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Antonio Tabet

Ele é um dos criadores do canal Porta dos Fundos e responsável pelo blog Kibe Loco. Publicitário, Tabet acaba de somar mais uma função ao currículo, a de VP de comunicação do Flamengo.

26/06/1974
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Internet

Antonio Tabet

A internet é fundamental para a exposição de conteúdo, pois você pode se tornar um editor de si mesmo. É uma catapulta para o lançamento de pessoas que, em outros tempos, não poderiam aparecer, pois não havia espaço. Acabou isso de assistir apenas o canal 10, o 12, o 6, o 4. Quem tem celular pode ser produtor, editor, distribuidor, tudo ao alcance da mão. Abriu uma porteira cujo critério é a meritocracia, se você sabe fazer algo bom e produzir algo bom, não precisa mais fazer teste de sofá nem mais ser amigo do amigo para ter uma chance.

Projetos

Antonio Tabet

Este ano, vou participar de cinco longas. O primeiro estreia em 26 de fevereiro. Depois, faço uma participação como vilão no filme B.O. — Boletim de ocorrência, que também conta com Cléo Pires. Vai ser meu primeiro filme sério. Para mim, é muito legal, é uma estrutura muito maior e é bom trabalhar com outras pessoas. Você não fica preso a uma única coisa.

Porta dos fundos

Antonio Tabet

Acho que não é pelo fato de ser feito na internet que o Porta dos Fundos faz sucesso. O diferencial é o conteúdo, o roteiro, a filmagem e a edição. Tudo é bom. Se ele tivesse surgido na tevê, certamente teria repercussão positiva, pois a televisão é uma espécie de lareira da sala. Talvez, ele encontrassse um pouco mais de resistência, porque a audiência é compartilhada — você assiste ao lado da sua mãe, do seu pai… Na internet, as pessoas se permitem ver e ouvir coisas sem se preocupar com o constrangimento de outras, é um veículo mais direto. Naturalmente, como produzimos algo com qualidade de TV para a web, as pessoas fizeram muito essa associação. Nós somos o poste mijando no cachorro. Agora existem programas tentando fazer o que nós realizamos na tevê, mas eles vão ter que ir além, pois sempre vamos estar um passo a frente.

Humor x arte

Antonio Tabet

Humor é arte, é proposta, é anestesia, é educação. Costumo receber e-mails de professores agradecendo, pois os alunos passaram a se interessar por determinado assunto que foi abordado no Porta dos Fundos ou no Kibe Loco. O humor é escape, é protesto, é dedo na ferida, talvez seja a mais completa forma de arte. O humor mata com gente ilesa.

Seguir em frente

Antonio Tabet

Ligaram no colégio falando pra eu ir pro hospital. Chegando lá um tio me abraçou tão apertado que até me machucou. Quando vi que ele estava chorando, não precisei perguntar nada. E aí eu chorei, chorei, chorei. Quando fui ver meu pai, abracei, mas tive aquela sensação que descrevem, de que a pessoa não está mais ali. Por muito tempo fiquei mal, virei uma pessoa angustiada. Isso só acabou com um sonho em que meu pai aparecia e dizia: “Cara, não sofre. Você aí sofrendo tá me fazendo sofrer aqui”. Eu estava com uns 20 anos e só então aceitei que tinha que seguir com a vida.

Na justiça

Antonio Tabet

Não houve muitos embates. O que houve foi uma ou outra pessoa normalmente tentando aparecer ou se fazer notar na mídia, querendo chamar a atenção da Justiça. Mas, normalmente, quando faz isso, a pessoa tenta desvirtuar o conteúdo e acaba expondo um preconceito que ela mesma tem. Nunca houve preconceito em nada que a gente fez. Em via de regra, esses problemas acabaram caindo por terra. Há, no imaginário, que somos processados diariamente, que tem um oficial de Justiça de plantão em nossa porta. E isso não é verdade. Nós fomos acionados pouquíssimas vezes e, em todas, a Justiça intercedeu ao nosso favor. Nenhum conteúdo é postado sem reflexão. Isso passa por uma primeira visão, revisão, por uma série de filtros. Somos cinco criativos pensando, revendo os prós e os contras.

