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Duda Rangel

Você sendo ou não jornalista precisa conhecer as frases e postagens de Duda Rangel. Os bastidores do cotidiano, os pensamentos que nem todos tem coragem de falar. Essa página mostra a vida do jornalista como ela realmente é.

10 dicas para jornalista desencalhar

Duda Rangel

A primeira e talvez a dica mais importante: frequentar eventos sociais exclusivos de jornalista é uma puta cagada. Além de ser mais difícil encontrar sua alma gêmea, você corre o risco de encontrar uma alma gêmea tão pobre quanto a sua alma. Abra o leque. Que tal dar uma passadinha no Congresso Anual de Criadores de Puro-Sangue Inglês?

Evite falar sobre jornalismo no primeiro encontro. Se conseguir evitar nos 200 encontros seguintes, também será ótimo. Não há romantismo que resista a alguém reclamando da pauta, do mercado de trabalho. Eu sei que não é fácil, mas tente se concentrar. Força.

Outras coisas que devem ser evitadas: dizer que faz plantão de domingo ou no carnaval, presenteá-lo com algum jabá ganho em coletiva, levar bloquinho e caneta para o motel, pedir para ele ler e elogiar a sua matéria, ou confessar que tem um blog.

Quando puxar conversa com alguém numa balada, lembre-se de que você não está trabalhando. Pior do que “você vem sempre aqui?” é perguntar o que, quem, quando, onde, como e por quê. Xaveco não tem lead. Ah, pedir para gravar a conversa também queima o filme.

Muitos jornalistas estão encalhados por serem superexigentes. É o típico jornalista que só quer a grande reportagem e não se contenta com qualquer merda. Querer o melhor não é crime, mas amor é como frila: se você ficar esperando só os bons, vai acabar na mão.

Por mais que você não tenha tempo livre para nada, inclusive para desencalhar, é cool dizer que você mantém um hobby. Pessoas que mantêm um hobby são mais sedutoras. Invente algo legal e, lembrando mais uma vez, nada de dizer que você tem um blog.

Se conhecer alguém interessante, recomende a tal pessoal a leitura do clássico texto “10 razões para namorar um jornalista”, do blog Desilusões perdidas. E jamais o deixe acessar o ainda mais clássico “1.000 razões para não namorar um jornalista”.

Dê um upgrade na sua autoestima e valorize suas qualidades para atrair a pessoa amada. Apesar de ser jornalista, você deve ter algumas qualidades. Sei lá, umas duas pelo menos. Tipo o quê? Descolar ingresso para a área vip de shows é uma qualidade.

Essa coisa de fazer simpatia para Santo Antônio não funciona mais. O santo não se atualizou, não fez uma especialização em “Matrimônios na Pós-Modernidade” e ficou complicado para ele seguir fazendo milagre. Aposte em aplicativos como “Date a Jornalist”. É só botar o aplicativo de cabeça para baixo num copo d´água virtual. E rezar.

Por mais que o bom jornalista deva checar até declaração de amor que recebe, no caso dos encalhados isso não é necessário. E não se trata de negligenciar a apuração. Se você tiver a chance de ouvir um “eu te amo”, acredite sem desconfiar, abra aspas, abra um sorriso e responda “eu também”.

10 razões para acreditar no jornalismo

Duda Rangel

Nunca se leu tanto. Lê-se muita merda, é verdade, mas se lê. E isso é ótimo. O número de leitores mais qualificados também aumenta, exigindo do jornalismo uma constante evolução.

O jornalismo é como marido: tem muito por aí que não presta mesmo, que desaprendeu a seduzir, mas existem os que ainda conseguem encantar.

Vejo vários jovens jornalistas desiludidos com a profissão, mas vejo também muitos outros com um puta tesão de resgatar os bons valores e ideais do jornalismo. Sim, há esperança.

Já temos alternativas à velha grande mídia. Com a tecnologia, surgem canais de informação mais plurais e democráticos. Tá tudo aí. Só nos resta construir outras formas de fazer jornalismo.

A mídia é muito mais fiscalizada hoje. A transparência que tanto se deseja para o País inclui também as empresas de comunicação. Com mais vigilância, fica mais difícil manipular e mentir.

Com fé, em pouco tempo o Galvão Bueno se aposenta. Isso também já vai ajudar muito.

O jornalismo está em crise há algum tempo, tadinho, mas dá para ele fazer uma terapia e ficar praticamente bom. Ele pode contar com o seu apoio?

Por mais que o jornal impresso esteja quase ganhando uma hashtag RIP nas mídias sociais, as boas histórias não morrem. E com boas histórias para se contar, o jornalismo mantém-se vivo.

