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Eliane Brum

"Nenhuma matéria é mais importante que a vida de uma pessoa", isso descreve Eliane Brum. Escritora, jornalista e provavelmente uma poeta por ter uma alma tão sensível. Confira as melhores frases de Brum que escreve sobre aquilo que ninguém vê.

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Escutadeira

Eliane Brum

Eu sou uma contadora de histórias. Esta é a conexão. Sou, principalmente, uma "escutadeira". Seja da história do outro, seja da história dos outros de mim.

Sobre receber prêmios

Eliane Brum

Naqueles prêmios que só dizem o resultado na hora, eu fico com um iceberg na barriga. E sempre com um dilema: querendo muito ganhar e ficando muito tímida na hora de subir no palco. A necessidade de fazer discursos sempre me assombrou. Eu costumava dizer obrigada, tremendo, e saía quase correndo. Agora melhorei um pouco.

Ex-tímida

Eliane Brum

Siiiiiiim. Minha mãe diz que eu sou uma tímida espalhafatosa. Mas é uma implicância dela ainda dos meus tempos de adolescência. Eu gosto dos cantos. E de ficar olhando. Não sou muito de falar. Mas, nos últimos anos, por conta dos livros, comecei a dar palestras e oficinas. E já estou bem mais soltinha. Agora, sou quase uma ex-tímida.

Sobre o que é escrever

Entrevista ao Pensar

Escrever é minha expressão no mundo. É o que sou e também o que me torno a cada dia. Em um dos textos de A menina quebrada, escrevi sobre a declaração de morte de um grupo de guarani-kaiowá, no ano passado. Precisei, então, pesquisar o que era a palavra para esta etnia indígena, já que carta é palavra. Tanto o conceito quanto a experiência da palavra, para eles, são extremamente sofisticados e muito, muito bonitos. Palavra é também ou principalmente “palavra que age”. Encontrei ali o que busco ser neste mundo: "palavra que age".

De editora para repórter

Eliane Brum

A ruim era que eu tinha de participar de muitas reuniões – e eu não lido muito bem com reuniões. E quando eu fico trancada dentro da redação por muito tempo, vou murchando. Vou ficando triste. Aí, no final de um ano eu já estava com aquela cor horrível de amarelo-redação . E cada vez mais triste. Aí pedi para voltar para a reportagem.

Sobre ser mãe e repórter ao mesmo tempo

Eliane Brum

Quando ia cobrir alguma coisa mais longe, não conseguia voltar a tempo para pegá-la na escola. Lembro de estar com água pela cintura, numa enchente, ligando de um orelhão para uma lista de amigos, para tentar encontrar alguém que buscasse a Maíra na escola, à noite.

 

Um jornalista pode mudar o mundo

Eliane Brum

Cada um do seu jeito, com o melhor que pode ser. Passamos a vida buscando a nossa própria voz. Quando é feito com verdade, o jornalismo é uma busca que muda o jornalista e o mundo que ele conta. Além de iluminar os cantos escuros, nós arrancamos a interpretação da realidade da esfera limitada do branco e do preto e trazemos para a zona cinzenta, que é a zona das nuances e da complexidade.

Literatura e jornalismo, os meus amores

Eliane Brum

Meu primeiro amor foi a literatura, porque a palavra escrita me deu a possibilidade de viver. Até descobrir os livros eu não sabia o que fazer com as histórias que escutava dos outros e mesmo de mim. A literatura arrancou a pesadeira do meu peito e alargou meu mundo de dentro, me dando uma outra geografia, na qual eu poderia ser a história que quisesse. E essa possibilidade de ser planta, bicho, princesa, alien, homem, velho, me salvou. Mas sempre vivi parte dentro, parte fora, sempre tive uma enorme curiosidade pelo mundo que é o outro, e foi isso que em levou para a reportagem. Preciso da ficção e da reportagem para viver. Como escritora, acho que minha voz na ficção é muito diferente da minha voz na reportagem e talvez por isso eu precise das duas para existir.

