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Lima Duarte

Muitas novelas e filmes podem ser incluídos no currículo de Lima Duarte. O ator acompanhou e modificou a televisão brasileira junto com gerações e gerações. Conheça um pouco de sua personalidade.

29/03/1930
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Verdadeiro homem

Lima Duarte

Ao longo da minha existência, convivi com esse homem simples brasileiro, com essa gente… Quando me tornei ator, procurei incorporá-lo nas minhas interpretações, pois acho que somos essencialmente gente da terra, assim como os personagens do escritor João Guimarães Rosa. Essa gente é minha partitura principal, minha matriz de criação.

Memória

Lima Duarte

A minha base familiar foi muito forte e importante para mim. Essas lembranças vêm me assombrando todos esses anos. Estou com quase 80 anos e tenho a impressão de que várias passagens da minha infância aconteceram ontem.

Mãe

Lima Duarte

Minha mãe se chamava América, era atriz de circo e muitas vezes me levava para assistir suas apresentações, inclusive eu participava como ator e seu ajudante em várias dessas apresentações.

Novelas

Lima Duarte

Quando disse que não queria mais fazer novelas naquela ocasião (em uma entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo em março de 2006), eu realmente estava cansado de fazer quase sempre a mesma coisa, pois as novelas vêm se repetindo muito nos últimos anos. Mas não sei fazer outra coisa que não representar e, por não querer me aposentar, ainda tenho de continuar a fazer novelas ou qualquer outro trabalho na televisão.

Mundo da política

Lima Duarte

Acho que vou ser sempre grato à minha filha Mônica (do primeiro casamento do ator com a atriz Marisa Sanches) que me aconselhou a não aceitar o convite para ser político. Ela disse que eles iriam destruir minha história.

Assis Chateaubriand

Lima Duarte

Minha convivência com Assis Chateaubriand foi uma coisa muito minha, muito íntima, muito pessoal. Não queria dividir aquilo com ninguém. Eu não dei a entrevista porque achei que aquelas histórias não teriam nenhuma relevância para a biografia do Assis Chateaubriand. Achava a vida dele tão fantástica, tão rica, tão humana, que nenhuma biografia conseguiria mostrar a alma daquele ser humano contraditório.

Dublagem

Lima Duarte

Apesar de o gato Manda-Chuva ter sido o mais conhecido e adorado, sempre gostei de fazer o cachorro Dum-Dum. Eu o achava bem amoroso e muito fiel à Tartaruga Touché. Havia algo de muito humano nesse cachorro, com sua simplicidade e fidelidade com os outros e com o mundo a sua volta. Adorava fazer a voz dele. O gato Manda-Chuva era um espertalhão que vivia passando o Guarda Belo para trás, por isso muitos gostavam dele, de sua esperteza, de sua ironia. Mas o cachorro Dum-Dum era mais gostoso de fazer, mais terno, um cachorro mais humano do que muita gente por aí.

 

Amor verdadeiro

Lima Duarte

Sempre fui muito louco, muito delirante, para viver ao lado de alguém. Amei várias mulheres e acho que fui amado por elas, mas nasci para viver comigo, com meus personagens, com minhas lembranças. Mas, se tive realmente um verdadeiro amor, esse aconteceu quando eu já era um homem maduro. Amei loucamente uma atriz e acho que ela, da maneira dela, me amou também. Esse sentimento, esse louco amor, já foi suficiente para mim.

Mulheres

Lima Duarte

Quando era mais jovem e bonito, tive muitas mulheres, fazia sucesso entre elas, sabia agradá-las e amá-las direitinho e, por isso, tinha sorte com elas. Mas o tempo foi passado e minhas idiossincrasias foram aumentando, por isso penso que hoje ficou insuportável para elas viverem ao meu lado.

