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Zico

Zico foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, conquistou diversos títulos e entrou no olimpo dos grandes craques da história. Confira aqui grandes frases e declarações do Galinho de Quintino e eterno camisa 10 do Flamengo.

03/03/1953
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Qual foi o título mais marcante?

Zico

O Estadual de 1978, com o gol do Rondinelli, foi marcante. Ali nossa geração estava com aquele ponto de interrogação. Ganhamos 74, alguns jogaram, mas depois, não conseguimos nem chegar em final. Aquele título deu a segurança para todos nós de que realmente tínhamos valor. Esse foi um título muito importante, de muita recordação, da forma como ele aconteceu. Um ano antes, tínhamos perdido da mesma forma para o Vasco, nos pênaltis.
O da Libertadores, da mesma forma, que foi a questão da violência que a gente sofreu, das dificuldades das viagens, contra tudo e contra todos, e a gente foi superando todo mundo. Acho que aquela foi a vitória da arte contra a violência. E o de 87, a Copa União, que a gente enfrentou uma série de dificuldades. Muitos criticavam, diziam que a base já estava envelhecida, que não ia dar mais caldo.

Se pensou em fazer outra coisa, além de jogar futebol

Zico

Quando eu era criança, não sabia o que ia fazer. Meus irmãos jogavam, e tinha aquela coisa de você ver que joga bem também, é muito solicitado. E lógico que pensei em querer jogar. Mas naquela época a gente ia para o futebol sem as aspirações de que um garoto vai hoje. Era uma coisa mais de lazer, de coração. Tanto que eu estava acertado para ir para o América, e houve um convite para o Flamengo. Era meu time de coração, e optei pelo Flamengo.

O que mais o orgulha ao longo da carreira profissional

Zico

O respeito da minha classe, os profissionais da minha área. Sou sempre citado pela maioria deles. É o maior legado que você pode deixar. Ter o respeito da geração que jogou contigo, das gerações que vieram depois, que te tem como exemplo, referência, estou sempre sendo citado. É uma coisa espontânea, que vem de dentro dos caras mesmo. Isso mostra que a forma que eu me dediquei, os dias que me entreguei à profissão, valeram a pena.

Ida para o Japão

Zico

Eu pude jogar tranquilamente lá porque não tinha responsabilidade e nem pressão de jogar. Jogava por jogar. Minha ida para lá, pensei que fosse fazer mais as coisas fora do campo. Aí me disseram que iria jogar. Era segunda divisão, e só subiríamos se chegássemos em 1º ou 2º lugar. Aos poucos, fui moldando até mesmo os japoneses. Muitos que jogaram não queriam ficar no campo, queriam voltar para a fábrica. Metade do time continuou trabalhando, metade quis ser profissional. Deu para jogar, pude mostrar mais para os que viraram profissionais. Fui treinador, preparador de goleiros, roupeiro, massagista, fiz de tudo um pouco. Orientei tudo. Só tinha uniforme para o jogo. Cada um levava o seu, a gente que lavava a nossa roupa. Aí comecei a organizar tudo, a fazer com quê a gente começasse a pensar como era profissionalmente.
Acabamos em 2º lugar, eu fui o artilheiro da competição, e tudo se transformou. Veio o profissionalismo, e o Kashima já ficou entre os quatro finalistas no primeiro campeonato. Daí, Kashima passou a ser referência. Vieram título e títulos, e as outras equipes copiavam o que a gente fazia. O Japão cresceu, e hoje é o que é na Ásia.

Estreia no profissional

Zico

Estreei em 1971 no profissional. 70 foi o último ano de escolinha e parte de 71 no juvenil. Joguei o Campeonato Brasileiro inteiro. Acabei indo para a Seleção Olímpica, e não fui à Olimpíada.

Faltou conquistar a Copa do Mundo?

Zico

Acho que não. Eu queria ter ganho, mas o que vou fazer? Muitos aí queriam ter ganho, mas se Deus não quis, o que vou fazer? Eu joguei para ganhar. Não é algo que me incomode. Ganhar ou perder faz parte da competição. Se eu não jogar, é outra coisa. Imagina eu, com minha história, não ter sido convocado para uma Copa do Mundo, tudo bem. Agora, eu tive todas as chances. Não deu, não foi possível, paciência. O que vai se fazer disso? Vou deixar de seguir meu caminho por causa disso? Não, especialmente porque não faltou dedicação e empenho para que eu vencesse.

Além da técnica, o que diferenciava aquele time do Flamengo?

