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Liniker

Com o intuito de quebrar paradigmas por meio da música e do seu visual andrógino, o cantor vem conquistando seu espaço a cada dia. Conheça mais sobre o líder da banda Liniker e os Caramelows.

03/07/1995
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A arte em sua vida

Liniker

A arte transforma. Quando você entra de cabeça, ela tem o poder de abrir tanta coisa, de você sentir ‘poxa, devia nascer fazendo arte, devia estar sempre envolvido com alguma coisa que me motivasse de verdade, me fizesse acreditar em algo que eu construí. Eu percebo que a arte é uma medicina da vida. Que bom que a gente pode ter contato com isso.

Coragem, meu jovem

Liniker

Nunca me bateram, graças a Deus. Mas fui muito agredido verbalmente. No metrô, você está tranquila e tem um cara com um celular, tentando disfarçar o fato de que está te fotografando. É muito escroto. Está invadindo o meu espaço. Não faz sentido. Um motoqueiro na rua uma vez falou: “Vou te comer, vem cá!”. Acho que é preciso ser corajoso. Não posso deixar que isso me reprima. Não sou essa pessoa.

Inspiração para suas músicas

Liniker

Acho que é uma vontade de mostrar meus sentimentos, tanto em Caeu quanto em Louise du Brésil, eu percebo que, às vezes, são níveis muito extremos. De repente, a gente está cantando ‘vem me dar um cheiro’ e a gente cai em um blues, é uma coisa muito de sentir o que você está sentindo e botar para fora.

Quebrando tabus

Liniker

Eu não sei se sou homem ou se sou mulher. Eu sei que sou bicha, preta e é isso. Por que eu preciso estar me colocando se sou trans? Vamos viver as nossas diferenças.

Influências musicais

Liniker

Black music, num sentido amplo do termo, foi o que eu cresci ouvindo. Tenho uma influência muito forte do samba rock por causa da minha mãe, que dava aula de dança desse ritmo pelo interior de São Paulo. Eu sempre estava com ela, dançando na sala, aprendendo os passinhos. E com os meus tios, que são compositores de samba raiz. Um deles já está na carreira há 30 anos. Então, eu cresci com essas influências de música preta. Se eu não fosse músico, com essa família, não sei o que era para ser.

Não vem que não tem

Liniker

O corpo é meu. Eu que tenho liberdade sobre ele. Se tenho minha inteireza, por que você quer colocar seu bedelho em mim? Quem é você para ditar regras que eu tenho que seguir? Cada um é cada um, cada corpo é uma história.

Por que Caramelows?

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Acho que porque é uma coisa doce, um envolvente meio brusco, meio brusco que nem caramelo quando fica duro. A gente está questionando esse docinho com essa amargura desse amor das letras das músicas, um amor caramelizado.

 

Que importância tem?

Liniker

Quando me questionam sobre gênero, eu falo que eu não sei quem eu sou e eu acho que é importante viver essa dúvida também. Eu não preciso ter uma certeza de ‘sou homem’ ou ‘sou mulher’, meu corpo é livre, meu corpo é um corpo político, ele merece a liberdade dele e eu preciso caminhar com isso, aceitar que eu sou assim.

Corpo político

Liniker

Neste momento de tanta opressão, me colocar assim, com essa força, é muito importante. As pessoas precisam saber que eu sou negro, pobre e gay e posso ter uma potência também. Sou um artista que se expressa assim. Então, se você está aí, se sente reprimido e tem vontade de colocar seus demônios para fora, mostrar quem você realmente é, coloque-se. Esse é um dos meus maiores desejos como artista desta geração.

Fama repentina

Liniker

É muito surpreendente tudo isso o que está rolando. De repente, você acorda e todo mundo está te ouvindo. É muito doido. É incrível saber que tem tanta gente que está se sentindo representada e fazendo parte deste movimento. Pra mim, como artista e pessoa, é o tipo de coisa que só agrega e me faz acreditar. Você vê que as coisas acontecem e as possibilidades estão aí.

Críticas

Liniker

Já sofri críticas relacionadas a racismo, mas relevei. Foi publicado um vídeo em uma página, havia uns comentários bastante tortos e eu pensei ‘é me empoderando que eu vou conseguir acabar com isso’. Acho importante quando as pessoas se empoderam. Em uma situação como essa, penso ‘você não vai me oprimir mais.

Fãs crescem a cada momento

Liniker

Fizemos um show recentemente em São Carlos, no GIG, e a galera subia nas bancadas, gritava e cantava todas as músicas. Uns choravam, outros até passavam mal. Eu fiquei surpreso, não sabia nem o que falar. Foi muito bonito ver as pessoas se sentindo parte do nosso trabalho.

Autodidata

Liniker

Eu nunca estudei música, eu estudei um mês de violão, mas não rolou e depois fui estudar sozinho. Canto, eu preciso fazer aula de canto.

Nem sempre me aceitei como sou

Liniker

Achava que me colocar não seria tão importante. Isso foi me afogando até que falei ‘chega, vou cantar, é isso que me motiva, vou começar a escrever’. Foi com 16 anos que eu comecei a compor e construir uma identidade minha, uma coisa que sou eu de verdade.

Sua mãe, seu mundo

Liniker

Minha mãe é uma mulher incrível. Ela se chama Ângela. Criou meu irmão, que tem 13 anos, e a mim, sozinha, com muito esforço. Tenho pouca relação com o meu pai. Minha mãe, ao contrário, é um grande apoio: aquela pessoa pra frente, aquariana, que pede calma e diz que tudo vai dar certo.

Os Saltimbancos

Liniker

Consegui o papel principal, que era o do cachorro, e eu tinha que fazer umas quatro vozes diferentes. Lembro que foi a primeira vez em que minha mãe me viu cantar. Desde então comecei a compor e a escrever.

Feminilidade

Liniker

Sempre quis usar as roupas da minha mãe, mas não fazia isso, sobretudo em Araraquara, uma cidade pequena, porque ia ser hostilizado. Ia para um brechó, queria um vestido, um brinco, mas não comprava… Comigo mesmo eu estava bem, o problema era a cidade. Meu processo desatou depois de sair de casa e me sentir mais liberto.

Referências musicais

Liniker

Clube do Balanço, total. Cartola. Pela Etta James sou tarado. Pela Nina Simone também. Amo todos os classicões do samba. E Caetano, Gil, Gal. Gosto da nossa música, que tento juntar com a de fora. Escuto muita coisa atual também, como a Tulipa Ruiz e a Tássia Reis, que é uma rapper nova. E os meus tios, né? São meu poço de inspiração sempre. Se não fosse por eles…

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