Há tanta violência contra os jornalistas, tanta exploração e desaforo, mas muitos jornalistas resistem com coragem. Esse povo merece um voto de confiança, não?

A gente acredita em tanta coisa nesse mundo, duende, cartomante, diagnóstico médico. Porra, custa acreditar também no jornalismo?

Os signos e os jornalistas

Duda Rangel

O jornalista de Áries é corajoso e impulsivo. Sobe morro não pacificado de boa. “Me dá logo essa porra de colete”, ordena ao próprio chefe. Louco por adrenalina, é perfeito para programas de esportes radicais. Só não peça a um ariano cobrir a escolha de um novo papa ou show acústico do Marcelo Camelo. Porque ele vai ter o impulso de te mandar à merda.

O jornalista de Touro é tão tranquilo, tão tranqüilo, que nem se importa se tranquilo tem ou não tem trema. Se você quiser, ele bota; se não, ele tira. Tem o perfil ideal para os longos plantões. Costuma ser teimoso. Se o entrevistado protestar “mas eu não disse isso que você anotou aí”, o taurino será firme: “disse, sim, senhor”. Mas se o entrevistado quiser, ele tira.

O jornalista de Gêmeos é o melhor dos repórteres investigativos. Adora botar o nariz onde não é chamado. E a orelha e o resto do corpo. Tem uma espécie de comichão ou quentura quando cheira notícia boa no ar. Também costuma investigar as intimidades dos próprios colegas de redação e espalhar os detalhes mais sórdidos por aí. Entre um café e outro.

O jornalista de Câncer, um fofo, trata todo mundo com delicadeza, até o assessor de imprensa que pede para ler a matéria antes da publicação. Romântico, tende a se apaixonar pela fonte, mesmo fonte casada. É o jornalista mais indicado para qualquer função. Só não pise em seu calo, porque ele é capaz de mandar você, delicadamente, tomar naquele lugar.

O jornalista de Leão nasceu para ser o editor, o diretor de redação, o repórter especial-mor. O leonino não é pouca merda, não. Se trabalhar numa assessoria de comunicação, vai querer ser o executivo-mor das contas-mor. Sua personalidade forte tem um charme-mor que seduz focas e estagiários. Emana uma luz jornalística própria, uma luz, tipo assim, mor.

O jornalista de Virgem é o profissional ideal para consertar o texto dos outros. Adora frases como “essa vírgula aqui não existe” ou “tira aquela crase ali antes do verbo”. Grandes revisores, quando estes ainda existiam na face da Terra, foram virginianos. Perfeccionista, ele se autoflagela quando faz alguma merda, chegando a reler manuais inteiros de redação.

O jornalista de Libra, apesar de viver sempre em dúvida se desiste ou não da profissão, curte muito ser jornalista. Desfilar por coletivas ou flutuar por coquetéis de lançamento de qualquer coisa é com ele mesmo. Refinado, o libriano a-do-ra as áreas de cultura e moda. Imparcial, tem grande dificuldade em trabalhar nas grandes revistas semanais do Brasil.

Não existe meio-termo para o jornalista de Escorpião. Ou vai fundo numa apuração ou recusa a pauta. Essa coisa de dar uma aliviada aqui, pegar leve ali não rola. É apaixonado pelo jornalismo a ponto de ficar excitado com uma grande reportagem. Avesso a mimimis, quase não reclama e, por quase não reclamar, quase sempre fica sem assunto no bar.

Amante da liberdade, o jornalista de Sagitário é o que mais sofre com a vida nada livre do jornalista. Alguns são tão aventureiros que chegam a criar seus próprios blogs. Apreciador das línguas estrangeiras (e outras línguas também), ele tem tudo para ser correspondente internacional. É o típico jornalista que, quando criança, sonha cobrir uma guerra.

O jornalista de Capricórnio jamais perde um texto por se esquecer de salvá-lo. Também não perde a hora da entrevista e muito menos o deadline. São os capricornianos que ficam na redação enchendo o saco com o “dez minutos pro fechamento”.

O jornalista de Aquário tem uma visão tão grande de futuro que, para ele, o jornalismo impresso já morreu. Lê muito em tablets. Nos tempos da máquina de escrever, ele já concebia algo como um Wikileaks. Entre as moças do tempo, 93% são aquarianas, justamente por conseguirem saber se vai chover ou fazer sol no fim de semana antes de todo mundo.

O jornalista de Peixes tem uma imaginação tão fértil que, para ele, uma reportagem verídica pode se transformar num puta conto de ficção.