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Ricardo Oliveira

Um jogador de futebol que também é pastor, esse é Ricardo Oliveira. Com vários anos de carreira, sucesso e muitos gols por diversos clubes ao redor do mundo, o atacante tem muito a dizer.

06/05/1980
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Gratidão ao futebol

Ricardo Oliveira

Essa palavra nunca fez parte da minha vida: frustração. Você sabe de onde eu vim, conhece as minhas origens, as dificuldades que passei. Eu não conseguiria, em vida, retribuir ao futebol organizado, honesto e amado, tudo que ele me deu. De verdade, eu não conseguiria. Sair de onde eu saí, e vestir a camisa da Seleção, algo que nunca sonhei ou planejei. O sonho do menino pobre era se tornar jogador profissional e ter condições para manter minha mãe e cuidar da família. Alcancei muito mais, com trabalho, esforço, aperfeiçoamento de talento, horas de dedicação. Vivi momentos maravilhosos, tenho 15 anos como atleta profissional, inúmeros títulos, gols, mais de 500 jogos, um legado para meus filhos.

Mudanças no estilo de jogo com a experiência

Ricardo Oliveira

Mudou muito. Eu me lembro que um treinador me disse: “Ricardo, com 28 anos você vai ficar melhor, será o ápice da sua carreira”. E é verdade. A experiência te dá estratégias, faz pensar, você consegue fazer em campo o que o garoto não pensa, olhar o posicionamento do zagueiro e saber que um movimento seu pode proporcionar ao companheiro fazer um gol.

Primeira convocação para a Seleção Brasileira

Ricardo Oliveira

Aquilo marcou minha vida. Cheguei à Seleção meses depois de ver, do sofá, seu êxito na Copa. Eu desci para tomar café da manhã e, de repente, chegou o Ronaldinho. Ele se sentou à mesa e começou a perguntar de jogadores que haviam estado comigo na base da Seleção. Depois, fui para o quarto, liguei para minha mãe e contei que havia conversado com o Ronaldinho. No vestiário, eu ficava olhando os jogadores chegando: Ronaldo, Cafu... Foi uma experiência única, eu não queria nem jogar, só o fato de estar ali era uma alegria imensa, um sonho realizado. Vê-los jogando futebol era tudo que eu queria.

Conselho dos mais velhos na Seleção Brasileira

Ricardo Oliveira

O Cafu me recebeu na Seleção. Houve um jogo contra o Uruguai, em 2005 (pelas Eliminatórias da Copa de 2006), em Montevidéu, que se especulava muito quem seria o companheiro do Ronaldo. O Robinho estava no auge, aclamando pelos estádios, mas o Parreira me chamou e disse que eu jogaria. O Cafu, depois, me falou: “Garoto, fique tranquilo, faça o que te colocou aqui, jogue sua bola e seja feliz. Vou te dar todo suporte”. Quando o capitão me deu essa tranquilidade, vi que eu era bem vindo e só precisava jogar meu futebol.

O que mudou do Ricardo da Portuguesa para o Ricardo de hoje?

Ricardo Oliveira

Mudei muito, mas mudei para melhor. Saí do futebol brasileiro e me adaptei ao espanhol. Aprendi um idioma e conheci uma cultura. Fui para o Campeonato Italiano e consegui a mesma coisa. Fui para o mundo árabe, tive de falar inglês e me adaptar à cultura local. E, aos 35 anos, mostrar que posso competir em alto nível, conseguir me destacar e ser protagonista são coisas que chamam a atenção. Nossa cultura é que o jogador de 35 anos não tem mais o que fazer.

Preparação durante as férias

Ricardo Oliveira

Eu não paro. Não consigo. É o hábito. Já quis passar as férias todas só descansando, mas o corpo pede. Eu tenho esse hábito. Eu tenho de ir para a academia. Eu paro um pouco, e na segunda semana já começo a fazer minha corrida. Na primeira semana, eu até deixo escapar. Mas, a partir da segunda, faço meu trabalho de fortalecimento e aeróbio. Seja na academia, na esteira ou na rua, correndo.