 

Paixão

Antonio Tabet

Eu era o cara que me apaixonava, levava cartãozinho, caixa de bombons. Minha primeira vez foi no meu quarto, na minha casa, com a minha primeira namorada, que era virgem também. E foi espetacular. Enfim, chorei muito por mulher na escola. Depois de velho isso passou.

Você gostaria de ter dado certo como publicitário?

Antonio Tabet

Eu ia odiar! O-di-ar. Na faculdade meu sonho era esse, mas eu não conhecia, eu tava vendo de longe. Tem uma piada ótima: sabe por que publicitário não tem campainha em casa? Pro cara chegar e bater palma! É exatamente isso. O tempo todo, um querendo mais que o outro, um lambendo a caceta do outro, ou a própria caceta... Não dá, puta saco.

Kibar

Antonio Tabet

O cara fala mal porque ele queria ser você. A internet projetou muita gente que é editor de si mesmo. Você faz um Twitter, um blog e aí rola uma egotrip louca. O Twitter foi letal. A pessoa ganha 5 mil seguidores e acha que realmente está com um microfone falando para 5 mil pessoas. E não é nada disso. Sobre autoria, é assim: o cara põe um vídeo no YouTube; outro vê e joga num blog. E aí? Ninguém mais pode publicar? Você acha que porque publicou o vídeo de alguém ele é seu?

Politicamente correto

Antonio Tabet

Eu acho ótimo o politicamente correto, é importante um controle. Na minha juventude cansei de ver garotos fazendo piadas com o único negro da sala e acho ótimo que não façam mais ou se sintam constrangidos em fazer. É uma evolução natural das coisas.

Política

Antonio Tabet

Humor é oposição, né? Os petistas me odeiam, acham que sou tucano. Não sou. Não tenho inclinação política, só odeio ladrão, filho da puta. Nas últimas eleições [para prefeito] eu votei no [Marcelo] Freixo, e continuo do lado dele.

Televisão

Antonio Tabet

A gente até queria ir para a TV, mas até que ponto a TV nos quer de verdade e não só para colocar na cristaleira e dizer: olha só o que eu tenho?

Humor

Antonio Tabet

Não adianta fazer exatamente como a gente, tem que tentar chegar a pessoa que quer atingir, e isso que é difícil. Por exemplo, o brasileiro gosta de bordão. Apesar de nenhum vídeo ter um desses, as pessoas formaram uma espécie de bordão para o Porta dos Fundos, com frases ditas em um vídeo, uma única vez, como o “errou feio, errou rude”. A tevê se acostumou a fazer um conteúdo muito mastigado, pois sempre subestimou, de certa forma, o próprio público. Então, fez algo mais ruminável por entender que, talvez, os espectadores não sacariam. No início do Porta dos Fundos, quem parava a gente na rua era o executivo de terno e gravata de 50 anos, agora, é o office boy, é o cobrador de ônibus. A integração digital permitiu que chegássemos a esse ponto, quanto mais pessoas acessam a internet, mais isso vai aumentar, e é por isso que programas de humor estão passando por reformulação.

Gosto popular

Antonio Tabet

Gosto de fazer internet para um público grande. Tem muitos que fazem para nicho, para galerinha de Twitter. Não quero isso. Quero internet para o povão. Quanto mais, melhor. Quero a inclusão digital, que, para mim, sempre foi boa. Não tenho essa falsa vaidade de fazer conteúdo hipster. Sabe aquela galera que gosta de uma banda e quando ela fica conhecida não gosta mais? Pois é, não penso assim. Quero fazer sucesso, e eu consigo enxergar o mérito e o valor no que é popular.

Estilo

Antonio Tabet

O talk-show que eu fiz na TBS (canal por assinatura) é diferente. Muitas vezes, os convidados dão entrevista sem saber que estão sendo entrevistados. Tivemos que gravar essa “pegadinha” antes de ir ao ar. Acredito que existem várias formas para se diferenciar nesse meio. Sou amigo dos três apresentadores dos maiores programas de entrevista (Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Jô Soares). Acho que cada um tem uma maneira completamente diferente. Sou muito fã do Jô, acho que ele é um dos maiores comediantes da história do Brasil.

