu és tristonho?
Por que versas só da vida a tristeza,
Enquanto no mundo há tanta beleza?"
E, tristemente, a responder me ponho:

"A vida não é mais que um negro sonho,
Onde reina a amaríssima frieza,
Morreram-se o amor e a delicadeza;
Não há motivos pra viver risonho."

"Amigo," — eles retrucam — sim, há mal,
Mas também há alegria. Nada val
Viver em eternal melancolia."

E eu respondo: "Se alguém não sente a paz,
Este mundo jaz triste e não me apraz;
Se nele tem mal, não alegria."

Lápis Lazuli

Gabriel Rübinger

DESFAZ-SE no brancor angelical das ondas
manhã de abril, o azul em tudo, o mar em mim
soprando aquele adeus. Na luz do peito aberto,
os sonhos que perdi, as juras de um amor.

Deixei no sal do mar o sal de todo o pranto
de todo o pranto azul que em gota refletia
o abril daquele céu, sem pérola de nuvem,
e um outro mar descia às ondas de meu rosto.

Adeus! Palavra que guarda em seu fundo o sopro
da morte de um passado, o estrondo do silêncio
e que na tempestade de uma noite infinda
apaga o último farol das ilusões.

Na tinta esmeraldina de uma doce tarde,
hoje já morta, pálida lembrança, resto
de um sonho gracioso, à flor de seus cabelos
em juras consagrei o amor de meus delírios.

Em vão! De um riso evanescente, o seu reflexo
é tudo o que eu guardo, o sal das ondas brancas,
o peito apunhalado pelo céu de abril,
e o mar impiedoso, a sussurrar: adeus.

Medos e Remorsos

Renan Tempest

Sofrendo pelo medo de sofrer,
Entre angústias e dúvidas eu vivo.
E tais aflições das quais sou cativo
Perfazem-me não mais querer viver.

Pelo simples temor de algo não ter,
Quanto remorso que na alma cultivo!
Quantas lembranças lâmures revivo,
A cada dia e a cada hora em meu ser!

São tantos ecos em meu coração!
E que jamais se vão da escuridão
Dos meus sonhos mais gélidos e amargos...

Pudesse a vida dar-me o esquecimento
De todas as verdades que lamento,
Tornando as dores dúlcidos afagos...

O Tempo me Responderá

Rommel Werneck

Parado. De pé. Sentado. Genuflexo.
Perdido na vida e rezando um rosário...
Perdido na vida e sempre solitário...
Vendo no chão, lúgubre e torto reflexo.

Eu, o pródigo filho, inconstante e disperso
Pensando naquele passado lascivo...
Pensando naquele grande sonho esquivo...
Vendo no chão, um jovem cansado e perverso.

Oh! Dúvidas! Oh! Quantas inseguranças!
A vida-- vazia estação em que se espera...
Oh! Dúvidas! Oh! Quantas desesperanças!

O que eu quero ser? O que acontecerá?
Como viver nesta triste primavera?
O tempo, só o tempo me responderá!

 

A Chuva

Ivan Eugênio da Cunha

Lá fora a chuva cai de lado a lado
Além da transparência da janela
E penso que é um espelho que revela
A mim o que é de mim não revelado.

Vasculho em suas gotas meu passado,
Nas dores eu caminho dentro dela
E penso que é um espelho que revela
O pranto que já tenho derramado.

"Oh! Chuva, que murmuras brandamente?
Qual mistério se encerra em tua mente?"
Eu pergunto às mil lágrimas prismais.

Mas nada ela me diz, nada me fala...
Como é vão... Como é vão interrogá-la!...
A chuva é só a chuva e nada mais.

O Amante

Ivan Eugênio da Cunha

O amante sente júbilo profundo;
E da razão mui pouco espera e sente.
Só sente a voz serena doutra mente;
E co´ela erige o sonho mais jucundo.

Ele tem no seu âmago uma lente;
Que, audaz, naquela voz converge o mundo,
Transmutando-o em mil versos dum facundo;
Poema epopéico, rutilantemente.

Ah! bêbado das ledas fantasias;
E todas as divinas eufonias,
O amante, d´esperanças, é cobrido.

Mas tudo, ao fim, se faz demência e dor,
Pois sempre o vinho idílico do amor;
Num cálice de chumbo vem servido!

Inverno

Renan Tempest

Estação da lugência e da morte:
Quando os sonhos virgíneos fenecem
E as lembranças alegres se esvaecem,
Sem que dentro de nós algo importe...

Quando o vento corrói frio e forte,
Nossas almas — que tristes adoecem —
E entre as flores fanadas perecem,
Sem que um último beijo as conforte!

Quando não há nenhum acalento,
Só a lástima do desalento,
Na infindável e mor solitude!

Quando a luz da manhã nos assombra
E o desejo é viver pelas sombras,
A chorar... e a chorar amiúde...

Rommel Werneck

Só! Sem bonança dança, luz, ó luz!
Na solidão perpétua do viver...
Só! Com medo segredo, cruz, ó cruz!
No luto eterno deste alvorecer...

Só! Sem amor calor, alguém, ó alguém!
Na necrópole lúgubre e perdida...
Só! Com sombra que assombra, alguém, ó alguém!
Na floresta sanguenta desta vida...

Só! Chorando exalando negro sangue,
Sangue horrendo, infeliz, morto e ruim,
Morto e ruim querendo amor e dó,

Dó e caritas, amor, tudo tão só.
Só! Sem cor, sem ninguém, sem luz, sem fim!
Afundando-se neste rubro mangue...

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