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Héctor Babenco

Importante nome do cinema nacional, Héctor Babenco nasceu na Argentina em 1946, mas se naturalizou brasileiro. O diretor foi responsável por um dos mais lembrados e premiados filmes do país: Carandiru. Foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor por O Beijo da Mulher-Aranha. Morreu em 2016, aos 70 anos.

A perfeita imperfeição

Héctor Babenco

Contento-me em ser uma pessoa não resolvida, porque acho que das minhas imperfeições, ainda sairão coisas interessantes.

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Não sente frio

Héctor Babenco

Desde que fiz o transplante de medula, minha sensação térmica mudou. As pessoas sentem muito calor, e eu não. E, quando sentem frio, eu sinto menos. Nunca comentei isso com nenhum médico. É uma curiosidade.

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Eterno aluno

Héctor Babenco

Marília Pêra foi crucial para mim.

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As feridas da alma

Héctor Babenco

Você não passa impunemente pelo que acontece com você. É óbvio que cicatrizes ficam. Não no corpo, mas na alma.

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Lilian Ramos

Héctor Babenco

O destino dela é permeado de sósias. Ganhou a primeira notoriedade por ser sósia de Fafá de Belém e a segunda por se engraçar no sambódromo com um sósia de Presidente da República.

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Dificuldades na aprovação de projetos

Héctor Babenco

Não aguento mais. Estou de saco cheio de tudo isso.

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8 anos sem poder lançar filmes

Héctor Babenco

É a tragédia de não poder filmar no Brasil. De ser rejeitado por editais. Não conseguir recursos para fazer cinema. A possibilidade de trabalhar com recursos privados esmoreceu. O cinema não é uma indústria aqui, aquela que dá retorno, considerando nossos modelos de produção.

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Mostra de seu filme sem autorização

Héctor Babenco

Eu tive de criticar. Eu simplesmente alertei que alguém estava fazendo algo indevido. Eles fizeram apropriação indébita. Só isso. Vou matar, sair por aí com revólver? Não. Eles que se cuidem, cara. Eles têm as responsabilidades deles e eu tenho as minhas.

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Dificuldades em produzir no Brasil

Héctor Babenco

É por isso que estou morando no Brasil e não voltei para os Estados Unidos, onde tenho um nome enorme, ou fui para a Inglaterra ou a França. Teria dificuldades de me encaixar no sistema produtivo deles. Estou um pouco cansado do modelo brasileiro: “Ei, me dá um dinheiro aí!”. Não quero mais ter de enfrentar sabatinas em empresas estatais para defender o meu projeto e dizer quem eu sou e o que eu quero fazer. Acho que já tenho uma folha corrida com um razoável currículo de trabalho por esse país, que é o meu.

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Produtor e tudo mais

Héctor Babenco

Eu meto o bedelho em absolutamente todas as áreas. Em O Passado, o vestuário inteiro é meu, as locações foram quase todas descobertas minhas. Num modelo estupidamente profissional eu entraria em rota de colisão total com todos os meus colaboradores.

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Sangue brasileiro

Héctor Babenco

Não sou um argentino que mora no Brasil, como a imprensa costuma dizer. Sou um brasileiro que nasceu na Argentina. É assim que me vejo.

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Culturas muito diferentes

Héctor Babenco

Na cultura em que eu cresci, na Argentina, a melancolia era uma moeda forte e a alegria, o prazer, o humor e a diversão eram sentimentos menores. No Brasil, vi que esses sentimentos eram muito mais vitais, existencialmente falando, que a melancolia, a fossa, a depressão. devo reconhecer que ainda não consegui encontrar o caminho daquilo que me fascina, que é a alegria, e continuo muito preso ao sentimento muito enraizado em mim, que é o desencanto. Desencanto pela perda, pela injustiça social.

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Inspiração para seus filmes

Héctor Babenco

Minha indignação ante o modelo de exclusão social do Brasil é algo que me motivou a fazer filmes, desde Pixote. Não sou movido por ambições políticas nem por necessidade de propaganda subliminar nos meus trabalhos. Sempre acreditei em projetos em que, por mais abjeta e cruel que fosse a realidade, podia tentar resgatar a individualidade e a humanidade dos personagens mais terríveis. Sempre estive mais próximo de Camus do que de João Ubaldo Ribeiro.

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Sérgio Camargo

Héctor Babenco

Foi uma figura tão importante quanto meu pai, me ensinou tudo sobre estética, sobre disciplina, sobre o rigor, sobre não ceder à tentação do mercado.

