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João Gilberto

Ele criou o que o mundo conhece hoje como música brasileira. João Gilberto idealizou um novo jeito de cantar e tocar, além de divulgar a bossa nova pelo mundo. Confira as principais frases e letras de um dos gênios da MPB.

10/06/1931
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Perfeccionismo

João Gilberto

Não sei se eu sou assim. Não tem essa história de som perfeito. O que tem é você fazer uma coisa, vir um sujeito e desfazer. E aí você não gostar do que o cara fez. Então você é chamado de perfeccionista. Certa vez estava gravando um disco na Polygram (João, lançado em 1991), na Barra, e dizia: ‘Puxa, está diferente’. E eles diziam: ‘Não está, é a mesma coisa’. Gravava, no outro dia estava mudado. Bom, eu peguei o maestro Guerra-Peixe (César Guerra-Peixe, que morreu em 1993, aos 79 anos) e fomos à gravadora num dia bem cedinho. Escolhemos as músicas. No outro dia tinham mudado. O disco saiu do jeito que não é. Ficou como na América se diz, sem a mordida. Tira a garra, o que pega. Eles sabem muito bem mexer no negócio, não fica nada, não transmite. Aí viro exigente.

Delivery

João Gilberto

Todo dia peço almoço e jantar em restaurantes, quase sempre no Leblon. Mas é chato. É o cara na porta, você assina a coisa, pega, tudo isso… Como carne raramente, prefiro peixe. Gosto também de comida japonesa, mas parei um pouquinho. Uma vez pedi um almoço, não gostei da aparência, estava mole, devia ter acreditado no que vi, mas comi. Passei mal. Foi no Sushi Leblon, onde já tinha sido muito feliz numa entrega à noite.

Saudade do volante

João Gilberto

Não estou mais dirigindo. Sinto falta às vezes. Acho que vou voltar a ter um carrinho. Fico sonhando com um carro, aquele passeio bom. Mas começaram a pegar gente dentro do túnel, tomam o carro, tomam tudo. Adorava dirigir. Nunca mais. Ia até Guaratiba sozinho, de madrugada. Lá por umas 4 horas. Gosto de ver a vida do carro.

Desafinado

Canção de Tom e Newton Mendonça, gravada por João Gilberto

Quando eu vou cantar, você não deixa
E sempre vêm a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas tanta beleza também pode se acabar

Se você disser que eu desafino, amor
Saiba que isto em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm o ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu

Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é Bossa Nova, isto é muito natural

O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolley-Flex
Revelou-se a sua enorme ingratidão

Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados também bate um coração.

Celular

João Gilberto

O meu telefone fixo não toca, só aparece uma luzinha vermelha. Quebrou há muito tempo e não consertei. A acústica dele não era boa, não tinha ambiência. Já me deram um telefone sem fio, mas não prestava. Devia ser pirata. Prefiro celular. Ele dá mais calor, sinto a pessoa mais próxima.

Vale-tudo

João Gilberto

Estou sempre procurando uma luta para assistir. Eu adoro. Tem um canal que passa todos os dias. Às vezes, aos sábados, tem um especial ao vivo. Depois fica repetindo, repetindo. É chato, mas vejo assim mesmo. Uma vez a minha filha (Bebel Gilberto) me perguntou: ‘Por que você gosta disso, qual a graça?’. Não sei. É tão interessante, puxa vida.

 

Futebol

João Gilberto

Eu sou Vasco. Torço só um pouquinho. No momento, estou gostando muito do Santos. Aquele Neymar é fabuloso. Não tem nem Robinho. É notável aquele cara. Que beleza vê-lo jogar. É o cúmulo o Dunga não escalá-lo. Você já viu isso? É da gente, é menor, é um negócio esquisito. Tem coisas crônicas no time do Brasil. Não gostam de ritmo. Eles põem o pé na bola, pensam que são os donos da bola e que têm um ano para ficar com ela no pé. Vem um argentino e toma. Os caras estão chutando de primeira. Tão primário isso, mas brasileiro é brasileiro. Como lhe disse, não posso ficar dando palpite porque não tenho esse direito. Não considero que aqui seja minha terra.

Chega de Saudade

Canção de Vinicius e Tom, gravada por João Gilberto

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse

Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz Não há beleza
É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar

Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos

Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio

De você viver sem mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...

Incônia

João Gilberto

Não sei nem quanto tempo durmo. É pouco. Todo dia naquela luta. Posso estar muito tempo na cama, procurando o sono, mas não durmo. Vou até horas tardias da madrugada, às vezes já vem até a luz.

O violão

João Gilberto

Eu tinha um único violão, agora tenho uma porção deles. Isso porque me deram. Mas você só se apega a um. É igualzinho a tudo na vida. Ele está sempre ali, adiante, a dois passos. Acho que não consigo ficar um dia sem tocar. Sento assim, ele está perto, dou um acorde.

Facebook

João Gilberto

Meu Deus do céu, essa internet! O que se pode fazer? Será que essas pessoas que falam comigo ali (na página falsa do Facebook) são de verdade? São os Caymmi mesmo que estão ali? Porque eu não sou. Não tenho nem computador. Vou pedir para o meu filho João Marcelo, lá dos Estados Unidos, ver isso. Quem será que fez isso? Esse negócio de internet é chato por isso. Dizem o que querem, você não sabe como é, quem foi. Qual o futuro? Acho que vai ter um futuro aí, não sei, o caos. Porque parece uma bagunça. Aí vêm esses jornalistas. Não gosto de jornalista brasileiro, não sabem de nada. Vou me naturalizar argentino.

Caetano Veloso

João Gilberto

Há alguns anos, um jornalista do The New York Times, muito legal, disse que queria vir ao Brasil me entrevistar. Alguns amigos até comentaram: ‘Como você, que nunca dá entrevista, vai falar logo com alguém de outro país?’. Não tenho esse negócio estreito, não. Aí vem um homem chamado Caetano Veloso. Já sabia, estava doido para fazer a tradução. Um dia ele me ligou dizendo que o jornalista estava aqui. Como assim? Perguntei a ele. O Caetano se exibiu, mostrou a casa dele, o não sei o quê. Atitudes corretas e não corretas, isso gera carma. Não fiz a entrevista.

Televisão

João Gilberto

Vejo vários canais. Escapulo para um, às vezes está chato, não vou mais ali. Não me importo de pegar um filme no meio. Até gosto. Entendo mais ou menos como foi e pronto. Estou sempre querendo ver um jornal diferente, mas esqueço e acabo no Nacional (Jornal Nacional, da Rede Globo) mesmo. Assistir a shows é difícil. Eu gosto assim, esporádico, daquele programa que tem umas meninas que ficam viajando pelo país (Sem Destino, no Multishow). Fico olhando como um menino que olha uma vitrine. Às vezes também fico vendo aquele canal que vende coisas. Nunca comprei. É difícil. Ligue para não sei que número, é coisa à beça.

Vibrações

João Gilberto

Olha, quem me conhece direito sabe que é difícil me aborrecer no estúdio, na gravação. Quando acontece, vou para casa. Não gravo contrariado, feio, com raiva, para não passar isto. Quero que fiquem registradas ali as vibrações, tudo que houve. Penso que é assim.

Medo de avião

João Gilberto

Gosto de viajar, mas gosto mais quando estou aqui. Porque aqui você sossega melhor. Quando chego a algum lugar, quero logo voltar. Aí tem o receio de avião. Fico assim: não vindo, não vindo, até que venho.

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