Mensagens Com Amor Menu Search Close Angle Birthday Cake Asterisk Spotify Play PPS Book Download Heart Share Whatsapp Facebook Twitter Pinterest Instagram YouTube Telegram Copy Up Check

Siga-nos

Lucinha Araújo

Mãe de um dos maiores nomes da música brasileira, Lucinha Araújo se tornou exemplo ao superar a tragédia do filho morto por AIDS, fundando a Sociedade Viva Cazuza, que ajuda pessoas infectadas com o vírus HIV.

02/08/1936
continue lendo
Compartilhar

O que acha do combate a AIDS no Brasil

Lucinha Araújo

Infelizmente, a AIDS saiu de moda. As campanhas do governo federal nunca foram muito eficientes. Pelo contrário. São muito pontuais. É como se as pessoas só pudessem contrair o vírus da AIDS no Réveillon e no Carnaval. As pessoas precisam entender que a AIDS ainda não tem cura. O melhor remédio que existe contra essa doença é a informação. Ao contrário de outras doenças, como alguns tipos de câncer, por exemplo, a AIDS é uma doença plenamente evitável. Como? Fácil! Não compartilhe seringa com usuários de drogas, não transe nunca sem camisinha e assim por diante. É só você seguir essas regras que dá certo. Se você disser: “Não vou ter essa doença”, acredite: você não terá.

Fazer o filho feliz

Lucinha Araújo

Quando se coloca um filho no mundo, acho que é a obrigação dos pais tentar fazê-lo feliz, nem que seja à custa de sua própria felicidade. Consequentemente, aceitar o filho como é não só o torna mais feliz, mas a mãe também.

Preconceito contra os soropositivos

Lucinha Araújo

Já foi pior. Digo isso por causa da Sociedade Viva Cazuza. Quando começamos, a vizinhança não aceitava bem a ideia. Hoje, quando há festinhas aqui, os amiguinhos do colégio vêm prestigiar e passam a tarde brincando com as nossas crianças. Mas, preconceito, infelizmente, vai existir sempre. Preconceito é fruto de falta de informação. E de mau-caratismo também. As pessoas ainda têm preconceito contra cor, raça, religião, opção sexual... Não vão ter contra a AIDS?

Se falta um Cazuza na música atualmente

Lucinha Araújo

O Cazuza deixou um buraco que ainda não foi preenchido. Ele e o Renato Russo. A diferença era que o Cazuza era geneticamente alegre e o Renato geneticamente triste. Mas eles se completavam. Quando o Renato surgiu, ele disse “Agora preciso caprichar. Apareceu um cara melhor que eu”.

 

Sobre falar da intimidade nos livros

Lucinha Araújo

Eu sou assim. Minha vida é um livro aberto. Nisso eu e Cazuza somos muitos parecidos. É claro que não vou fazer inconfidências, falar nada que o meu marido não queira. Mas eu não tenho nada a esconder. Para mim é um ‘lavar a alma’. Minha alma é tão castigada pela perda do meu filho... Quem já perdeu um filho vai me entender. Há também a questão financeira. Esses livros me ajudam a manter a Sociedade Viva Cazuza.

Verso do Cazuza que mais a inspira

Lucinha Araújo

Ah, o meu favorito é “Quem tem um sonho não dança”. A Sociedade Viva Cazuza foi um sonho que eu consegui realizar. Quando a gente tem um sonho, por mais difícil e inatingível que ele possa ser, sempre encontra motivos para lutar. Pessoalmente, não saberia viver sem sonhos. No momento, o meu maior sonho é manter a ONG. Além das 24 crianças que atendo aqui, ajudo também 140 adultos soropositivos. Entrego cestas básicas, ensino a tomar remédios, dou palavras de carinho... Sinto que eles adoram conversar comigo. É como se as minhas palavras pudessem ajudá-los em alguma coisa. Se eles pensam que pode, quem sou eu para dizer o contrário, não é mesmo? Enquanto eu tiver forças, apesar dos meus nove stents, do meu marca-passo e do meu câncer de mama, quero ajuda-los no que for possível. Meu coração, já deu para perceber, é bastante castigado por amar demais. Acho que o Cazuza teve a quem puxar... O Caetano costuma brincar, dizendo: “Lucinha, a verdadeira exagerada aqui é você!"... (imita a voz de Caetano Veloso)

Qual a história mais comovente no livro O tempo não para?

