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Gilberto Braga

Autor de vários sucessos, entre eles "Dancin days", "Vale Tudo", "Anos Dourados" e "Celebridade", Gilberto Braga é um dos maiores escritores de novela da televisão brasileira. Conheça um pouco mais sobre ele, aqui no MCA!

01/11/1946
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Sobre ser autocrítico

Gilberto Braga

Sou muito. E isso é péssimo para um autor. Morro de inveja da Glória Perez. Ela acha tudo ótimo. Queria ser assim, mas sou o oposto. Antes de Insensato coração estrear, por exemplo, reclamei com o Lázaro Ramos que ele não estava suficientemente forte para ser o pegador. Agora estamos aqui falando de Vale tudo, minha novela de maior sucesso, feita com o Aguinaldo Silva e a Leonor Bassères, e eu só penso: “Ai, meu Deus, já, já vão perceber que a trama vai piorar”. Ela recupera bem, mas dá boa caída. Meu problema é que fico menos com o que é bom e mais com o que poderia ter sido melhor...

As obras, que mais gosta e qual preferia não ter feito?

Gilberto Braga

A que mais me orgulha é Anos rebeldes, que fez história. E a que preferia não ter feito foi um sucesso de audiência: a novela Louco amor [de 1983]. Até o título eu rejeito. Acho sem graça. Não posso dar mais detalhes porque seria indelicado com alguns atores. O erro não é deles, foi meu de achar que nosso trabalho daria certo. Outro dos meus orgulhos é Paraíso tropical, que não teve fase ruim. Camila Pitanga [Bebel] e Wagner Moura [Olavo] eram divertidíssimos.

Infância

Gilberto Braga

Fui um garoto precoce. Daqueles que os pais têm orgulho porque come direitinho, não se suja e sabe se portar em festas. Sempre tive uma atração exagerada por cinema. Bem menino, já assistia a um filme por dia.

Cada vez melhor

Gilberto Braga

Acho que estou conseguindo um ritmo cada vez melhor, por causa do trabalho em equipe. Quanto mais pessoas talentosas escrevem a novela, menos escrevo diálogos e mais disponibilidade consigo ter para bolar tramas que deixem a novela mais movimentada. Em Celebridade, eu tinha uma equipe muito boa. E Paraíso Tropical foi o auge da minha carreira em termos de movimentação de trama.

Uma novela nunca é melhor no meio do que no início

Gilberto Braga

Em geral, só os 24 capítulos iniciais são feitos com capricho. Depois da estreia, a correria é tanta que a qualidade diminui. Em Vale Tudo foi bem mesmo após o 36º capítulo. Fico nervoso quando encontro alguém na rua que diz: “Oi, Gilberto, estou vendo sua novela nova. Essa vai ser boa, hein?”. Como assim, vai ser boa? Minha vontade é dizer: “Se você acha que vai ser boa, eu estou perdido”. Uma novela nunca é melhor no meio do que no início.

A perda dos pais cedo

Gilberto Braga

Muito. Meu pai morreu quanto eu tinha 17 anos, num infarto fulminante, e minha mãe se matou durante uma depressão severa, dez anos depois. Além da dor, isso me deu a exata noção da minha debilidade. Morro de medo de doença, não gosto nem de falar. Qualquer bobagem que eu tenha me preocupa. Fazer chapa de pulmão, é terrível. Tremo para ver o resultado, com medo de descobrir algo grave. Quando a gente tem 17 anos não existe morte. Mas, aí, seu pai morre e ela passa a perseguir você.

Valorizo cada dia mais a televisão

Gilberto Braga

Foi a partir do sucesso de Dancin’ Days que comecei a pensar: “Por que a televisão não é nobre? Se tanta gente vê, se tanta gente gosta?”. Como criador, valorizo cada dia mais a televisão. Se eu fosse nascer de novo, gostaria de ser diretor de cinema – nem sei se teria talento, porque tenho muita dificuldade em criar na balbúrdia em que um diretor cria, preciso de concentração –, mas me sinto bastante realizado por ser um homem de televisão, por causa do alcance que consigo ter.

