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Arnaldo Baptista

O cantor e compositor Arnaldo Baptista foi integrante da banda Os Mutantes e contribuiu muito para a formação dos estilos musicais brasileiros. Quer conhecer um pouco mais sobre esse grande artista? Confira seus pensamentos e ideais!

06/07/1948
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Aos 66 anos de idade

Arnaldo Baptista

Eu nunca fui uma pessoa amiga do "dormir demais". Sempre tive insônia. Eu estou legal agora. Não dá mais para correr 200 km. Não pode, né? A velhice vem, então não tem jeito. Interessante é que agora estou com 66, e eu tinha 33 quando quase morri. Já vivi a segunda metade.

Sua relação com as artes plásticas

Arnaldo Baptista

Eu já compus mais de cem músicas, estava vendo outro dia pelo que recebo. Mas, na pintura, não chego perto disso. Na música sou mais calejado. Nas artes plásticas não tenho tanta experiência. Então vamos ver até onde eu alcanço, porque não conheço tão bem artes plásticas quanto conheço música. Conheço Degas, Salvador Dalí, mas não é uma coisa tão profunda quanto a música. Então eu vou tentar experimentar minha fase de estilos.

Inspirações de criação

Arnaldo Baptista

Às vezes vejo uma tela em branco e eu não tenho ideia do que vai sair. Mas, às vezes, durante o dia, eu vejo uma menina linda e tento retratá-la. Eu vejo um automóvel com motor de Corvette, um jipe, e a motivação vai nesse sentido, também na criação. Tem uma semana que pinto três ou quatro quadros. E, às vezes, passo um mês sem pintar. É difícil me programar cronologicamente.

Rock brasileiro inventado pela banda “Os Mutantes”

Arnaldo Baptista

Muita gente falava que colocamos guitarra na música brasileira, mas a guitarra elétrica do Les Paul é mais antiga, tem a minha idade. Os Mutantes colocaram o contrabaixo na música, que os Beatles e os Rolling Stones já tinham colocado. O baixo que existia antes era aquele rabecão. Mas o baixo elétrico, que dá aquele som assustador, que deixa todo mundo meio imóvel, pasmo, isso foi a gente que botou. Antes era tudo meio italiano, meio Pepino de Capri. Os Mutantes botaram um lado mais artístico, clássico. E era necessário fazer isso, colocar uma coisa mais brasileira.

Formação de seus pais em música clássica

Arnaldo Baptista

Isso me ajudou muito. Quando eu era criança, tinha um piano lá em casa. Eu não ficava trocando bangue-bangue na rua, brincando de pega-pega. Eu ficava estudando o teclado em casa. E eu fazia um estudo meio de ouvido. Mamãe já tocou em Viena, em grande orquestra, então ela tinha uma técnica maravilhosa. Papai já escreveu vários livros, era poeta, cantor. Mamãe também cantava. Então deram uma inspiração para a gente.

 

Voltaria para “Os Mutantes”?

Arnaldo Baptista

Não. Mais pelo sentido tecnológico, o que pode ser difícil para o pessoal entender. Eu não gosto mais do meu irmão Sérgio. Eu prefiro o amplificador valvulado ao digital. Uma vez, no aeroporto, ele falou: "Amplificador valvulado é frágil e dificílimo de ligar". Ele não tem um gosto que harmonize com o meu. Nas guitarras também. Ele escolheu as guitarras piores, a Fender, guitarras que eu não gosto. Prefiro Gibson. Não concordo com ele. Nunca mais toco com ele.

Sua saída de “Os Mutantes”

Arnaldo Baptista

Meu passado tem dois lados, um que é bonito e outro obscuro. Os Mutantes abriu sentido bonito na minha vida, me deu contatos bonitos, foi uma época interessante. Mas as coisas não são como a gente queria. A banda foi andando até que a Rita Lee saiu. Foi para o lado progressivo e eu já não gostei muito. Ficou tudo muito digital, sem uma profundidade cultural.

O que escuta em casa

Arnaldo Baptista

Escuto um pouco de Elton John, que eu gosto muito. Um pouco de Jethro Tull, Pink Floyd, Yes. É o que ouço. De música clássica gosto muito de Liszt, da Rapsódia húngara, que é muito bonita. Eu ouço pouca coisa clássica.

Mágoas do próprio irmão

Arnaldo Baptista

Pode-se dizer que eu sou um "one man band", toco todos os instrumentos, contrabaixo, bateria, guitarra, teclado e voz. O Sérgio, meu irmão, não foi humilde o suficiente para deixar eu tocar bateria nessa tour dos Mutantes. Nem guitarra, nem contrabaixo. Ele botou para mim um dos três teclados lá no fundo. Então foi uma decepção.

Trabalho solo preferido

Arnaldo Baptista

O "Singin Alone". Nele eu toco tudo, desde bateria, contrabaixo, guitarra, teclado, voz. Então, para mim, foi como ter uma experiência, um teste, para ver se eu era capaz daquilo ou não. Foi mais importante para mim.

Celebração dos 40 anos do “Loki” na capital mineira

Arnaldo Baptista

Eu tenho a impressão de que o Brasil é cheio de altos e baixos quanto à cultura. Por exemplo, o carioca foi colonizado pelos portugueses. O Nordeste é holandês. São Paulo tem bastante italiano. E agora, em BH, eu tenho a impressão de que é um lado central do Brasil, onde todas as culturas se condensam em uma coisa só. Devia se chamar "Brasília". Tem esse lado. Eu gosto.

O quanto a loucura faz parte de sua vida

Arnaldo Baptista

Acho que o louco pode ser colocado da seguinte forma: o cérebro humano é igual a uma máquina, talvez seja o melhor computador que exista. No motor de carro, quando você coloca STP, ele funciona mais bonito, flui melhor, com maior energia e mais potência. No cérebro humano também acontece isso, no sentido de liquidez, fluidez, espontaneidade. É a verdade, profundamente.

Novas bandas brasileiras

Arnaldo Baptista

Não tenho contato com nenhuma banda nova, mas vai ser interessante ouvir O Terno. Também gosto do Zeca Baleiro, ele tem músicas bonitas no sentido de animais. Ele fala de macacada, de cachorrada, acho isso engraçado.

O que o álbum “Loki” representa em sua vida

Arnaldo Baptista

Era uma época de rebeldia, eu tinha um modo de vida diferente de todo mundo. Mas no disco eu tentei assimilar algo que coletasse o modo de vida do maior número de pessoas que eu conseguisse atingir. Agora, estou estupefato com o resultado. Mesmo sem guitarra, conseguiu ser paulera. Foi uma coisa marcante. O legal é que o pessoal me acompanha, mesmo aos trancos e barrancos.

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