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Cada ser é único

Héctor Babenco

Aos 17 anos, quando a minha cabeça começou a ser feita, dei um pontapé na bunda do Partido Comunista. Achei que aquilo tudo, que trabalhava com a possibilidade de uma revolução futura não era algo que me interessasse e devo isso aos escritores beatniks, que me ensinaram, de alguma forma, o prazer de viver uma aventura existencial e isso me fez abandonar o Partido Comunista, eu não queria ser um monte de gente, eu queria ser eu.

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Infância pobre

Héctor Babenco

Meus pais nunca tiveram casa própria. A gente morou atrás da loja dos meus pais até os meus 15 anos. Sempre casas alugadas, tendo de sair porque não tinha dinheiro para pagar.

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O que espera de uma relação duradoura

Héctor Babenco

Quero ao meu lado uma mulher que tenha inteligência, energia, esperteza, agilidade e a liberdade de entender quem sou eu. Eu estou disposto a compreendê-la, mas se ela não está disposta a me compreender é melhor que termine a relação.

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Sofrendo em silêncio

Héctor Babenco

Às vezes eu dizia que ia ao Brasil para um fim de semana longo com a minha família e me internava no Memorial Hospital para fazer exames e tratamento. Eu padeci muito. O mundo não tem a obrigação de me dar tudo que eu quero, pelo fato de eu ter sofrido muito, mas eu tento. A doença me castrou de alguma forma e me deixou com muita raiva. Muita raiva.

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Aos 70 anos de idade

Héctor Babenco

Estou sarado aos 70%... então 30% eu tenho que estar administrando ainda. Diabetes, alimentação, tem outras colateralidades, outros problemas, enfim, que todo homem de 70 anos começa a ter. Não é um privilégio meu. Talvez, no meu caso, seja um pouco mais agudo pelo fato de eu vir com o corpo mais castigado, mais machucado, mais exposto a centenas de noites em hospitais, pois isso é uma ferrugem na tua alma.

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Política

Héctor Babenco

Desde o cabelo tingido do Renan até as contas na Suíça do Cunha, é tudo a mesma história. São pessoas desqualificadas para respeitar e fazer o país crescer.

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Meu Amigo Hindu

Héctor Babenco

É um filme que tem elementos pessoais. Mas isso não quer dizer que minha vida tenha sido desse jeito. Detesto biografias. Todo autor tem um pouco dele em tudo que conta e cria. Pode ser um pouco mais ou menos. No meu caso, digamos que eu manipulei malandramente alguma coisa que me aconteceu, com algumas pessoas que estiveram em minha vida. Construí um personagem que sou eu e não sou eu.

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Como nasceu a ideia de ser cineasta

Héctor Babenco

Começou quando fui ao cinema pela primeira vez, aos sete anos. Durante aquele filme, que nem lembro o nome, senti pela primeira vez o despertar da minha sexualidade. E sempre associei meu desejo de fazer cinema a uma procura que tem a ver com o lado erótico, com a libido. Digo apenas que começou lá. Um garoto que gostou de um filme e que a vida inteira nunca descobriu uma paixão maior.

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Último filme da carreira

Héctor Babenco

Hoje, depois de ser muito assediado pela ideia de fim, meu único pedido à morte era que ela me deixasse fazer mais um filme. E esse é o filme que a morte me deixou fazer.

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Seu filme na abertura da Mostra de SP

Héctor Babenco

Não estou alegre nem feliz. Acho que é um momento sagrado, em que o filme que foi um sonho durante dois anos vai encontrar o mundo real. É um filme que me deixou tão feliz de fazer. Eu me sinto tão confortável dentro dele. Com o espaço interno criado. Com ele pronto. Isso pode até parecer meio vaidoso, mas “caguei”. Não devo nada a ninguém.

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Não gosta de biografias

Héctor Babenco

Acho chatas. Nunca me interessaram as vidas dos grandes homens. Nem o Churchill, Mao Tsé-Tung, Cervantes, Shakespeare. Deixe eu me divertir com um espetáculo do Shakespeare e entender por que se fala dele através do que ele fez, não através de onde ele nasceu, como cresceu. Sabe? Acho isso chato.

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Incentivando o pensamento

Héctor Babenco

As crianças gostam do medo, gostam da ideia de ser aterrorizadas porque os limites entre o que é verdadeiro e o que é falso se desestabelecem.