Lucinha Araújo

São tantas... Pessoalmente, tenho um carinho muito grande pelo Newton, que foi a primeira criança que recebi na ONG e está aqui até hoje. Embora seja soropositivo, o Newton tem muita saúde. Felizmente, nunca teve nada. Lembro do dia em que a FUNABEM ligou para cá, disse que tinham abandonado um bebê de três meses lá e perguntou se não podíamos buscá-la. Na mesma hora, peguei o carro e fui. Levei fralda, babá, mamadeira, tudo o que você puder imaginar. Quando encontrei o Newton, ele mais parecia um pinto molhado... (risos) Na época, a médica não deu muita esperança. Afinal, ele tinha todas as infecções possíveis e imaginárias: de herpes a pneumonia. Graças a Deus, ele resistiu. Hoje, tem 17 anos e vai concluir os estudos no ano que vem. De vez em quando, pego o carro e vou até São Cristóvão, onde ele estuda. Gosto de dar umas incertas para ver se ele foi à aula mesmo. Fico dentro do carro como quem não quer nada. Quando ele me vê, leva cada susto...

Um balanço da Sociedade Viva Cazuza

Lucinha Araújo

A meu ver, o balanço é mais do que positivo. O número de mortes é pequeno em relação aos anos de Sociedade Viva Cazuza. Quando o Cazuza estava vivo, só havia o AZT. Hoje, existem mais de 20 tipos de antirretrovirais. Todos os anos, de 1986 para cá, sai um novo. Ainda hoje, não me esqueço do dia em que perdi o Marcelo, uma das três crianças que não resistiram à doença. Ele era surdo-mudo e apresentava problemas psiquiátricos. A certa altura, teve meningite, foi internado e não resistiu. Foi a primeira criança que perdemos. É sempre um baque perder um filho para AIDS. A gente pensa que não, mas, infelizmente, essa doença ainda mata muita gente. (Desde que foi fundada, em 1990, a Sociedade Viva Cazuza já atendeu 75 crianças com diagnóstico de HIV. Deste total, apenas três não resistiram à doença.)

Se cuidar das crianças ameniza a saudade de Cazuza

Lucinha Araújo

Olha, eu diria que cuidar delas ajuda a ocupar o meu tempo. Quanto a amenizar a saudade do Cazuza, acho que não. Não ameniza e, para falar a verdade, nem quero que amenize. Ainda hoje, sinto saudades do meu filho. E, quando sinto falta dele, choro. Acho que tenho todo o direito do mundo de chorar. Ninguém vai preencher o vazio que ele deixou. Gosto de saber que sou útil para essas crianças, que elas gostam de mim e que dei qualidade de vida a elas. Mal sabia o Cazuza que, um dia, ele teria tantos irmãos...

Maior dificuldade para manter a Sociedade Viva Cazuza

Lucinha Araújo

A pior dificuldade é sempre a financeira. Não há outra! De vez em quando, faço o que posso para tirar a ONG do vermelho. Organizo eventos beneficentes, vendo ingressos de shows, faço leilão de obras de arte, entre outras coisas. Sempre invento um negócio diferente. Em 2004, também estávamos na pior. Mas, aí, vendi o argumento do livro, o filme foi um sucesso e vivemos felizes por dois anos. Além disso, eles também me doaram 10% da bilheteria. Felizmente, “Cazuza – O tempo não para” foi o filme mais visto do ano. Depois disso, o livro Só as mães são felizes passou a vender mais. Já passou dos 100 mil exemplares vendidos.

fechar