A reportagem mais emocionante

Entrevista ao Pensar

Posso dizer que, no período mais recente, uma das reportagens que mais me marcaram foi acompanhar os últimos 115 dias da vida de uma mulher com um câncer incurável. Esta foi a principal reportagem que fiz em dois anos trabalhando com a questão da morte – não a morte violenta, que em geral é o tema da imprensa, mas a morte escondida e silenciada na nossa época, que é a morte por doença e por velhice. Silenciada porque é a morte que a maioria de nós terá. Este silenciamento é a marca da nossa época. Mas confrontar-se com a morte é confrontar-se com a vida e por isso perdemos muito ao empreender essa tentativa desesperada e condenada ao fracasso de não lidar com a certeza de nossa finitude. A reportagem, que saiu na revista Época, foi também publicada no livro O olho da rua - uma repórter em busca da literatura da vida real, pela Editora Globo, de 2010.

Não é milagre, é apuração

Eliane Brum

Não há milagre em texto jornalístico. Pode ser um Prêmio Nobel da Literatura. Se não tiver apurado exaustivamente, vai escrever um texto jornalístico ruim. Só apurando muito – e com precisão – é que dá para escrever um texto substantivo, com tantos detalhes que o leitor pode ler com o prazer de uma ficção.

Internet como aliada

Eliane Brum

A internet é um sonho que não sonhamos por falta de elementos para sonhá-lo. Nem mesmo os grandes escritores de ficção científica do século 20, tão competentes em antecipar e perceber realidades futuras, que hoje já se concretizaram, foram capazes de sonhar com a internet. Para o repórter, penso que a internet tem uma potência extraordinária.

Como começou contar histórias

Entrevista ao Pensar

A família do meu pai é da zona rural e essa é uma experiência que me assinala porque foi lá que eu comecei a ouvir as histórias dos meus tios, com suas bombachas puídas da vida na roça, um cigarro de palha no canto da boca, os dentes ruins, os rostos, os pés e as mãos vermelhas por causa da geada das madrugadas de inverno. Mas eles eram histórias, a vida era essa narrativa da vida, e eu era ao mesmo tempo estrangeira e parte daquele mundo. Só podia ser parte porque estrangeira. Sempre me senti assim. Acho que foi assim que me tornei "escutadeira".

Sobre o livro: A menina quebrada

Entrevista para a Revista Cult

Primeiro a gente pensou em dar um título geral, que desse conta da variedade da coluna – que busca ser um pequeno retrato do tempo histórico, desse momento em que vivemos. Mas os títulos que tentamos ficavam meio acadêmicos, meio pretensiosos. Acabamos escolhendo A menina quebrada porque, de certa forma, sou uma menina quebrada – todos somos meninas quebradas – e a coluna também tem essa característica. É quebrada na medida em que é afetada pela vida.

Entrega ao desconhecido

Eliane Brum

Todas as reportagens que faço me transformam. Ser repórter exige um gesto profundo de entrega em direção ao desconhecido que é o outro. Assim, tornei-me habitada por todos aqueles que abriram a porta da sua casa e da sua vida para me contar as suas histórias, suas vozes falam em mim. O povo brasileiro ou os vários povos brasileiros me fascinam com seus achados de linguagem e muitas vezes estive diante de analfabetos que faziam literatura pela boca.

Dica ao jovem repórter

Eliane Brum

Duvidar, de tudo e de todos — duvidar das certezas dos outros e mais ainda das suas. Aprender a escutar, que é muito mais difícil do que parece. Não cair na tentação nem da vaidade, nem da arrogância. Não ser preguiçoso, nem esperar que seja fácil. E ler todos os dias.

Sobre ser jornalista

Entrevista ao Jornal Cândido

Acho difícil ser jornalista e ser assombrada pela página em branco. Trabalhei 11 anos em jornal diário, então montava a estrutura dos meus textos do dia no carro do jornal e escrevia às vezes duas matérias em menos de uma hora. O jornalismo nos ensina que, quando a gente precisa escrever, a gente escreve. Pelo menos essa é a minha experiência.

Inverter a lógica

Eliane Brum

Com o meu trabalho, procuro inverter esta lógica, mostrando que não existem vidas comuns - nem vidas anônimas. Cada um de nós é um fenômeno irrepetível e singular, único na história do universo. Somos uma poeira, mas uma poeira de estrelas, como dizia o Carl Sagan. Sendo assim, nossa vida é importante no melhor sentido, no sentido de que tudo o que deixarmos de fazer não será feito, porque só nós podemos fazer do nosso jeito e o que não fizermos será a marca de uma falta no mundo.

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