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Seu estilo não cabe em Hollywood

Héctor Babenco

Isso foi dito a mim pelo próprio presidente da Fox. Eu estava na lista dos 20 diretores potencialmente cotados para fazer projetos da empresa. Mas havia um “senão” que era difícil. Eles dizem não a tudo e depois, se for o caso, cedem. Nós falamos “sim” e não cumprimos. Você combina de ir à casa de alguém, mas ninguém passa lá. Nos Estados Unidos, se alguém diz que a festa é às 2h da tarde, e você chega às 2h30, você não entra. São culturas diferentes. Se uma é melhor que a outra? Não sei.

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Porque nunca produzia comédias

Héctor Babenco

Eu ainda não consegui me liberar a esse ponto. Talvez agora, graças ao psicotrópico que estou tomando, consiga ficar mais leve e colocar o humor, que eu sei que tenho, numa narrativa. Para isso, eu também preciso de um parceiro, de um companheiro de viagem. Não consigo construir uma narrativa sozinho.

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Seu neto, sua maior herança

Héctor Babenco

Para mim é mágico imaginar que daquela filha que eu vi crescer tenha saído algo que tem a ver comigo. Fico perplexo. Um ciclo de vida que não se extingue. Como sei que sou finito, já tive provas que a vida pode me dar muitas surpresas, quero que ele leve uma marca muito forte desse ser masculino que foi o avô – uma imagem muito diferente da que as minhas filhas têm de mim.

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Tensão durante produção de filme

Héctor Babenco

Só esqueço um filme depois que entendi por que o fiz. No caso específico de O Passado, eu sou uma pessoa diferente do homem que iniciou o filme. Estou com uma sensação de missão cumprida muito grande, como nunca antes senti. Estou com uma sensação totalmente diferente, estou com a sensação que fiz um trabalho legal.

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Como lida com a crítica

Héctor Babenco

Nunca me importou. Como alguém que tem uma hora para escrever sobre algo que levei quatro anos para fazer pode fazer isso? Como vivemos num país onde importa muito mais a fotografia do que o texto, nunca me preocupei muito com a crítica. A crítica não leva nem afasta absolutamente ninguém do cinema. Faço filmes somente para descobrir por que os fiz.

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Trabalho em conjunto

Héctor Babenco

Dizem que sou um grande diretor de atores. Eu simplesmente deixo os atores me dizerem como querem fazer o papel. Depois eu balizo, eu recorto, eles nem percebem.

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Satisfeito

Héctor Babenco

A segurança não advém da experiência ou da idade, mas da minha satisfação com o trabalho cumprido. Detesto ficar acomodado. Estou constantemente querendo ser outra pessoa, na minha vida pessoal. E acredito que, por serem muito atrelados à minha vivência pessoal, apesar de eu não fazer filmes autobiográficos, os meus filmes estão sempre mudando, são novos. E é isso que me mantém vivo. Tenho um certo prazer pelo difícil. Você só consegue a originalidade com sacrifício.

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Engasgado

Héctor Babenco

Eu não sei se eu preciso inventar algo para não conseguir estar feliz.

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Cristiana Freire de Carvalho

Héctor Babenco

Ela foi muito importante, uma pessoa que me trouxe de volta à vida, uma mulher que me despertou a vontade de ser homem, de novo, mas, como tudo na vida, passageiro.

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Gratidão

Héctor Babenco

Tive grandes mulheres e devo muito a todas elas. Eu não seria quem eu sou se não fosse por elas.

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Coisas mais importantes em sua vida

Héctor Babenco

O meu neto. E continuar trabalhando. Eu quero ter saúde. Fui punido aos 38 anos com uma doença letal, crônica, sem cura, e graças à colaboração do Drauzio Varella, um médico exemplar, consegui fazer dois filmes com câncer, sem que ninguém soubesse.

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O que o mantinha vivo

Héctor Babenco

Desistir é uma palavra que não existe no meu dicionário. Quando eu estava à beira do que os médicos chamam de “próximo da morte”, eu duas vezes ensaiei ir embora. E eu abri os olhos rapidamente. Eu não queria ir embora. Eu tinha de pensar em algo maravilhoso, que justificasse me manter vivo, e eu pensava sempre na sensação de estar embaixo de uma cachoeira e receber aquela água no meu corpo.

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Cidadania

Héctor Babenco

Desde que estou no Brasil, 40 e cacetadas de anos, o único momento que me senti respeitado como cidadão foi no governo Fernando Henrique.

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