Na TV

Antonio Tabet

A gente nunca disse não à TV, demos não a diversas propostas. Por quê? A gente nunca precisou dela. Acontece que até então, as propostas não nos agradavam, não eram financeiramente ou editorialmente boas. A Fox foi a primeira que nos agradou e, de certa forma, também era a mais confortável, pois usamos, em um primeiro momento, vídeos já publicados na internet. Foi muito bom, atingimos um público que não está na internet. Triplicamos a audiência deles — foi maior do que Os Simpsons, no mesmo horário.

Família

Antonio Tabet

Meu avô paterno era libanês, mas não conheço muitos detalhes. E a família por parte de mãe é portuguesa. Meus pais nasceram no Rio e viraram médicos, os dois. Tenho dois irmãos mais novos, um é médico e o outro é advogado, Marco Antonio e Fernando Antonio, que era o nome do meu pai também.

Dificuldades

Antonio Tabet

Meu pai era um médico respeitado, foi diretor do [Hospital] Pedro Ernesto, diretor da Uerj, já tinha sido convidado pra trabalhar em Secretaria de Saúde. E era um cara forte, corpulento, corria na praia todo dia. Ele teve câncer no cérebro, muito difícil de lidar porque tinha dia que ele estava ótimo e tinha dia que ele estava um vegetal. Então, de uma estrutura familiar toda montadinha – pai, mãe, eu, um irmão dois anos mais novo e outro que tinha acabado de nascer –, entramos num caos. Quando meu irmão fez 1 ano meu pai descobriu a doença. Dois anos depois ele morreu. Durante o tratamento, fiquei muito próximo dele, cheguei a dar banho, um processo doloroso. E quando ele morreu foi uma porrada porque eu tinha certeza de que ele ia ficar vivo.

Profissão

Antonio Tabet

Fiz publicidade na UFRJ, uma merda de curso, mas fui até o final. Ainda na faculdade fiz estágio na Rádio Globo, indo pra rua ver cadáver no jornalismo, cobrindo vestiário de Bangu e América em Moça Bonita... De lá fui para uma agência de publicidade pequena, depois consegui estágio na programação do Multishow, maravilhoso, porque me obrigou a assistir a todos os episódios de Trapalhões, I love Lucy, Kids in the hall... Esse, aliás, mudou minha vida, virou referência. Depois fui para a programação do GNT. Mas aí recebi o convite para ir trabalhar no marketing de um banco de investimentos, o Icatu, com um salário bem melhor.

Twitter

Antonio Tabet

Se cem caras estão falando mal de mim na internet, quantos estão falando bem? Sério, eu não dou atenção. O Twitter é a caixa de gordura da humanidade, o chorume. Ainda bem que está perdendo força. Você vê na audiência, está caindo vertiginosamente.

Mulheres

Antonio Tabet

Eu não sou um galã, né? Não sou o bonitinho de 26 anos, tenho 38! E até pareço mais velho. A figura da “maria comédia” eu já vi por aí. Tem umas até conhecidas, você chega num lugar e o pessoal já fala: “Olha lá a fulana, querendo descobrir qual o pau mais engraçado do Brasil”. Mas eu não entro nessa. E, como falei, tem muitos outros caras na minha frente. Muito Danilo Gentilli pra elas se interessarem.

Consultoria

Antonio Tabet

Há uns seis, sete anos começaram a aparecer muitas agências de marketing digital, viral, essas coisas. Só que é um mercado muito mais oportunista do que especialista. O que acontecia: uma empresa contratava uma agência de publicidade padrão, essa agência contratava uma agência de mídia digital e essa mídia me ligava. Pra pôr conteúdo no Kibe Loco, ou querendo dica pra fazer uma nova “Dança do quadrado”, ou saber se tal coisa tinha cara de viral...

Publicitário

Antonio Tabet

A comunicação, de um forma geral, está muito integrada. Quando fala em um microfone de uma rádio, você está atuando de alguma forma; ao fazer uma campanha publicitária, está sempre escrevendo. O processo criativo não é muito diferente. O que difere é a forma do conteúdo, a linguagem. Eu sempre me vi como roteirista. Hoje em dia, consigo produzir o que gosto e não o que minha profissão me obrigava. É muito melhor fazer algo como o Porta dos Fundos do que um slogan para a televisão.

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