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Yoná Magalhães

Como a maioria dos grandes artistas de sua geração, Yoná começou na TV Tupi. Em 1964 estrelou o aclamado "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha. A atriz faleceu aos 80 anos, deixando um legado de grandes atuações.

Deus e o Diabo

Yoná Magalhães, sobre seu primeiro papel de destaque

Deus e o Diabo na Terra do Sol foi um marco no cinema brasileiro e, creio, um marco na carreira de todos que tiveram a felicidade de participar. Glauber Rocha, na época, era um jovem de mais ou menos 20 anos, um gênio que ficaria conhecido e respeitado no mundo inteiro.

Eu estava morando em Salvador, recém-casada com Luiz Augusto Mendes da Costa, um dos produtores do filme. Por essa razão, tive a sorte de interpretar a Rosa. Sim, meu marido forçou minha participação no filme.

Creio que Glauber teria outra atriz em mente, porém se viu levado a me aceitar, cofiando mais em sua habilidade como diretor do que em meu talento. E ele estava certo: criou a Rosa e conseguiu fazer com que uma atriz iniciante, apesar de já ser profissional, realizasse uma grande performance.

O fato de ter ficado em Monte Santo (BA) durante quase um mês, antes de iniciar minha parte na história, deu-me a oportunidade de vivenciar o cotidiano dos que moravam lá e aqueles que vinham da caatinga buscar ajuda na Igreja, que recebia alimentos para serem distribuídos aos mais carentes.

Começávamos a subir o Monte para filmar ainda de madrugada para que pudéssemos aproveitar o dia. Filmávamos até o fim da tarde, quando a luz do dia começava a diminuir. Ventava muito, o que aliviava o calor.

Conheci um Glauber meigo, de voz mansa e uma enorme simpatia. Era grande experiência prazerosa vê-lo dirigir. Ele era, ao mesmo tempo, os atores, a câmera, a luz. Enfim, transbordava de força, emoção e dinamismo.

Com relação a Rosa, eu sentia o que ele queria transmitir. Era mágico. Quando estávamos gravando na caatinga, certa vez, meu lanche desapareceu - consequência de algum bichinho faminto, habitante da região - e assim mesmo consegui terminar a jornada daquele dia.

Acredito que não tínhamos ideia da importância da obra na qual estávamos participando. Não pude ir a estreia do filme, estava com meu filho que acabara de nascer.

Glauber impressionou diretores e críticos europeus com Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme cheio de uma selvagem beleza que excitou a todos com a possibilidade de um grande cinema nacional.

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