Presente

Lima Duarte

Nunca fui um pai presente, nem um avô presente; acho que com minha neta Laura, filha da Júlia, fui mais presente. Em relação aos meus bisnetos, acho que pequei da mesma forma. Eu sou muito delirante e tive uma infância muito rica com meus pais e meus avós. Não me esqueço da relação do meu pai com a mãe dele, que era bugra. Eles ficavam pelos cantos conversando e ninguém podia chegar perto. Eles se reuniam no quintal debaixo de uma árvore e minha avó repartia uma laranja com ele e, juntos, ficavam conversando num linguajar que só eles entendiam.

Convivência familiar

Lima Duarte

Essa vivência com meus pais e meus avós foi tão intensa, tão rica, tão deslumbrante, tão terna, tão engraçada, tão estranha, que fiquei assim, com o pensamento perdido nela… Esqueci de ser esse pai, esse avô e esse bisavô presente. Mas amo muito, todos os meus, mas do meu jeito.

Cinema nacional

Lima Duarte

Sei que o cinema nacional ainda é pouco visto por nós e sempre me considerei um ator de televisão, veículo que tenho, acho, um certo domínio, pois estou nele desde que ele foi fundado em 18 de setembro de 1950 e de onde nunca saí. Mas tenho grande admiração pelo cinema, tenho lembranças muitos bonitas de filmes que assisti na infância e na juventude e adoro a sétima arte. Fiz alguns filmes que acreditei que valiam a pena, muitos não foram do jeito que pensei, mas não me arrependo de tê-los feito.

Cinema e televisão

Lima Duarte

Gostaria de ter feito mais cinema, mas a televisão, as novelas, melhor dizendo, me impediram de trabalhar em filmes. Mas são contingências da profissão e não tenho do que reclamar, pois bem ou mal eu fiz os filmes que quis fazer.

Literatura

Lima Duarte

Eu sou um apaixonado pela literatura, pelos escritores, pela palavra. Penso que essa paixão muitas vezes interferiu na minha análise sobre os filmes que fiz. Mas quando o filme não foi bom, no meu entendimento, mesmo não sendo adaptado da literatura, também critiquei, pois acho que fazer um trabalho de ator não é meramente decorar um texto e fazer seu papel.

Teleteatro

Lima Duarte

Fiz por mais de uma década teleteatro no TV de Vanguarda exibido pela TV Tupi Difusora, onde fizemos quase todo o repertório do teatro mundial. Foi uma experiência muito gratificante e que me ensinou muito sobre os grandes clássicos do nosso teatro mundial.

Entretenimento da alma

Lima Duarte

Pode até ser um sacrilégio o que eu vou dizer agora, mas literatura para mim é antes de tudo entretenimento da alma. Quando leio, entretenho minha alma que passa a morar noutros lugares, noutros seres.

Mundo da literatura

Lima Duarte

Fico louco com isso, deliro com a palavra, com o prazer de conhecer os vocábulos e ir descobrindo o mundo em volta. Isso me encanta ainda hoje. Meu livro é Grandes Esperanças e meu escritor é Charles Dickens.

Sermão

Lima Duarte

Tem um sermão, do 4º Domingo, do Vieira, que diz o seguinte: “A mim a imagem dos meus pecados me comove muito mais que essa imagem do Cristo crucificado. Diante dessa imagem do Cristo crucificado, sou levado a ensoberbecer-me por ver o preço pelo qual Deus me comprou, diante da imagem dos meus pecados é que eu me apequeno por ver o preço pelo qual eu me vendi. Por ver que Deus me compra com todo o seu sangue, eu sou levado a pensar que eu sou muito, que eu valho muito. Mas quando noto que eu me vendo pelos nadas do mundo, aí eu vejo que sou nada. Eu valho nada”. Isso é muito bonito, muito profundo, muito humano.

Grande Sertão: Veredas

Lima Duarte

O livro Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa é minha bíblia, meu livro de cabeceira, e todas as noites eu o abro em algum lugar e leio um trecho. A vida de alguma forma está colocada lá: nossos medos, nossos assombros com o mundo, a paixão, o desejo, o tormento das dores da vida, do amor. Sou um apaixonado e delirante da palavra.

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