Zico

Era um time com qualidade técnica maravilhosa, de todos. Era um time altamente solidário, altamente profissional. Era um time que ambicionava vitória. A gente queria jogar, estar dentro do campo. A gente queria estar juntos, seja nos treinos, seja nos jogos. Então, a gente formou um grupo muito forte. Alguns jogadores que desvirtuavam daquela filosofia, não davam certo. E eram bons, podiam ser bons, mas tinham que entrar naquela filosofia. A gente se divertia, brincava no momento que tinha que fazer isso, mas na hora do sério, era sério. Acho que essa era a grande diferença, de ter jogadores que eram bons, se cuidando, dentro e fora do campo. E sabíamos que éramos o alvo também. Todo mundo queria bater na gente. Se não estivéssemos bem preparados...

 

Ida para o Flamengo

Zico

Cheguei a jogar uma partida na escolinha do América, lá no Andaraí. Tinha 12 para 13 anos. Na semana que ia começar a treinar lá, o Celso Garcia (radialista, morto em 2008) tinha ido me ver jogar futsal no River (clube situado na Abolição, zona norte do Rio). Ele gostou, foi na minha casa, e pediu ao meu pai para me encaminhar para o Flamengo. Preferi o Flamengo.

Uma outra profissão que poderia ter ocupado

Zico

O futebol foi o caminho natural. A única profissão que eu poderia ir seria para o piano. Estudei um ano de piano. Minha mãe gostava de piano. Nenhum filho quis saber antes. Então, ela colocou o caçula para aprender. Estudei, aprendi, toquei na televisão, inclusive no programa do Ted Boy Marino com a Célia Biar, na Globo. Era um quadro em que alguém de outra profissão fazia outra coisa. O Edu e o Antunes, que jogavam, foram lá cantar. Cantaram Tristeza, do Zé Keti. Devia ter uns 11 anos.

Quando percebeu que o Flamengo entraria para a história

Zico

Acho que quando ganhamos o Brasileiro de 1980, deu para ter uma noção de que se a gente se mantivesse naquela linha, iríamos alcançar os títulos que o Flamengo ambicionava, que era a Libertadores e o Mundial. O Mundial não é o mais complicado, o mais difícil é a Libertadores. Talvez o Brasileiro seja mais difícil ainda, porque havia 10, 12 equipes que poderiam ser campeãs. Era muito time bom, era só clássico.

Os grandes times que enfrentou

Zico

Acho que Atlético-MG e Grêmio, né? O Grêmio também era uma paulada, era um timaço, forte. O Atlético-MG tinha Luisinho, Cerezo, Reinaldo, Éder, João Leite... O Grêmio tinha Paulo Roberto, De León, Leão, Renato, Paulo Isidoro, Batista, Baltazar... Era muita fera. Corinthians tinha Sócrates, Casagrande, Zenon, Wladimir. São Paulo tinha Valdir Peres, Oscar, Daryo Pereira, Renato, Serginho, Zé Sérgio, Mário Sérgio.

O que o Flamengo significa para você?

Zico

O Flamengo sempre foi a minha segunda casa. Depois da minha casa, era o lugar que eu mais me sentia feliz. Meu time de coração, que aprendi a gostar graças ao amor do meu pai ao Flamengo. Ele era um torcedor apaixonado. Cada filho que nascia, ele dava um uniforme completo. Ter o prazer de poder participar das maiores conquistas do Flamengo num período foi a coisa mais importante da minha vida. Quando perguntam sobre o que queria que acontecesse na minha vida, eu só respondo que queria jogar com a camisa 10 do Dida. Meu ídolo e ídolo da minha família. E Deus foi generoso comigo porque me deu logo essa camisa quando comecei a carreira. Dignifiquei e honrei a camisa do Flamengo como jogador e como torcedor.

Sobre a frustração de não para as Olimpíadas de 1972

Zico

Foi uma tristeza grande, foi a única hora que eu quis parar de jogar futebol. Quando terminou 71, eu tinha feito o gol da classificação, a gente tinha sido campeão do Pré-Olímpico lá na Colômbia. Daí, entramos de férias. Tinha mudado tudo no Flamengo. O Solich (Fleitas Solich, paraguaio que treinava o time) saiu, veio o Zagallo, que me chamou e me disse que eu era muito jovem, e achava que não ia contar comigo. Se eu quisesse continuar treinando lá, não teria problema. Só que como eu não participava do grupo, a gente não treinava. Ia para a Gávea, mudava de roupa, e se precisassem, chamavam. Se não, ia embora para casa. E nisso, o Antuninho, que era técnico da Seleção, foi à Gávea falar comigo, para que jogasse e treinasse e tivesse condições de ser convocado. Voltei para o juvenil, todos ficaram felizes. Fui artilheiro de novo, fomos campeões e o cara não me convocou.

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