 

Tudo que é etiqueta é chato

Gilberto Braga

Não gosto de ser apontado como o escritor dos ricos. Tudo que é etiqueta é chato. Mas, se me derem a etiqueta de escritor do Rio, eu vou gostar. Do Rio, eu gosto de tudo: Copacabana, subúrbio, gosto da linha do trem. Minha avó morou em Ramos quando eu era criança. Conheço bem tanto Ramos quanto Bonsucesso, Olaria, Penha, bairros da Zona Norte. “Escritor do Rio” é uma etiqueta que eu aceito, porque tenho orgulho. Adoro a frase do Nelson Rodrigues: “Quando eu vou passando da Praça da Bandeira, já começo a sentir saudades do Brasil”. No fundo, não sou brasileiro, sou carioca.

Gosto mais dos heróis

Gilberto Braga

Pessoalmente, gosto muito de herói, mas talvez eu escreva vilão melhor. Pensando em novelas de outros escritores, filmes etc., gosto mais dos heróis. Um personagem que acho bacana, sem contar os meus, é a Lucinha, de Pecado Capital, uma heroína. Acho bacana também o Carlão, da mesma novela. Ele não é bandido, é um herói com um desenho não romântico – um herói realista, digamos, mas um herói. E a Júlia Matos, de Dancin’ Days, é uma heroína que, a meu ver, agrada muito, porque tinha um diferencial, uma marca: ela havia sido presidiária. Mas escrever herói é muito difícil.

Roupa bonita precisa ter bom corte e bom tecido

Gilberto Braga

Sou um pentelho para figurino, porque gosto de roupa. Não sei como as figurinistas me aguentam. Eu fico em cima, pego no pé. Helena Gastal é uma santa. Em Paraíso Tropical, meu Deus, o que ela me aguentou! Porque não gosto de moda, sou sofisticado, não tenho muito a ver com o espectador comum. Acho moda uma coisa vulgar. Eu fico cerceando as coitadas das figurinistas. Uma vez, Marilia Carneiro me falou: “Gilberto, se eu for pela sua cabeça, todo mundo vai vestir Armani, os pobres, os ricos, os de mau gosto, porque você é clean, quer tudo de bom gosto, tudo sóbrio e bonito”. Para mim, uma roupa bonita de mulher não pode ter feitio. Detesto a palavra “feitio”. Roupa bonita precisa ter bom corte e bom tecido.

Já fez análise?

Gilberto Braga

Fiz quase 30 anos. No início, ia três vezes por semana. Depois, espaçamos as consultas e, de 1986 para cá, passei a ir uma vez por semana. Mas [silêncio] esse é um assunto penoso para mim porque meu analista acaba de morrer. Dei uma parada na terapia quando comecei a escrever Paraíso tropical [em 2007]. Mas sabia que, se tivesse algum problema, teria a quem recorrer. Agora, não tenho mais e também não teria saco para começar com outra pessoa. Vamos ver o que acontece. A análise me ajudou muito na carreira...

Rotina

Gilberto Braga

Tenho três fases de vida. A fase pós-novela é o céu: dura um ano, permite que eu não trabalhe e faça só as coisas de que gosto. Depois, começa a fase de pré-novela, mais um ano, que eu também curto e começo a amarrar a trama. Aí, vem o período da estreia e de estar no ar, que é um inferno. Acaba a vida pessoal e começa o que [o novelista] Dias Gomes chamava de “período em que vendemos a vida à TV”. É bem isso. Cheguei a faltar a enterros que deveria ter ido. Outros autores fazem coisas, mas eu não funciono assim. Trabalho de segunda a sábado, 14 horas por dia. No domingo fico em casa, olhando pro teto ou, no máximo, vendo um filme bobo da Doris Day.

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