Aposentadoria

Ricardo Oliveira

Não tenho ideia, eu deixo acontecer. Tem força naquilo você fala. Se eu falar que vou me aposentar tal dia, no treino eu já ficarei devagar. Agora, o tempo vai passando, o corpo não é o mesmo. Mas hoje eu vivo um momento fantástico.

 

Crise do ''camisa 9''

Ricardo Oliveira

Não vejo essa crise do número 9. Acredito que estamos tendo opções diferentes. Depois da Copa do Mundo, criou-se um monstro sobre o camisa 9. Estão dizendo que um camisa 9, de área, não tem espaço dentro da seleção. A seleção nunca teve uma camisa 9 de área que só soubesse jogar ali dentro. Talvez estejamos buscando um novo talento. O futebol brasileiro sempre revelou grandes jogadores em todas as posições. Não é a crise do camisa 9. É uma opção de buscar uma solução para resolver essa ausência de jogadores diferenciados.

A diferença entre os Emirados e o Brasil é muito grande?

Ricardo Oliveira

Sim, não dá para comparar. Confesso que foi difícil me readaptar ao futebol brasileiro. Aqui, tudo é muito intenso, muito corrido e muito disputado. Eu me preparei para isso e acabei tendo um resultado que não esperado por muitas pessoas, mas que não foi uma surpresa para mim. Fiquei feliz, porque colhi aquilo que plantei. Não fiquei surpreso com a minha performance. Não esperava ser protagonista de um título. Não esperava e não sabia que isso ia acontecer, mas tinha a confiança que poderia fazer gols e ajudar o time.

Conciliar pastorado e futebol

Ricardo Oliveira

Eu apascento. Pastor nunca vai deixar de ser pastor, não me dedico integralmente a isso. Aceitei o chamado e até aqui o Senhor tem me ajudado. Não dá para ir ao final de semana. Quando sobra uma oportunidade de semana eu corro para a igreja.

Como se tornou pastor?

Ricardo Oliveira

A gente não escolhe ser pastor. É um chamamento. Obviamente é preciso um líder espiritual para reconhecer essa característica. Eu me converti em 2000 e me tornei pastor em 2007. Nos Emirados Árabes, fundamos a primeira igreja brasileira na capital, Abu Dabi. É uma igreja missionária que nós mantemos. Foi um marco para mim ter o aval do governo islâmico para abrir essa igreja lá

Fator psicológico

Ricardo Oliveira

Conta muito. Acho que é o que me motiva todos os dias. Posso vir de um péssimo jogo, de um desempenho não muito legal, de uma seca de gols, mas a confiança é a mesma. Porque sei que meu trabalho é correto e está sendo bem feito. Isso é só um momento, que vai passar, com treinamento. Nesse sentido, eu sou forte, posso errar uma, duas vezes, porque sei que vou acertar depois.

Resultado das "aulas" com Ronaldo

Ricardo Oliveira

Hoje é um diferencial: eu bato falta, faço gol de esquerda, direita, bato pênalti, tenho cabeceio bom. Se tiver uma chance no jogo, eu concluo bem. Isso faz diferença. O atacante, às vezes, não tem muita chance de fazer gol não, se tiver, tem que por para dentro.

Segredo na cara do gol

Ricardo Oliveira

Eu acho que é uma soma. Obviamente, treino para isso. Tenho uma técnica apurada neste sentido. Sempre fui centroavante, um cara que faz gols. E há de se dizer que, no retorno ao Brasil, tive de me readaptar ao futebol. Um sistema em que temos um time veloz do meio para a frente, com pontas muito rápidos. Eu sempre joguei como 9, porém, tendo liberdade de movimento. Ainda jogo assim, mas sou muito mais tático. Olhando os nossos jogos, dá para ver eu saindo pelos lados e fazendo cruzamentos, mas também o pivô. Tive de me readaptar ao Brasil. Treino finalizações, de direita, de esquerda, de cabeça, porque sei que, no jogo, pode aparecer uma oportunidade só, e pode ser na direita, na esquerda ou com a cabeça. Então, treino todas as funções, para potencializar e aproveitar a oportunidade.

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