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Ary Fontoura

Desde menino já manifestava o amor pela representação, e enquanto crescia o talento aumentava junto. Ary viveu a evolução das novelas brasileiras e continua nas telinhas, colecionando diversos trabalhos na televisão, no teatro e no cinema. Com esta trajetória, o paranaense tem muito o que dizer!

Governo

Ary Fontoura

Não tenho partido algum. Durante toda a minha vida, sempre achei que o Brasil nunca teve um presidente como deveria ter. Até que o Lula apareceu, boas propostas e pretensões excelentes. Votei nele duas vezes. No segundo mandato, já senti uma defasagem. Aí veio a Dilma. Ela foi uma pessoa utilizada pelo PT para a manutenção do poder. Sou um cidadão comum, que contribuo com o meu dinheiro para o ordenado dela. Então, eu quero que ela governe para mim também. Faço parte de uma parcela dos que não gostam do que está acontecendo. Milhares pessoas dizem isso, mas não têm a oportunidade que eu tenho, de ter a mídia para me expressar. Por que vou calar a minha boca?

Morte

Ary Fontoura

A gente se acostuma com a vida, mas não solucionou a morte, sobretudo a que vem inesperadamente.

Linguajar

Ary Fontoura

O linguajar hoje é mais direto e objetivo. Temos que estar de acordo com as mudanças ao nosso redor e a novela é um trabalho que atinge o grande público.

Teatro atual

Ary Fontoura

Está muito difícil fazer teatro hoje. Antes, você pensava assim: tinha 50 mil, vendia o telefone e montava uma peça. Aí… era um sucesso ou um fracasso [risos]. Agora, você não consegue montar uma peça sem um auxílio extra. Voltamos à era medieval! Você precisa de apoio de hotel, da companhia aérea, de restaurante. E cada apoio custa muito. Não existe mais o público que banca a obra. Até porque todo mundo paga meia-entrada, quando paga. Idoso, mesmo os que têm dinheiro, pagam meia, estudante, mesmo que não estude, também paga meia… Resultado, a bilheteria é fraquíssima! Não poderíamos sobreviver de bilheteria. E na política cultural dos governantes, o teatro sempre é assunto secundário.

Casamento

Ary Fontoura

Cheguei a ficar noivo, quando morava no Paraná. Mas deixei isso de lado e embarquei no que realmente queria fazer: me dedicar à carreira. Achei melhor ficar solteiro e não me comprometer com ninguém. Acredito que o casamento é uma instituição falida, apesar de respeitar quem o admira.

A vida é um banquete

Ary Fontoura

Uma vez vi um musical na Broadway em que a protagonista dizia que a vida é um banquete, mas que a maioria morre de fome. Aquilo ficou na minha cabeça e pensei: não vou participar desse banquete sem comer à beça. Aproveito tudo o que é possível.

Velho?

Ary Fontoura

Não me sinto velho, me sinto com a idade que tenho. E olha que fumei por 32 anos, mas consegui parar há 26. É o maior vício que se pode ter. Está ligado a problemas psicológicos. Você fuma quando está sozinho. Ele é um companheiro. Parar foi uma das decisões mais radicais que tomei na vida.

Ser mulher

Ary Fontoura

[Sobre interpretar uma mulher em A Guerra dos Rochas]
Passei a ter um respeito maior pela mulher. Elas sofrem muito para ser o que são. Com a sensibilidade tão à flor da pele, chorava por qualquer coisa. Foi difícil, porque era comédia, precisava sorrir o tempo todo. Fui mulher esse tempo todo. Entrei de cabeça no trabalho.

Amores

Ary Fontoura

Tenho 75 anos. Acha que passei em brancas nuvens? Fiz o que pude fazer e ainda faço. Não busco o amor. Só é preciso ser perspicaz para olhar para o lado e perceber que tem algo no ar. Era moleque, namorador.